Governo e padre de Taiwan com dúvidas sobre acordo entre Vaticano e China

| 3 Nov 19

Vista da Cidade Proibida, em Pequim: Taiwan diz que a liberdade dos cristãos não ganhou com o acordo entre o Vaticano e Pequim. Foto © Maria Ameida, cedida pela autora

 

Um ano depois de o Vaticano e a China terem assinado um acordo, cujo texto permanece desconhecido, em relação à ordenação de bispos católicos, um responsável do Governo de Taiwan expressa dúvidas sobre a eficácia que tratado possa ter na melhoria a vida dos católicos no país. Ming Chi Chen, vice-ministro para os Assuntos Continentais (relacionados com a China), espera que a Santa Sé não deixe de dialogar com Taiwan em favor de Pequim e afirma, em entrevista ao Crux: “Mesmo que o Vaticano abandone Taiwan e estabeleça uma relação com a China, (nós não vemos como) a situação dos católicos possa melhorar no país.”

“Vemos os católicos chineses à espera que a Igreja dê o sinal de que já não se preocupam com eles” afirma ainda o responsável de Taiwan, acrescentando que muitos cristãos na China continental “pagaram o preço por insistirem na sua liberdade de crença, na liberdade de fé”.

Esta tomada de posição não será alheia ao facto de Taiwan ter perdido dois aliados diplomáticos nas últimas semanas – as Ilhas Salomão e Kiribati – estando cada vez mais isolado na comunidade internacional. Actualmente, recorda a mesma fonte, o território insular só tem relações diplomáticas formais com 15 nações.

O padre Otfried Chan, secretário-geral da Conferência Regional de Bispos Chineses, que inclui os bispos de Taiwan, também tem dúvidas sobre o mesmo acordo, assinado em Setembro de 2018. Para ele, está em causa saber se o tratado existirá realmente ou se não foi apenas uma troca de palavras, sem nada escrito no papel. O acordo “não existe, a não ser na mente das pessoas e não no papel”.

Em Setembro de 2018, o Vaticano anunciou um “acordo provisório” com a China acerca da nomeação de bispos, mas os termos concretos do tratado não foram tornados públicos. Sabe-se apenas que ele permite ao Papa e ao Vaticano interferir na escolha dos bispos chineses, da até agora chamada Associação Católica patriótica, que estava sob o controlo do Governo de Pequim.

“Pode existir verdade nesses rumores” de que o acordo não existe, acrescenta Chan, “porque, se Pequim assinou alguma coisa num documento escrito, não estaria neste momento a perseguir cristãos.”

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