
A visita aos terrenos da JMJ, em Agosto, dinamizada pelo Presidente da República, que juntou Governo, autarquias e Igreja, para sanar as divergências que então se verificavam. Foto reproduzida da página no Twitter do gabinete da MAAP.
O Conselho de Ministros aprovou nesta quinta-feira, 13 de Outubro, um reforço da verba já anteriormente decidida para o grupo de projecto da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023. Agora, “a estimativa dos custos da responsabilidade do Governo” é de 36,5 milhões de euros, diz ao 7MARGENS fonte oficial do gabinete da ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares (MAAP). Mas “estas contas não incluem ainda custos com segurança, mobilidade, saúde”, entre outros factores. Até porque as inscrições para a participação na JMJ só abrem nas próximas semanas “e tudo dependerá do total de participantes”.
A verba agora decidida tem em conta também o reforço de competências do grupo de projecto e surge ainda na sequência das “novas responsabilidades que o Governo teve de assumir”, na sequência do passo atrás dado pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), em Julho. Nessa altura, o executivo municipal da capital recuou em relação a um memorando que a própria CML propusera em Abril, manifestando a indisponibilidade para assumir várias despesas com o argumento de que a Câmara não é a promotora da iniciativa.
De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, a resolução aprovada prevê ainda a possibilidade de o grupo de projecto “executar um conjunto de tarefas necessárias ao cumprimento das responsabilidades e compromissos assumidos pelo Governo no contexto da JMJ 2023, sem que fiquem prejudicados o conhecimento e a experiência adquiridos desde a sua constituição”. As diversas Jornadas Mundiais de Juventude “constituem um dos eventos mais participados a nível mundial, com inegáveis impactos positivos nos planos económico, social e promocional dos países anfitriões”, acrescenta o texto.
O reforço aprovado hoje pelo Conselho de Ministros foi de 20 milhões de euros (+ IVA), que se acrescentam aos oito milhões já pagos pela retirada dos contentores e a limpeza dos terrenos onde decorrerão os dois momentos finais da jornada, ambos presididos pelo Papa: a vigília de sábado à noite, 5 de Agosto, e a eucaristia final, no domingo, 6; e também aos 1,8 milhões (600 mil por ano) para salários e despesas de funcionamento do grupo de projecto entre 2021 e 2023.
Está entretanto a ser ultimado o memorando que descreve o que fica sob a responsabilidade de cada entidade. O gabinete da MAAP esclarece que “foram realizados previamente um conjunto de acordos bilaterais, consolidados num memorando de entendimento, que está atualmente em circulação”. Ou seja, o Governo falou em separado com as câmaras de Lisboa, Loures e Oeiras e com a Fundação JMJ que, em nome da Igreja Católica, lidera a preparação da Jornada. “As responsabilidades e compromissos assumidos são conhecidos pelos vários parceiros presentemente envolvidos”, diz o gabinete da ministra, que não esclarece para já se haverá assinatura pública ou não. Mas tudo leva a crer que não, depois de Carlos Moedas ter dito há dias, quando visitou a sede do Comité Organizador Local, no bairro do Beato (Lisboa), que todas as entidades estão de boa-fé.
Câmara diz que pode ir até 35 milhões

O Papa João Paulo II (1978-2005), um dos patronos da JMJ de Lisboa, foi o impulsionador desta iniciativa.
No início de Agosto, quando ficou sanada a divergência entre a CML e o Governo, depois de este se ter chegado à frente para assumir mais custos, o Presidente da República juntou no local onde decorrerá a JMJ representantes dos vários parceiros envolvidos: Governo, Igreja e autarquias. [ver 7MARGENS]
Nessa altura, o Governo decidiu assumir mais estruturas logísticas, entre aquelas que inicialmente a CML se comprometera a pagar: os custos das torres multimédia que transmitirão a vigília e a missa com o Papa, por exemplo, além do palco que servirá de altar, passaram a ser assumidos pelo Executivo.
Ainda assim, a Câmara de Lisboa prevê que os gastos que virá a assumir podem ir até aos 35 milhões de euros. No início desta semana, ao visitar a sede do Comité Organizador Local, Carlos Moedas afirmou que a CMO aprovou até agora 21 milhões de euros e que “está disponível para investir até um total 35 milhões de euros”.
A JMJ começou com João Paulo II, em 1986, em Roma, depois de um encontro do Papa Wojtyla em Roma, por ocasião do Ano Internacional da Juventude (1985). Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver (1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002), Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013), Cracóvia (2016) e Panamá (2019) foram as cidades que já acolheram a JMJ. Lisboa, cuja opção foi anunciada em primeira mão pelo Religionline, antecessor do 7MARGENS, foi escolhida para ser a sede da Jornada em 2022, mas a pandemia obrigou ao seu adiamento para Agosto do próximo ano.









