Greve climática estudantil: Responsabilidade pelo futuro
Com a temática quase ausente da recente luta eleitoral para o Parlamento Europeu (PE), decidiram os jovens estudantes fazer uma greve climática para nos ensinar que a guerra contra as alterações climáticas, terá de ser vencida em todos os níveis, do local ao global, se quisermos continuar a viver no nosso planeta azul.
Depois de 20 mil jovens se terem manifestado no nosso país, no passado dia 15 de março, numa greve a favor da justiça climática, ligados aos seus colegas de todo o mundo, de novo, no final de maio, as faixas da mesma luta estudantil invadiram as avenidas, reafirmando que a juventude não se calará, enquanto os poderes políticos e os cidadãos em geral não colocarem, entre as suas prioridades, a salvação do nosso mundo.
Ligados a uma rede de milhões de jovens de todo o mundo, o seu grito de alerta deve ter chegado a todos os cidadãos, abrindo-lhes os ouvidos e as mentes para uma causa que pode ser de vida ou de morte. Este movimento estudantil, recorde-se, foi fruto do apelo de Greta Thunberg,
uma jovem nascida na Suécia que, com apenas 16 anos, durante a última Cimeira do Clima das Nações Unidas lançou um oportuno e veemente desafio aos líderes mundiais, para que em conjunto, promovessem políticas ecológicas positivas, a favor da salvação do nosso planeta.
O profeta e sábio Papa Francisco, no último Encontro Mundial da Juventude, na linha da sua encíclica Laudato Si’, “sobre o cuidado da casa comum” (publicada em 2015), advertiu os jovens para que tomassem já nas suas mãos a luta pelo seu futuro, nomeadamente para virem a habitar num planeta saudável. E sublinhou que lhes competia lutar em conjunto, para que as forças políticas os ouvissem e respondessem, com medidas adequadas aos atuais desafios ecológicos. O nosso planeta, ao encontrar-se à beira do precipício, já não poderá esperar mais tempo.
Os alertas são muitos e vêm de todo o lado. Desde os países mais desenvolvidos e ricos, aos dos mais pobres e que mais sofrem com as alterações climáticas. O martirizado Moçambique já é uma ferida aberta recentemente, ainda a sangrar no planeta. A fome e a miséria galgaram as terras e as aldeias deixando uma vasta população a olhar para as suas negras mãos cheias de nada. Apenas dor e tristeza.
Mas não são só as populações que são atingidas. Um relatório divulgado pala Plataforma Intergovernamental de Política e Ciência sobre Biodiversidade e Serviços do Ecossistema (IPBES), divulgado no início de maio, elaborado por 145 cientistas de 130 países, revela-nos o brutal impacto que o nosso planeta já sofreu, devido às enormes alterações climáticas, sem precedentes, que têm atingido o nosso planeta.
Dizem-nos estes cientistas no referido documento que, como consequência destes fenómenos, há um milhão de espécies em risco de extinção, à distância de apenas algumas décadas. Perante esta emergência dramática, avisam-nos os mesmos cientistas, que só uma rápida e abrangente transformação do sistema económico e financeiro poderá salvar do colapso os ecossistemas. E logo acrescentam que “a essencial e interligada rede da vida na Terra está a ficar mais pequena e cada vez mais desgastada”. O relatório chega ao ponto de nos apresentar um cenário de tal maneira dramático, que parecemos estar colocados perante um jogo de vida ou de morte.
Se este é o dramático e real diagnóstico, resultante do trabalho dos cientistas sobre este complexo e multifacetado problema, com que se depara s humanidade, não podemos fechar os olhos e fingir que não existe.
Sendo assim, os mesmos cientistas avançam com algumas linhas de solução para tentarmos sair vencedores deste magno desafio.
A opção, segundo os mesmos estudiosos, passará necessariamente por uma mudança na organização da economia, uma nova forma de economia pós-crescimento.
Como sabemos, a nossa civilização de consumo, baseada na destruição dos recursos naturais, tem contribuído para a lenta destruição de todo o nosso planeta que, ano após ano, tem conhecido uma maior degradação. Mesmo os peixes do mar já se encontram também envolvidos neste fenómeno destruidor. Em vez de algas, base da sua alimentação, ingerem plásticos que os humanos lançam às águas salgadas.
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