
“Muitas empresas de combustíveis fósseis continuam a expandir as suas operações, mantendo a sua habitual atividade”, alerta a Amnistia Internacional. É o caso da Shell. Foto © Christian Lue/Unsplash
“Em vez de tomarem as medidas urgentes necessárias para evitar que a crise climática se agrave e viole os direitos humanos de milhares de milhões de pessoas, muitas grandes empresas procuram enganar os consumidores, os acionistas e os contribuintes com greenwashing e promessas vazias”. A afirmação é de Candy Ofime, investigadora da Amnistia Internacional (AI) para a Justiça Climática, em reação a uma investigação divulgada esta semana sobre 51 grandes empresas, que evidenciou como estas estão a fazer muito pouco para reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa.
“As conclusões da investigação mostram que aqueles que já se encontram em maior risco continuarão a pagar o preço de uma cultura de irresponsabilidade climática das empresas, fomentada em conselhos de administração executivos a muitos milhares de quilómetros de distância”, sublinha a perita da .AI, citada num comunicado enviado ao 7MARGENS.
Candy Ofime denuncia, por isso, os “planos vagos [das empresas investigadas] para reduzir parcialmente as emissões, uma dependência de tecnologias não comprovadas ou esquemas duvidosos de contabilização ou compensação de carbono. Entretanto, muitas empresas de combustíveis fósseis continuam a expandir as suas operações, mantendo a sua habitual atividade”, acrescenta.
É o caso da Shell, que de acordo com o estudo fez decrescer recentemente os seus objetivos de redução das emissões de gases com efeito de estufa e, de momento, está a recorrer de uma decisão judicial holandesa de 2021 que a obriga a reduzir em 45% as suas emissões absolutas de carbono, incluindo as dos produtos petrolíferos e de gás que vende, até 2030.
“Os governos têm agora de intervir para adotar regulamentos e políticas que obriguem as grandes empresas a acelerar as reduções de emissões e a agir com firmeza contra as que não estão a fazer nada para mitigar o aquecimento global”, conclui Candy Ofime.










