Governo bielorrusso aceitou pedido do arcebispo para criar comissão mista que averigue condições dos detidos

| 25 Ago 2020

Tadeusz Kondrusiewicz. Bielorrússia

Reunião do arcebispo de Minsk, Tadeusz Kondrusiewicz, com o ministro do Interior da Bielorrússia, dia 21 de Agosto de 2020. Foto: Direitos reservados.

 

O arcebispo Tadeusz Kondrusiewicz, de Minsk (capital da Bielorrússia) propôs ao Governo a formação de uma comissão mista para averiguar as condições de detenção das pessoas que têm sido presas na sequência das manifestações que contestam a eleição do Presidente Aleksandr Lukashenko, que governa o país há 26 anos. O canal de televisão estatal ONT disse que ambas as partes chegaram a um acordo sobre a formação dessa comissão.

A decisão foi tomada na reunião que juntou o arcebispo ao ministro do Interior, Yuri Karaev, no passado dia 21, e cuja realização foi confirmada esta terça-feira, 25, pela diocese de Minsk, de acordo com o AsiaNews.

O encontro tinha sido pedido há dias pelo arcebispo, que pretendia avaliar com o Governo o modo como os manifestantes opositores do regime estão a ser tratados durante as manifestações e, em muitos casos, quando são detidos.

Kondrusiewicz insistiu com o ministro na insustentabilidade da repressão violenta, exercida por agentes da autoridade ou milícias locais, denunciando ao mesmo tempo a presença de provocadores não menos violentos em várias manifestações.

De acordo com a mesma fonte, a página oficial da Igreja Católica bielorrussa informou que o arcebispo insistiu na protecção dos “mais fracos e indefesos” e que, nesta difícil situação, pretende “ser o porta-voz dos que estão privados da possibilidade de se exprimir”.

O bispo pediu também informações sobre o destino dos desaparecidos, cujas listas têm sido publicadas por vários jornais. O ministro respondeu que “já não há nenhum” e que só há 40 pessoas identificadas que continuam presas.

Kondrusiewicz pediu ainda que os padres pudessem visitar os presos, tendo o ministro prometido tratar do assunto. “Não estamos aqui para julgar, mas para chamar todos os que cometem crimes à conversão, e todos os outros ao perdão e misericórdia”, disse o arcebispo.

Já o Presidente Lukashenko mostrou menos vontade de aceder ao pedido. No sábado, um dia depois da reunião entre o seu ministro e Kondrusiewicz, afirmou: “Estou surpreendido com as posições das nossas confissões religiosas. Meus caros sacerdotes, moderem-se e metam-se na vossa vida. Nas igrejas só se deve ir para orar. As igrejas Ortodoxa e Católica não são feitas para a política.”

Padres católicos e ortodoxos têm participado em várias marchas pacíficas de protesto, e talvez por isso Lukashenko fez questão de avisar: “Não se tornem os cães de colo daqueles que fomentam a divisão, muitos de vós terão de se envergonhar das posições tomadas nestes dias, e o Estado não ficará parado a assistir com indiferença.”

 

Presidente armado, Svetlana diz que revolução pacífica está em marcha

Já no domingo ao final da tarde, diz ainda o Asia News, Lukashenko quis fazer uma demonstração de força: aterrou perto do Palácio da Independência de Minsk com um colete à prova de bala, armas na cintura e uma espingarda automática na mão. Ao mesmo tempo, uma nova manifestação pacífica, a “Marcha por uma nova Bielorrússia”, que reuniu entre 100 e 250 mil pessoas, estava a dirigir-se para o mesmo palácio.

Até agora, a mensagem das forças opositoras e dos manifestantes tem sido a de pedir a realização de “eleições honestas” o mais depressa possível; Sergej Tikhanovskij, o marido da oficialmente “derrotada” Svetlana Tikhanovskaya, que tinha sido detido por ter apresentado a sua candidatura a presidente, afirmou que está disposto a candidatar-se de novo se houver novas eleições com condições de transparência.

A partir do seu exílio na Lituânia, Svetlana Tikhanovskaya, disse que “a revolução pacífica” está a acontecer no país, na sequência da contestada reeleição de Alexander Lukashenko, rejeitando ao mesmo tempo qualquer interferência, seja da Rússia ou da União Europeia (UE).

“A Bielorrússia acordou. Não somos mais a oposição, somos a maioria. A revolução pacífica está a acontecer”, disse Svetlana, por videoconferência, numa reunião extraordinária da comissão de Assuntos Externos do Parlamento Europeu, dedicada à situação na Bielorrússia.

Em declarações citada pela Lusa e reproduzidas na RTP, a partir de Vilnius, onde está exilada, a candidata presidencial acrescentou que esta “não é uma revolução geopolítica”: “Não é contra nem a favor da Rússia, nem contra ou a favor da UE, é uma revolução democrática” que “é guiada pela força das pessoas que querem eleger os seus líderes e determinar o seu destino”, afirmou.

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