Contributos para o Sínodo (8)

Graal: Uma Igreja que não desista e uma encíclica sobre as mulheres

| 14 Jun 2022

“Uma Igreja que não desista da dimensão utópica da sua missão” e da “construção de um mundo melhor e justo para todos os seres que habitam a Terra” e uma nova encíclica sobre as mulheres na Igreja, com uma abordagem que exceda a ideia de “complementaridade” – estas são duas das propostas do Graal, movimento de mulheres cristãs, em resposta à maior auscultação alguma vez feita à escala planetária, lançada pelo Papa Francisco, para preparar a assembleia do Sínodo dos Bispos de 2023. Esse coro imenso de vozes não pode ser silenciado, reduzido, esquecido, maltratado. O Espírito sopra onde quer e os contributos dos grupos que se formaram para ouvir o que o Espírito lhes quis dizer são o fruto maduro da sinodalidade. O 7MARGENS publica alguns desses contributos, estando aberto a considerar a publicação de outros que queiram enviar-nos.

Bernadette Mayr, Verão Indiano (Indian Summer)

Bernadette Mayr, Verão Indiano (Indian Summer), manta. © CC BY-SA 3.0 DE https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/de/deed.en, via Wikimedia Commons.

O caminho é o chão da sinodalidade e
aqui se tece o nosso ser enquanto Igreja.
Maria Carlos Ramos

O Graal é um movimento internacional de raiz cristã partilhado por muitas mulheres de culturas, profissões, gerações e opções de vida diversas. Em Portugal, o Movimento estabeleceu-se em 1957, por intermédio de Maria de Lourdes Pintasilgo e Teresa Santa Clara Gomes. Atualmente, o Graal conta com a participação de aproximadamente setenta mulheres que se organizam em grupos de pertença em Coimbra, Golegã, Lisboa, Parede e Porto, embora tendo participantes noutros locais do país (Portalegre, Torres Vedras, Guimarães, entre outros). Durante a fase diocesana do Sínodo, o Graal, através dos seus grupos de pertença, reuniu-se durante três meses para reflectir sobre as propostas e temas apresentados pelo Sínodo, com base num conjunto de guiões elaborados por algumas de nós para o efeito. Dos vários encontros, com a seguinte estrutura, redigiu-se a síntese a seguir apresentada:

 

  1. Método
  2. Reflexões
  3. Horizontes: Re-imaginar a Igreja
  4. Passos concretos

 

Método

 O nosso caminho sinodal teve início com essa elaboração de onze guiões, um por cada tema, tendo sido adicionado um outro, para temas ou questões não abordadas e em aberto. Os temas e questões que constam dos guiões são os que vinham propostos no Documento Preparatório. Era esta a estrutura de cada guião:

  1. Imagem
  2. Oração (Adsumus Dominus Sancte Spiritus, oração de Santo Isidoro de Sevilha)
  3. Texto bíblico
  4. Textos e recursos de apoio
  5. Questões a aprofundar
  6. Oração final

 

Reflexões

1 – Companheiros e companheiras de caminho

  • A “nossa Igreja” (tal como está redigido na pergunta) não se pode limitar a um corpo institucional nem a uma estrutura piramidal. Na realidade, e numa visão abrangente, a Igreja é o Povo de Deus (cfr. Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Igreja, Lumen gentium); e, numa visão mais restrita, diz respeito às pessoas que caminham connosco e com as quais sentimos a cumplicidade de uma busca comum.
  • Atendendo à realidade das chamadas igrejas locais, sentimos que não existe propriamente um “caminhar juntos”, mas um caminho feito por grupos organizados – grupos da catequese, grupos de casais, grupos de acólitos, grupos de leitores, vicentinas, viúvas, coro, etc. – cada um caminhando por si.
  • A sintonia com a Igreja nem sempre acontece a partir das paróquias, nas quais as pessoas já não se reveem, não estando por isso inseridas nelas. Existe um crescente desânimo e desidentificação com os grupos paroquiais, que não constituem uma comunidade. O sentir-se em Igreja, quando acontece, dá-se, sobretudo, ao nível de pequenos ou mais alargados grupos domésticos (as chamadas igrejas domésticas), em grupos de voluntariado ou de reflexão, na família, em movimentos (como é o caso do Graal) ou até nalguns contextos de trabalho.
  • No nosso caminhar, deixamos, muitas vezes, à margem aqueles cujas histórias de vida não são reconhecidas nem acolhidas, e que algumas vezes podem mesmo ser estigmatizadas pelo clero ou até por outros cristãos, que têm mais como referência um corpo doutrinal que consideram não obedecido.

 

2 – Escutar

  • Atualmente, uma escuta atenta é dificultada pela rapidez do quotidiano, por hábitos instalados, pelo excesso de regras, pela rigidez dos juízos e preconceitos, por falta de paciência e de humildade. Por vezes, nem sequer há espaço nas vidas da maioria dos cristãos para ouvir a brisa ligeirado Espírito.
  • A escuta nem sempre é encarada por nós, cristãos e cristãs, como um compromisso, em parte pelo facto de a formação recebida nos ter dirigido predominantemente para sabermos formular, dizer, intervir, agir.
  • Por vezes, enquanto Igreja, somos levados, homens e mulheres, a entendermo-nos como “centro” e, nessa medida, o espaço para questionar, interrogar, refletir criticamente, é muito menor. E isso torna difícil uma atitude de verdadeira escuta: antes de mais, escuta do Espírito, e também daqueles que achamos não estarem em sintonia connosco, ou dos que continuam à margem do que a Igreja (e alguma sociedade), entende e confirma como a “norma” ou “modelo.”
  • Por parte da hierarquia, destaca-se uma atitude fortemente paternalista e assistencialista bem como uma dificuldade em escutar determinados grupos: crianças, jovens, mulheres, casais que vivem um segundo matrimónio, divorciados, pessoas que formam uma nova plataforma cívica designada pelas iniciais LGBTQI+.

 

3 – Falar

  • Muitas vezes, a palavra dita perde-se ou fica presa nos nossos círculos fechados, pondo em causa o potencial transformador que poderia lançar, em grupos eclesiais e na própria sociedade.
  • A partilha em comunidade das nossas histórias, ansiedades ou entendimentos, quando experimentada, sustenta a nossa busca e ajuda a transformar o nosso descontentamento, contribuindo para um caminho conjunto, fazendo de nós comunidade. É também pão repartido.
  • Muitas pessoas vão à Eucaristia na expectativa de ouvir uma palavra inspiradora, que anime, console ou desperte. No entanto, com frequência, isso não acontece, sobretudo, quando as homilias e sermões não são preparados e rezados, e se afastam do espírito do Evangelho (para, em vez disso, seguirem vias mais ou menos moralistas ou politizadas).
  • Seria importante rever o modo como é escolhido quem fale em nome da Igreja. Atendendo à grande diversidade de grupos, sensibilidades e práticas dentro da Igreja, observamos que quem, em nome da Igreja, se dirige à sociedade, falando publicamente na TV ou noutro meio de comunicação, é, sobretudo, a hierarquia: bispos e sacerdotes. É obrigatório ser alguém mandatado pela hierarquia para falar publicamente, pelo que raramente ouvimos leigos, e quase nunca leigas ou religiosas são mandatadas para tal. Se é verdade que tem havido progressos no sentido de uma maior abertura à participação de leigos, trata-se de algo ainda demasiado tímido. E isto num tempo em que muitos homens e mulheres cristãs têm já elevada formação teológica.
  • No entanto, é também verdade que os próprios leigos não tomam a iniciativa. Seja por falta de tempo, falta de interesse ou de disponibilidade, seja por receio de exposição pública, domina em geral uma grande passividade, a não ser em pequenas, ou grandes, tarefas intra-eclesiais. Tudo isto se reflete numa ‘religião para consumo’, cada vez mais alienada em relação à prática evangélica na sociedade e no mundo.

 

4 – Liturgia/Celebração

missa na se de lisboa foto c patriarcado de lisboa

Missa na Sé de Lisboa: “Na maioria das celebrações falta uma articulação com o quotidiano.” Foto © Patriarcado de Lisboa.

 

  • Nas celebrações litúrgicas, eucarísticas, batismais, matrimoniais, entre outras, na maioria dos casos, falta uma verdadeira articulação com o “cerne do quotidiano”. E os crentes acabam por limitar-se a consumir o que lhes é oferecido. Há uma falta de participação dos leigos que cada vez estão menos presentes na Igreja. A falta de articulação entre a prática cristã e a vida privada e a do mundo tem levado a um afastamento crescente.
  • Também a falta de contextos orantes, verdadeiramente espirituais, que alimentem a vida é razão para o abandono da prática cristã e a procura de outros contextos que favoreçam o crescimento espiritual. É por isso que, à falta de vivência e procura espiritual, muitos cristãos, homens e mulheres, e até pessoas sem qualquer formação religiosa, encontram noutras fontes não-cristãs, inspiração para a dimensão espiritual das suas vidas.
  • A busca de formas de meditação orante vindas do Oriente, e que dão atenção ao corpo e criam espaços de silêncio, tem tido uma procura surpreendente no Ocidente, o que significa que a sede espiritual (que não deixou de existir) não encontra no cristianismo, na situação actual da Igreja, respostas inspiradoras.
  • Ao mesmo tempo, a frequente tendência do clero para explicar tudo durante as próprias celebrações litúrgicas, retira a oportunidade de se viver interiormente o que se está a celebrar. Fica-se com a sensação de que não há espaço para a novidade do Espírito. A liturgia é um tempo para experienciar a ligação entre cada pessoa e Deus, entre a comunidade e Deus, no acolhimento do Espírito. A explicação deveria acontecer num outro momento.

 

5 – Partilha, responsabilidade e missão comum

  • A igualdade fundamental entre todos os batizados é a base da sinodalidade. Daí que a missão pertença a todos: mulheres e homens, cada um com os seus dons que contribuem para o todo de que somos parte.
  • A missão é dificultada pela falta de confiança na capacidade dos leigos, pela sua falta de participação e responsabilização, pela excessiva formalização e institucionalização por parte da hierarquia.
  • As linguagens dicotómicas (batizados/não batizados, crentes/não crentes, etc.) também dificultam a missão. Para ir além das dicotomias e dos formalismos, precisamos de tornar-nos verdadeiramente “comunidades de coração”.
  • No que diz respeito às áreas de missão negligenciadas, é chocante como o vídeo do Hino das Jornadas Mundiais da Juventude, por exemplo, ignora completamente as realidades sociais e culturais das “periferias” da cidade e do país. As Jornadas apresentam-se assim como uma iniciativa, sobretudo, de, e para, jovens das classes médias e médias altas.

 

6 – Diálogo na Igreja e na sociedade

  • Na maior parte das nossas igrejas locais, não há espaços de diálogo, e os grupos que existem tendem a fechar-se em si próprios, dificultando um diálogo.
  • O diálogo com a sociedade é muito pouco praticado: por um lado, a Igreja não está em geral aberta à complexidade humana. Em muitas comunidades, há um número decrescente de fiéis, em parte devido a uma tendência conservadora, fechada e pouco acolhedora de novas situações sociais, como é o caso, por exemplo, de divorciados e de pessoas com diferentes orientações sexuais. Por outro lado, a sociedade não reconhece o valor e a importância da voz que a Igreja pode ter no espaço público, espaço que é preciso (re)aprender a habitar.
  • Falta imaginação e ousadia para criar pontes, para convidar e aceitar ser convidado. Isto reflete-se, por exemplo, na falta de diálogo entre crentes e não-crentes. A sociedade interroga a Igreja, confronta-a, mas a Igreja, conservadora em relação a antigas práticas, quase não tem reagido, apesar de haver magníficas excepções.

 

7 – Ecumenismo

  • Existe pouca (ou nenhuma) experiência ecuménica na vida das igrejas locais. Em geral, o conhecimento acerca das outras tradições é escasso e muito pouco estimulado. A Igreja, isto é, a hierarquia, neste caso, quase não toma iniciativas nesse sentido.

 

8 – Autoridade e participação

  • A autoridade eclesiástica exerce-se sobre sujeitos que são livres, inclusive, de desobedecer.
  • O sacramento da ordem não é garantia de competência pastoral.
  • A Igreja institucional não partilha a autoridade de que dispõe. Deveria poder experimentar-se como comunidade, o que não significa tornar-se uma democracia! A noção de democracia nada tem a ver com a vida do Espírito dentro da comunidade do Povo de Deus.
  • Existem muitas deficiências na liderança a nível local. Por exemplo, nem todas as paróquias têm um Conselho Pastoral. E quando este existe, acontece que os membros se veem envolvidos em questiúnculas que travam os frutos do seu trabalho. Também a existência de demasiados grupos e movimentos muito centrados em si próprios dificulta a formação de comunidade.
  • Ora também é verdade que os leigos tendem a não assumir a sua capacidade de decisão e de responsabilidade em alguns setores eclesiais, nem tão pouco a coragem de enfrentar o exercício da autoridade do clero, mesmo quando lhes parece que esse exercício está errado.

 

9 – Discernimento e decisão

  • O contexto comunitário é fundamental para o discernimento e a tomada de decisão em Igreja. Este caminho sinodal procura dar corpo a esta dimensão comunitária.
  • Os leigos, nomeadamente, jovens e mulheres, quase nada participam nos processos de decisão.
  • Nestes processos de decisão, é importante considerar em especial aqueles que são silenciados, seja na sociedade seja na própria Igreja. Simultaneamente, importa escutar aqueles que, quer pela sua formação quer pela sua experiência, têm uma visão mais aprofundada em relação a determinadas questões.
  • A tradição é muitas vezes invocada como argumento de não-mudança. Mas então qual é o lugar dado ao Espírito Santo e ao Evangelho nestas decisões? Será que existe consciência da Sua presença?
  • Sabe-se que muitos padres se sentem sozinhos. Sobretudo em localidades pequenas, não encontram com quem dialogar sobre situações de maior profundidade ou sobre decisões com maior responsabilidade. Falta agir no sentido de colmatar esse problema.

 

11 – As mulheres na Igreja

mulheres vaticano francesca di giovanni, Foto Vatican News

A advogada leiga italiana Francesca Di Giovanni foi escolhida pelo Papa Francisco para o cargo de subsecretária para as Relações com os Estados. “Basta de considerar as mulheres apenas auxiliares dos homens.” Foto © Vatican News.

 

  • É urgente transformar a situação das mulheres na Igreja ultrapassando a longa exclusão e subalternização a que têm estado sujeitas – quando a sociedade (pelo menos a ocidental) evoluiu significativamente (embora falte muito caminho a fazer!) em relação ao papel das mulheres. A face da Igreja não testemunha a de Jesus Cristo, ao excluir (ao contrário de Jesus) homens e mulheres igualmente batizados de vários ministérios eclesiais.
  • Lumen Gentiumdesafia a uma permanente presença ao mundo, mas a Igreja está de algum modo fora do mundo.
  • Sabemos que o Papa Francisco tem procurado confiar responsabilidades de liderança dentro e fora da Cúria a mulheres, e congratulamo-nos por isso. Trata-se de um primeiro passo, mas não é o bastante. É urgente aprofundar a raiz teológica e antropológica da forma como a Igreja vê as mulheres. Basta de considerar as mulheres apenas auxiliares dos homens, mães de seus filhos, esposas castas e senhoras “de sua casa” (cf. a Carta Apostólica de João Paulo II Mulieris Dignitatem que “encerrou” a questão da abertura do ministério ordenado de mulheres). A própria Exortação Apostólica do Papa Francisco, Amoris Laetitia,não dá passos significativos em direção a uma outra visão antropológica e teológica da relação homem/mulher.
  • Apesar de se afirmar universal, a Igreja perpetua a concepção do humano a partir do masculino. Ora Deus “os criou homem e mulher”, e não a mulher como complemento do homem.

 

Horizontes: Re-imaginar a Igreja

Sonhamos caminhar em Igreja.

Sonhamos com uma Igreja aberta, atenta, corajosa e fraterna. Uma Igreja com muitas faces, onde todas as pessoas, por mais diversas que sejam, têm lugar diante de Deus. Uma Igreja onde os que buscam a justiça, a paz e a liberdade sejam nossos companheiros e companheiras de caminho.

Sonhamos uma Igreja despojada de si mesma, capaz de envolver e acolher todos, em particular os mais excluídos.

Sonhamos uma Igreja atenta às subtilezas de cada voz. Uma Igreja que escuta sem condenar, que ouve os outros com misericórdia.

Sonhamos com uma Igreja que se abre ao silêncio. Uma Igreja aberta à mudança, que se questiona e dá espaço à capacidade renovadora de cada pergunta.

Sonhamos com uma Igreja que nos convoque por inteiro.

Sonhamos com uma Igreja que se ocupa do belo, do bom e do justo.

Sonhamos com uma Igreja onde a palavra proclamada seja fruto da inspiração do Espírito, ressoando em cada uma de nós. Uma Igreja que não nos ensurdeça com palavras esvaziadas de sentido. Sonhamos com uma Igreja que acolha e promova a nossa diversidade: no estar, no falar, no celebrar.

Sonhamos com uma Igreja que não desista da dimensão utópica da sua missão. Uma Igreja que não desista da construção de um mundo melhor e justo para todos os seres que habitam a Terra.

Sonhamos com uma Igreja inconformada com as injustiças e presente a todas as realidades do humano e do planeta.

Sonhamos com uma Igreja que encara a sua missão como a expressão da transbordância do Mistério divino que habita a realidade do mundo.

Sonhamos com uma Igreja que, ao jeito de Jesus Cristo, nos estimula a uma fé intramundana. Uma Igreja que dê testemunho de uma vida frugal, atenta à realidade do outro.

Sonhamos com uma Igreja que acredita verdadeiramente no diálogo, e que o promove enquanto exercício permanente de descoberta e reconhecimento, capaz de gerar um verdadeiro movimento de humanização do mundo.

Sonhamos com uma Igreja que afirme a igualdade humana entre mulheres e homens e trabalhe para que tal igualdade seja construída na paridade.

Sonhamos com uma Igreja que cumpra a promessa do Concílio Vaticano II e que siga Jesus Cristo.

 

Passos concretos

Desenvolver uma atitude de constante discernimento

  • Manter um questionamento permanente em relação ao modo como somos dom: Onde, quando e como somos dom? Entendemos a missão como serviço? Acolhemos a aventura do Espírito?
  • Perguntar permanentemente: Quem caminha a meu lado, que eu não vejo?
  • Valorizar o diálogo intergeracional.
  • Promover a formação teológica e aprofundamento da fé. Dar centralidade à leitura e estudo da Bíblia, como fonte de inspiração de uma vida no Espírito.
  • Repensar, igualmente, a forma de assegurar a formação contínua de adultos na Igreja.
  • Rever não só os conteúdos e estrutura da catequese das crianças e jovens mas também o próprio modelo de catequese que temos hoje.

 

Reinventar a participação

A Assembleia Diocesana Pré Sinodal do Sínodo dos Bispos (2021-2023) decorreu no dia 14 de maio de 2022, no Centro Diocesano de Espiritualidade, no Turcifal foto patriarcado de lisboa

Assembleia Diocesana Pré Sinodal do Sínodo dos Bispos. É preciso “capacitar os leigos, permitindo maior partilha da responsabilidade eclesial.” Foto © Patriarcado de Lisboa.

 

  • Capacitar os leigos, permitindo maior partilha da responsabilidade eclesial.
  • Promover encontros em pequenos grupos (de meia hora, por exemplo) antes das celebrações, para uma conversa orientada no quadro da liturgia do dia e convocando experiências pessoais.
  • Promover, com urgência, mais momentos de um silêncio orante.
  • Cuidar da liturgia de forma a que esta seja um lugar espiritual, onde o belo se manifeste e eleve quem dele partilha.
  • Repensar a disposição do espaço de forma a proporcionar uma presença em comunhão.
  • Atualizar a linguagem simbólica da liturgia, conciliando tradição e inovação, de modo a tornar a liturgia mais participada.
  • Cuidar de forma especial as celebrações litúrgicas centrais na vida da Igreja, assim como funerais, batizados e casamentos, atendendo ao facto de que muitas destas celebrações contam com a presença de pessoas não ligadas à Igreja ou à fé cristã.
  • Possibilitar celebrações em círculos mais restritos, que permitam formas de participação mais expressivas (por exemplo, a tomada da palavra para além do celebrante), experiências mais profundas e a valorização de caminhos vários, sem preconceitos.
  • Promover uma maior partilha (recursos, atividades, experiências, etc.) e trabalho em rede entre diferentes grupos e movimentos no seio da Igreja.

 

Promover uma Igreja aberta ao Mundo

  • Procurar e cultivar o diálogo com a sociedade; desenvolver uma voz pública e uma visão clara em face das injustiças, revitalizando a forma de se “estar no mundo sem ser do mundo”. A exemplo do Papa Francisco, ter uma presença profética, de diálogo com todos e em diferentes domínios (político, cultural, artístico…), com coragem para denunciar e ousadia para anunciar.
  • Suscitar a escrita de uma nova Encíclica – após a Fratelli Tutti– que reconheça a história das mulheres na Igreja, promova o seu papel e permita uma abordagem nova da relação homem e mulher, que exceda a ideia de “complementaridade” entre ambos.
  • Avaliar e rever os critérios que orientam a “moral sexual” da Igreja, nomeadamente no que diz respeito à sexualidade, à procriação e aos diferentes modelos de família, de forma a valorizar, acima de tudo, o amor humano, a autenticidade e a felicidade das pessoas.
  • Promover mais encontros, celebrações com diferentes comunidades e países que ajudem a desenvolver o sentido e sentimento de pertença a uma Igreja universal.
  • Promover o conhecimento recíproco das outras igrejas, de forma a estimular a realização de ações conjuntas a nível ecuménico.
  • Treinar o olhar para reconhecer os testemunhos de quem se diz crente e de quem se diz não-crente, porque isso dá sinal de que o Espírito sopra onde quer.

 

(Este texto está também disponível na página do Graal.)

 

Mais do que A Voz da Fátima

Pré-publicação

Mais do que A Voz da Fátima novidade

Que fosse pedido a um incréu um texto de prefácio para um livro sobre A Voz da Fátima, criou-me alguma perplexidade e, ao mesmo tempo, uma vontade imediata de aceitar. Ainda bem, porque o livro tem imenso mérito do ponto de vista histórico, com o conjunto de estudos que contém sobre o jornal centenário, mas também sobre o impacto na sociedade portuguesa e na Igreja, das aparições e da constituição de Fátima e do seu Santuário como o centro religioso mais importante de Portugal. Dizer isto basta para se perceber que não é possível entender, no sentido weberiano, Portugal sem Fátima e, consequentemente, sem o seu jornal.

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