
Leigos católicos participam numa manifestação em frente à nunciatura apostólica em Manila, Filipinas, para denunciar “práticas corruptas” na diocese de Lucena. Foto reproduzida a partir da página de Facebook de Beth Marbello
Com o objetivo de erradicar alegadas práticas corruptas na sua diocese, um grupo de leigos católicos das Filipinas dirigiu uma carta aberta a várias entidades na Igreja, incluindo o Papa Francisco. A missiva, enviada na última semana, denuncia, entre outras coisas, o estilo de vida “extravagante” do clero, o seu envolvimento em atividades ilegais como o jogo, e o elevado preço cobrado pelos sacramentos.
O grupo, intitulado Lay Initiative Team, Ordinary Catholics, apresenta-se como um “fórum voluntário de profissionais, organizações religiosas, frequentadores comuns da igreja, leigos, trabalhadores, agricultores, pescadores e membros da comunidade LGBTQ”. “Não há nenhum padre no grupo”, esclarece Ann Talabong, uma das líderes do coletivo, citada pela UCA News. A responsável explica que o que os une é a oposição firme “a várias práticas corruptas prevalecentes na diocese, tais como o estilo de vida extravagante do clero e dos religiosos, os sermões podres, o pagamento muito caro dos sacramentos, a ditadura dos líderes da Igreja e o envolvimento dos padres em negócios e atividades ilegais como o jogo”.
“Temos todas as provas que sustentam isto. Algumas delas também são do conhecimento público… Assim, aquilo a que se chama acusações, que são verdadeiras, não é de todo novo na Diocese”, refere o grupo na carta. Talabong assinala ainda que escreveram pela primeira vez ao arcebispo Charles Brown em janeiro de 2023 e novamente em dezembro desse ano aos dicastérios do Vaticano para chamar a atenção para as suas exigências, mas foram “ignorados”. “Agimos por nossa própria vontade e decisão, fé e convicção, por amor à Igreja”, acrescenta.
A nova carta foi enviada na passada quinta-feira, 27 de junho, e dirige-se ao Papa Francisco, à diocese de Lucena, ao núncio apostólico, à Conferência Episcopal das Filipinas (CBCP), aos dicastérios de Roma, a todos os bispos e clérigos e a outros cristãos católicos de todo o mundo.
No dia 18 de junho, dezenas de membros do grupo tinham já organizado uma manifestação de oração em frente à nunciatura apostólica da capital do país, Manila, a 133 quilómetros da cidade de Lucena, para chamar a atenção para as suas reivindicações.
Nesse mesmo dia, a diocese de Lucena emitiu uma declaração, rejeitando as alegações do grupo. O documento, assinado pelo chanceler diocesano, padre Orson Ornedo, afirmava que o objetivo do grupo “não é rezar por eles, mas difamar o clero e o bispo da diocese com acusações gerais e infundadas”.
Ornedo disse que a diocese decidiu “considerar este incidente com caridade pastoral e otimismo cristão, tal como os pastores devem ouvir o seu rebanho, perceber as suas questões não expressas e compreender mais claramente as suas necessidades”.
Na carta de 27 de junho, o grupo refere-se a essa declaração como uma resposta “desdenhosa e sem desculpas” da diocese sobre as alegações de “práticas corruptas”. Também expressa o seu choque pelo facto de o núncio apostólico “não ter entrado em contacto connosco, apesar de termos deixado as nossas cartas, contactos e endereços de e-mail no seu gabinete”.
“Somos verdadeiramente a favor da desejada limpeza, purificação e renovação da Igreja. Acreditamos e estamos verdadeiramente convencidos de que o que estamos a fazer é para o bem de toda a Igreja”, concluem.









