
“Os católicos são cada vez menos. A Igreja esconde o seu carácter resiliente. É assustador pensar na extinção de algo tão antigo. Avançada a idade, desvaloriza-se a essência.” Foto © Stefan Kunze / Unsplash
Fui à missa. Os espaços vazios são mais do que os ocupados. Procurei jovens e contei-me a mim para que o número não fosse tão reduzido. Estará a fé a perder-se? Ou estarão os costumes em mudança? Os católicos são cada vez menos. A Igreja esconde o seu carácter resiliente. É assustador pensar na extinção de algo tão antigo. Avançada a idade, desvaloriza-se a essência. Os meus avós são idosos, mas sinto que ainda tenho muito a aprender com eles.
Os escândalos não ajudam. Mas eles não espoletaram esta crise. Os abusos sexuais abalaram aquilo que já estava por um fio. Não concordo que estes crimes sejam irrepreensíveis e esquecidos. São repugnantes atentados à integridade física e mental humana, pelo que devem ser julgados como ilegalidades do mundo civil. Mas, pergunto-me qual o motivo por que entramos numa Igreja. Deus será a razão. A fé dos homens não se deveria abalar pelos nossos erros. Ele ainda lá está. Ao sairmos da Igreja porque um ser humano pecou, estaremos a culpar Deus pelas nossas falhas.
Confundem-se, nitidamente, duas realidades distintas: a instituição da Igreja e a entidade divina. A perfeição apenas Deus a possui. E é no seio do erro que floresce a força de acreditar. A verdade é que usamos os problemas da Igreja como pretexto para encobrir o campo religioso da nossa vida. Será que existe a fé que se diz estar a perder-se? São muitos os que se afirmam católicos, poucos os que têm fé. “Este ano não vou abrir a porta ao Compasso”, dizia a minha vizinha, “Depois do que eles fizeram, nem pensar.” Até no período pascal as pessoas parecem querer afastar-se de Deus. Com a revolta dos homens, fecha-se a porta ao único que não errou. É incoerente acreditar e bloquear a entrada da Cruz.
Mas, qual é a minha fé? A que condições está sujeita? Acredito em Deus? Com a azáfama do quotidiano poucos serão os que param para pensar. Talvez largar e nominar de inútil seja mais simples. “E vão eles para a missa! Nunca vi tamanha ingenuidade! As pessoas ainda acreditam em mitos. Vivemos na era da ciência!” A fé não deve ser posta à prova por nenhum sentido. Deus não se vê nem se toca. Parece difícil acreditar, sendo assim. O segredo está no sentimento que nutrimos por Ele. Não é uma verdade científica corroborada.
O problema está na antiguidade daquelas escrituras que costumámos ouvir na eucaristia. Já caíram em desuso. O tempo que vivemos é o que deve ser exaltado! Afinal de contas, mudamos muito! Já não somos egoístas, nem nos deixámos levar pela cobiça. Já não ansiamos o mesmo. Os desejos de dinheiro e luxo pertencem a um passado remoto. Não faria sentido ouvirmos pregar sobre esses pecados. Já não somos seres humanos! Quem precisa de amor e compaixão? Tornámo-nos senhores de nós próprios, capazes de refazer a história…
Beatriz Mendes é aluna do 12.º ano na Escola Secundária Francisco de Holanda, Guimarães.










