
Foram retirados dos manuais referências a feitos de outras religiões. Foto © Nikhita S | Unsplash
O governo do primeiro-ministro Narendra Modi deu novo passo na sua campanha de hostilização às comunidades não hindus retirando do programa escolar (de anos que correspondem ao básico e secundário português) vários episódios da história da Índia especialmente importantes para a comunidade muçulmana.
O Ministério de Educação emitiu uma nota no mês de junho em que impõe a eliminação nos livros de textos das referências a factos tão díspares como a expansão do Império Mogol na Índia (séc. XVI até ao Séc. XIX), os distúrbios de Gujarat em 2002 (em que foram mortas mais de mil pessoas, a maioria muçulmana) e a emergência nacional imposta em 1975 que permitiu uma onda de forte repressão contra a minoria Sikh, noticiou no dia 17 de junho The Muslim Times.
Esta nova revisão da história e da política indiana que pode ser ensinada nas escolas tem lugar dois meses depois da decisão ministerial de remover capítulos sobre a ascensão dos impérios islâmicos em territórios afro-asiáticos, sobre as crónicas dos tribunais mogóis e também sobre a origem e desenvolvimento do movimento dos Não-Alinhados, da Guerra Fria e da revolução industrial.
Já quando governava o Estado de Gujarat (Oeste da Índia), entre 2001 e 2002, Narendra Modi ficou conhecido pelo seu nacionalismo hindu radical e pelos constantes ataques verbais às minorias muçulmanos e cristãs, assim como por tolerar agressões violentas perpetradas contra estes grupos religiosos. Os ataques, assassínios, tumultos e a intimidação a muçulmanos e cristãos têm vindo a crescer desde 2014, ano em que Modi foi pela primeira vez empossado como primeiro-ministro, sem que o Governo tome medidas para reduzir a conflitualidade religiosa [ver 7MARGENS]. Pelo contrário, como noticia o Dhaka Tribune, citando uma fonte americana: “as autoridades indianas ignoram ou até apoiam os ataques crescentes a pessoas e locais de culto [cristãos e muçulmanos] no país.”









