Governo e oposição da Nicarágua já têm acordo sobre conversações

| 6 Mar 19

Poucas horas depois de os bispos da Nicarágua terem dito que não seria mediadores nas negociações políticas, por nenhuma das partes ter manifestado essa vontade, tudo mudou: o Presidente Daniel Ortega e a oposição da Aliança Cívica pela Justiça e Democracia estabeleceram as regras para as conversações políticas e, afinal, já querem os bispos católicos e o núncio (embaixador) do Vaticano a exercer o papel de mediadores e testemunhas do diálogo.

Depois de uma semana de conversas prévias para estabelecer a ordem de trabalhos e os pontos em discussão, as duas partes chegaram a um acordo sobre 16 pontos, que inclui a participação do cardeal Leopoldo Brenes, presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN), do pastor Ulises Rivera, coordenador dos pastores evangélicos do país, e do núncio apostólico (embaixador) do Vaticano, Waldemar Stanislaw Sommertag. A participação de observadores internacionais, outro dos motivos de bloqueio, ficou remetida para depois de conseguido um acordo.

As negociações deverão estar terminadas a 28 de Março, idealmente para tentar pôr fim à crise sócio-política que atinge o país desde há quase um ano e que já provocou entre 325 e 560 mortos, de 340 a 777 detidos, centenas de desaparecidos, além de milhares de feridos e de pessoas que procuraram o exílio.

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