AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Gostava de ler na igreja e não ouvir tanto o eco da minha voz

| 25/04/2023

Homem a rezar numa igreja. Foto © Stefan Kunze / Unsplash

“Os católicos são cada vez menos. A Igreja esconde o seu carácter resiliente. É assustador pensar na extinção de algo tão antigo. Avançada a idade, desvaloriza-se a essência.”  Foto © Stefan Kunze / Unsplash

 

Fui à missa. Os espaços vazios são mais do que os ocupados. Procurei jovens e contei-me a mim para que o número não fosse tão reduzido. Estará a fé a perder-se? Ou estarão os costumes em mudança? Os católicos são cada vez menos. A Igreja esconde o seu carácter resiliente. É assustador pensar na extinção de algo tão antigo. Avançada a idade, desvaloriza-se a essência. Os meus avós são idosos, mas sinto que ainda tenho muito a aprender com eles.

Os escândalos não ajudam. Mas eles não espoletaram esta crise. Os abusos sexuais abalaram aquilo que já estava por um fio. Não concordo que estes crimes sejam irrepreensíveis e esquecidos. São repugnantes atentados à integridade física e mental humana, pelo que devem ser julgados como ilegalidades do mundo civil. Mas, pergunto-me qual o motivo por que entramos numa Igreja. Deus será a razão. A fé dos homens não se deveria abalar pelos nossos erros. Ele ainda lá está. Ao sairmos da Igreja porque um ser humano pecou, estaremos a culpar Deus pelas nossas falhas.

Confundem-se, nitidamente, duas realidades distintas: a instituição da Igreja e a entidade divina. A perfeição apenas Deus a possui. E é no seio do erro que floresce a força de acreditar. A verdade é que usamos os problemas da Igreja como pretexto para encobrir o campo religioso da nossa vida. Será que existe a fé que se diz estar a perder-se? São muitos os que se afirmam católicos, poucos os que têm fé. “Este ano não vou abrir a porta ao Compasso”, dizia a minha vizinha, “Depois do que eles fizeram, nem pensar.” Até no período pascal as pessoas parecem querer afastar-se de Deus. Com a revolta dos homens, fecha-se a porta ao único que não errou. É incoerente acreditar e bloquear a entrada da Cruz.

Mas, qual é a minha fé? A que condições está sujeita? Acredito em Deus? Com a azáfama do quotidiano poucos serão os que param para pensar. Talvez largar e nominar de inútil seja mais simples. “E vão eles para a missa! Nunca vi tamanha ingenuidade! As pessoas ainda acreditam em mitos. Vivemos na era da ciência!” A fé não deve ser posta à prova por nenhum sentido. Deus não se vê nem se toca. Parece difícil acreditar, sendo assim. O segredo está no sentimento que nutrimos por Ele. Não é uma verdade científica corroborada.

O problema está na antiguidade daquelas escrituras que costumámos ouvir na eucaristia. Já caíram em desuso. O tempo que vivemos é o que deve ser exaltado! Afinal de contas, mudamos muito! Já não somos egoístas, nem nos deixámos levar pela cobiça. Já não ansiamos o mesmo. Os desejos de dinheiro e luxo pertencem a um passado remoto. Não faria sentido ouvirmos pregar sobre esses pecados. Já não somos seres humanos! Quem precisa de amor e compaixão? Tornámo-nos senhores de nós próprios, capazes de refazer a história…

 

Beatriz Mendes é aluna do 12.º ano na Escola Secundária Francisco de Holanda, Guimarães.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Joana Lopes: 88 cravos à sua memória

[Entre Margens]

Joana Lopes: 88 cravos à sua memória novidade

No próximo Domingo, 11 de Outubro, Joana Lopes, que nos deixou a 5 de Fevereiro deste ano, completaria 88 anos. A Joana teve um papel importante na resistência católica contra a ditadura, tendo levado a cabo lutas muito importantes em que denunciava a guerra colonial. Tinha também uma atividade cívica intensa, assumindo a defesa de lutas políticas essenciais que não são menos importantes no nosso tempo. [Texto de Filipe Moisés].

Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se …

[Arquipélago Jerusalém]

Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se … novidade

Acordamos e consultamos as notícias e fica a impressão que o mundo está muito desarrumado e que somos impotentes para o modificar; que pouco podemos fazer contra a ideologia  trumpista, putinista e xijinpinguista – que mistura consumismo e força bruta: preciso de poder comprar o que quero e, se não puder comprar, posso tomá-lo à força. A propaganda alcança o seu fim quando já dispensamos o propagandista e passamos nós próprios a repeti-la. [Texto de Mendo Castro Henriques].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.