Governo “confirma” modo de celebrar o 13 de Maio em Fátima

| 8 Mai 20

santuario fatima vazio, Foto retirada do site do santuario O santuário de Fátima deserto: será assim de novo, a 12 e 13 de Maio. Foto © Santuário de Fátima

 

A celebração da peregrinação de 12 e 13 de Maio, em Fátima, “pode contar com a presença de celebrantes e demais elementos necessários à celebração, convidados do Santuário de Fátima” e funcionários, “os quais devem observar o distanciamento físico de dois metros entre si”.

Esta é a confirmação governamental daquilo que o bispo de Leiria-Fátima, o cardeal António Marto, já anunciara, estabelecida num despacho conjunto dos ministros da Administração Interna e da Saúde, Eduardo Cabrita e Marta Temido.

O texto legal foi publicado na noite desta quinta-feira no Diário da República com o número 5335-B/2020. E nele se estabelece “a forma da celebração das aparições” – um deslize para a linguagem católica, que já nem sequer é assumida por muitas pessoas dentro da Igreja, que preferem falar em “visões” ou, simplesmente, “acontecimentos”.

No início, o despacho começa por recordar: “O Estado reconhece e classifica, na Constituição da República Portuguesa, a liberdade religiosa como direito fundamental, no qual se compreende a liberdade e o direito de celebração dos rituais e cerimónias religiosas.”

No parágrafo seguinte, acrescenta-se que se entende “como relevante para a comunidade católica portuguesa a celebração das aparições de Fátima”. E conclui-se, antes de estabelecer a norma a cumprir: “atendendo a que, mediante o cumprimento dos termos fixados no presente despacho, a saúde pública é adequadamente garantida, considera-se justificada e proporcional a realização da referida celebração, a qual, nos termos já oportunamente comunicados pela diocese de Leiria-Fátima, não contará este ano com a presença física de peregrinos no recinto do santuário.”

A celebração da peregrinação foi objecto de polémica no fim-de-semana passado, depois de uma entrevista da ministra da Saúde à SIC, na qual ela admitia que poderia haver uma celebração semelhante à da CGTP no 1º de Maio, desde que se garantissem medidas de segurança e separação física entre as pessoas, no recinto, se os responsáveis assim o entendessem.

O Santuário reagiu dizendo que tinha sido apanhado desprevenido por aquela declaração. No domingo, o cardeal Marto confirmou que a peregrinação seria realizada nos moldes já antes anunciados – com o recinto fechado, sem a presença de peregrinos e reduzida apenas à presença simbólica de alguns membros do clero, convidados e funcionários, como o 7MARGENS noticiou. As cerimónias serão transmitidas via televisão.

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