Governo afegão liberta dois mil talibãs e cessar-fogo pode ser prolongado

| 26 Mai 20

O Presidente Ashraf Ghani, do Afeganistão, ordenou a libertação de dois mil prisioneiros talibãs, num gesto de “boa vontade”, e “em resposta ao anúncio dos talibãs de um cessar-fogo durante o Eid al Fitr”, a festa que assinala o fim do mês sagrado do Ramadão. A suspensão das hostilidades tem sido cumprida e poderá até ser prolongada.

Segundo fontes oficiais citadas pelo Vatican News, foram colocados em liberdade esta segunda-feira, no Afeganistão, 100 reclusos da prisão de Bagram, e mais 900 prisioneiros deverão ser libertados nas próximas horas. Os restantes que permanecem ainda cativos deverão ser libertados ao longo dos próximos dias.

Os talibãs, cujos ataques contra as forças governamentais se vinham multiplicando nas últimas semanas, decretaram no sábado um cessar-fogo unilateral para permitir a celebração do fim do Ramadão. O cessar-fogo terminaria esta quarta-feira, 27 de maio, mas os talibãs estão a considerar a sua extensão, se a libertação de prisioneiros prosseguir.

A libertação de cerca de cinco mil talibãs (e também, em troca, a de mil membros das forças do governo) está prevista nos acordos assinados no passado dia 29 de fevereiro, em Doha, entre os EUA e os talibãs, e visa a reconciliação e a retirada das tropas americanas e estrangeiras no prazo de 14 meses.

Este ato foi “um grande investimento para com os talibãs na tentativa de implementar estes acordos de paz”, afirmou Emanuele Parsi, professor de Economia e Relações Internacionais da Universidade Católica de Milão, em declarações ao Vatican News. O especialista recorda, no entanto, que “o verdadeiro problema do Afeganistão pós-guerra civil é sobretudo de natureza económica, porque se a economia não for de alguma forma restabelecida, serão recriadas as razões da popularidade de qualquer formação de insurgentes, até mesmo dos talibãs”. Nesse sentido, defende Parsi, os países que até agora estiveram envolvidos no processo de paz e reconstrução do país, “não podem desaparecer juntamente com o último soldado americano”.

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