São já três os bispos exilados

Governo da Nicarágua desterra para o Vaticano dois bispos e 15 padres

| 15 Jan 2024

Rolando José Álvarez, numa foto de 2019, da Conferência Episcopal da Nicarágua. Foto © Ramírez 22 nic, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

O bispo de Matagalpa, Rolando Álvarez, já tinha tido oportunidades de sair do país, em duas ocasiões, tendo recusado com o argumento de que a Nicarágua é a sua terra e onde está o povo a que pertence. Foto © Ramírez 22 nic, via Wikimedia Commons

 

Numa operação que se repete nos últimos três meses, o regime de Daniel Ortega, da Nicarágua, acaba de desterrar para o Vaticano cerca de dúzia e meia de clérigos católicos, incluindo dois bispos, um dos quais Rolando Álvarez, que se encontravam detidos como prisioneiros políticos. Segundo informações do Vatican News, a Roma chegaram na madrugada deste domingo, além do bispo Álvarez, mais 18 membros da Igreja Católica, incluindo o bispo de Siuna, recentemente detido, 15 padres e dois seminaristas.

Um comunicado oficial emitido em Manágua, citado pelo site noticioso Confidencial, refere que a operação resultou de “acordos com a Santa Sé” e agradece “profundamente” ao Papa e ao cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, em nome da Presidência, do Governo e do “Povo da Nicarágua”, “pelas diligências muito respeitosas e discretas realizadas para tornar possível a viagem para o Vaticano”.

O comunicado acrescenta ainda que os religiosos foram recebidos pelas autoridades do Vaticano “em cumprimento de acordos de boa fé e boa vontade, que buscam promover o entendimento e melhorar a comunicação entre a Santa Sé e a Nicarágua, para a paz e o bem”.

Recorde-se que os clérigos desta segunda leva de membros da Igreja desterrados para Roma foram quase todos presos entre o Natal e o Ano Novo, no último mês de dezembro. No caso do bispo de Siuna, Isidoro Mora, a detenção ocorreu a 20 desse mês, um dia depois de ter celebrado missa na catedral de Matagalpa, evocativa dos 99 anos da criação daquela diocese, durante a qual lembrou o seu bispo, condenado a 26 anos de prisão.

“Gostaria – disse ele – de vos expressar a saudação da Conferência Episcopal [da Nicarágua]. Estamos sempre unidos, rezando por esta querida Diocese de Matagalpa, rezando por Monsenhor Rolando, rezando pelo caminho de cada um de vós. Estamos unidos na oração, na comunhão, na fé, no amor, na ternura”.

Com Isidoro Mora, são já três os bispos desterrados, contando também com o auxiliar da arquidiocese de Manágua, Silvio Baez, que se encontra em Miami.

Em outubro de 2023, o regime ditatorial da Nicarágua recambiou para Roma outros 12 padres, que foram, tal como os agora chegados, alojados em instalações da diocese da qual o Papa é o bispo [ver 7MARGENS]

Até ao momento, o Vaticano não se pronunciou nem sobre o facto em si nem sobre o comunicado das autoridades nicaraguenses, ainda que o Papa Francisco tenha referido a situação naquele país por mais de uma vez, nas últimas duas semanas. Um ponto que também não foi comentado diz respeito ao facto de o bispo de Matagalpa ter tido já oportunidades de sair do país, em duas ocasiões, tendo recusado com o argumento de que a Nicarágua é a sua terra e onde está o povo a que pertence. Essa recusa levou Ortega a retirar-lhe a nacionalidade.

No Angelus de 1 de janeiro, Francisco disse acompanhar “com preocupação o que está a acontecer na Nicarágua, onde, assinalou, “bispos e sacerdotes foram privados da liberdade”, assegurando a sua “proximidade na oração” e pedindo preces aos fieis presentes. Uma semana depois, no discurso ao corpo diplomático, o Papa mencionou também a Nicarágua, afirmando que uma crise provoca, ali, “amargas consequências” para toda a sociedade e para a Igreja Católica. “A Santa Sé não cessa de convidar a um diálogo diplomático respeitoso pelo bem dos católicos e de toda a população”, acrescentou.

 

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