Comunicado lacónico da diocese de Liubliana

“Graves problemas” levaram à dissolução da Comunidade Loyola

| 15 Dez 2023

Marko Rupnik, Visão do Inferno, Mosaico, Fátima

Visão do Inferno no painel da Basílica da S.sa Trindade, Fátima, da autoria de Marko Rupnik, co-fundador da Comunidade Loyola, agora extinta. Foto © António Marujo/7Margens

 

“Graves problemas relativos ao exercício da autoridade e à forma de convivência”: foi desta forma que o Dicastério para a Vida Consagrada do Vaticano justificou a decisão de “dissolver” a Comunidade Loyola, num comunicado difundido esta sexta-feira, dia 15 de dezembro, que confirma a notícia dada em primeira mão pelo 7MARGENS, no dia anterior. O Vaticano clarificou, assim, uma situação insustentável, mas, ao mesmo tempo, deixou por esclarecer várias perguntas.

A decisão do Dicastério, sob a forma de um decreto, foi tomada já em 15 de outubro, segundo o comunicado divulgado pela arquidiocese de Liubliana, Eslovénia, onde a Comunidade foi instituída em 1994, mas só esta semana dada a conhecer, presencialmente e através de videoconferência, às religiosas.

O comunicado relata o processo que conduziu à medida extrema adotada. Para a arquidiocese, tudo começou em 2019, quando, a propósito dos 25 anos da instituição das constituições da Comunidade Loyola, o arcebispo da capital eslovena entendeu “visitar” este instituto, o que viria a concretizar-se em fevereiro do ano seguinte.

As conclusões da visita não terão sido tranquilizadoras, dado que o Dicastério pertinente decidiu nomear um comissário que, “após várias conversas com todas as irmãs”, apresentou um relatório final, em setembro de 2022 (a data não coincide com a que o próprio comissário tem referido – julho de 2022).

O decreto da dissolução da Comunidade terá, agora, de ser efetivado no prazo de um ano, por determinação do Dicastério para a Vida Consagrada.

O comunicado é pormenorizado nos passos dados, mas lacónico quanto a gestos de compreensão e sensibilidade para com as vítimas de vários tipos que, ao longo de mais de três décadas, estiveram submetidas aos abusos do co-fundador, padre Marko Rupnik e da co-fundadora e superiora geral, Ivanka Hosta.

Tanto quanto se soube, a reunião desta quinta-feira em Liubliana não esclareceu o que vai acontecer com os bens móveis e imóveis da Comunidade, se irão ser utilizados para ajudar os membros da Comunidade a reorganizar a sua vida e se incluirão igualmente as irmãs que, devido às situações vividas no seu seio, se viram forçadas a abandonar.

Em comentário solicitado pelo 7MARGENS, a professora e psicóloga Fabrizia Raguso, ex-religiosa da Comunidade, atualmente a residir em Braga e a lecionar na Universidade Católica, considera que o decreto de dissolução só peca por algo tardio, já que “estes últimos três anos foram muito desgastantes, seja para as irmãs que se confrontaram com a realidade da Comunidade, seja para aquelas que já há vários anos a tinham deixado, sem nenhum apoio, nem psicológico, nem espiritual e tampouco material”.

A decisão, acrescenta a académica, “é um ato de verdade, necessário também para impedir que os abusos pudessem continuar ainda, envolvendo outras jovens cada vez mais frágeis e desprevenidas”.

“Agora, diz, esperamos que se faça também justiça. Ninguém poderá devolver-nos a vida destroçada, mas esperemos que todas as irmãs, também as que há muito deixaram a comunidade, possam ser justamente indemnizadas. Isto será necessário para recuperar uma vida com um mínimo de dignidade, uma vez que muitas não tiveram proteção de qualquer sistema de previdência, e não têm trabalho para se sustentar”.

Fabrizia Raguso espera, finalmente, que “este desfecho não entrave o percurso do processo que foi reaberto relativamente a Marko Rupnik”, por iniciativa do Papa Francisco, em decisão anunciada no final de outubro último.

 

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