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Papa Francisco e bispo Richard Stika durante a visita ad limina a 3 dezembro 2019. Foto © Vatican Media.

Diocese de Knoxville

Grupos de defesa de vítimas criticam Vaticano por não divulgar razões da aceitação da renúncia do bispo

| 27/06/2023

Papa Francisco e bispo Richard Stika durante a visita ad limina a 3 dezembro 2019. Foto ©  Vatican Media.

O Papa Francisco saúda o bispo de Knoxville, Richard Stika, cuja renúncia acaba de aceitar, durante uma visita ad limina, a 3 dezembro de 2019. Foto © Vatican Media.

 

O Vaticano fez mal em “aceitar o pedido de renúncia” do bispo de Knoxville (Tennesse, EUA), “em vez de o ter removido do seu cargo, acusando-o de crimes canónicos”, refere um comunicado divulgado pelo Awake Milwaukee, um grupo católico de defesa das vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica, no próprio dia 27 de junho em que o Vaticano tornou pública aquela decisão.

“O Papa Francisco deveria declarar publicamente os motivos pelos quais aceitou o pedido de renúncia do bispo Stika”, declarou por seu lado um responsável da Bishop Accountability,, uma organização americana que analisa e denuncia os abusos do clero. “A prática do Papa tem sido, até agora, ficar em silêncio quando um bispo culpado é finalmente forçado a deixar o cargo, mas”, prosseguiu o mesmo responsável, “esse silêncio prejudica e é inconsistente com a transparência que ele prometeu.”

O bispo Richard Stika, de 65 anos (ainda faltariam 10 anos para que fosse obrigado a solicitar a renúncia) foi objeto de uma investigação do Vaticano, depois de ter sido alvo, nos últimos dois anos, de vários processos judiciais que o acusavam de encobrir casos de abuso sexual na sua diocese. “Durante anos, as questões giraram em torno de seu suposto encobrimento de abusos, das finanças diocesanas, da moral dos padres e da administração e gestão geral da diocese”, escreve o National Catholic Reporter na sua edição de dia 27 de junho. Mas Stika sempre negou todas as acusações que de que foi objeto ao longo dos anos.

O ex-bispo de Knoxville foi, desde sempre , um protegido do cardeal emérito Justin Rigali que, na sua qualidade de arcebispo de St. Louis (Missouri, EUA) o ordenou sacerdote em 1985 e o promoveu a chanceler arquidiocesano. Rigali foi feito cardeal pelo Papa João Paulo II em 2003 e, sob Bento XVI, foi membro da Congregação para os Bispos do Vaticano. Após ter chegado ao limite de idade em 2011, o cardeal Rigali mudou-se para a residência em que o bispo Stika vivia desde 2009, ano em que foi nomeado como terceiro bispo de Knoxville, diocese que conta com cerca de 75 mil católicos.

Esta é a segunda vez em cinco anos que uma visita apostólica determina a substituição de um bispo no Tennessee, Estado composto por apenas três dioceses católicas. Em 2018, o bispo Martin Holley, de Memphis, foi removido do governo pastoral daquela diocese após dois anos de enorme turbulência.

 

 

Bispo da “pílula vermelha” sob investigação

Entretanto, Elizabeth Slaten, diretora de comunicações da Diocese de Tyler (Texas, EUA) confirmou ao National Catholic Reporter que o Vaticano desencadeou uma investigação formal da diocese liderada pelo bispo Joseph Strickland, que se autodenomina “bispo da pílula vermelha” e se tornou famoso por ter acusado o Papa Francisco de minar a fé católica. A visita apostólica teve lugar, segundo a porta-voz, durante “uma série de dias” da semana anterior, mas ela nada acrescentou “sobre quem conduziu a visita ou qual a sua finalidade”.

Strickland é o quarto bispo da diocese de Tyler, nomeado por Bento XVI em 2012, e não se coibiu, nos últimos anos, de desafiar a liderança do atual papa ou de criticar os outros bispos em público. A 12 de maio deste ano, questionou a fidelidade de Francisco à fé católica num tuite em que escreveu: “Acredito que o Papa Francisco é o Papa, mas chegou a hora de dizer que rejeito o seu programa de minar o Legado da Fé “. Já em 2002, Strickland tinha desafiado o Papa a “demiti-lo”, depois de lançar no Twitter vídeos em que apelidava Francisco de “palhaço diabolicamente desordenado”.

Durante a epidemia do covid-19, o bispo Strickland, que tem hoje cerca de 124 mil seguidores no Twitter – um pouco mais do que o número total de católicos da sua diocese – usou esta plataforma para espalhar mensagens anti-vacina. E procurou minar a autoridade de outros bispos que tinham posições contrárias às suas, expressando apoio aos padres que aqueles haviam repreendido por terem posições anti-vacina.

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