Cáritas previne contra crise grave

Guerra na Ucrânia provoca falta de alimentos em Cabo Delgado

| 2 Mar 2023

Manuel Nota, Cáritas Pemba

Manuel Nota, director da Cáritas Pemba (Cabo Delgado, Moçambique): pode vir aí uma crise alimentar grave, avisa. Foto: Direitos reservados.

 

O director da Cáritas de Pemba (Cabo Delgado) avisa que a população daquela província do Norte de Moçambique “vai sofrer” com a falta de alimentos, no que é uma consequência indirecta da guerra na Ucrânia.

“Só temos três projectos [de apoio] e isso não é suficiente para o número de deslocados que Cabo Delgado tem” e que neste momento ronda as 50 mil pessoas, diz Manuel Nota, citado numa informação da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), enviada ao 7MARGENS.

Esta situação é “consequência indireta da guerra na Ucrânia”, diz a informação da AIS. “Com o mundo de olhos postos no apoio aos ucranianos, outros conflitos passaram para plano secundário e isso está a refletir-se na ajuda humanitária para milhares de pessoas. A situação em Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, é um exemplo trágico desta realidade”, acrescenta o documento.

Na missão de Ocua, por exemplo, uma missionária portuguesa refere que há famílias com bebés a comer “folhas para enganar a fome”.

A falta de recursos, já referida pelo Programa Alimentar Mundial, das Nações Unidas e que atingiu também as organizações que trabalham em Pemba, levam à diminuição de projectos e do número de pessoas que deles beneficiam.

No caso da Cáritas, refere Manuel Nota que as cerca de um milhão de deslocados, vítimas do terrorismo que tem atingido a região desde há mais de cinco anos, dificilmente terão ajuda alimentar suficiente.

“A Cáritas reduziu consideravelmente o número de projetos que está a implementar, sobretudo os de emergência, de dois, três meses. Já não temos financiamento. Estamos a implementar projetos de emergência, sim, mas para a construção de abrigos e não de assistência alimentar”, justifica o director da Cáritas diocesana de Pemba.

Outra forma de apoio é a ajuda à compra de equipamentos agrícolas: “Dar sementes e instrumentos agrícolas no lugar de dar alimentos” permite que os deslocados possam aproveitar terrenos e cultivá-los.

Manuel Nota sublinha também que a insegurança continua a ser um problema: apesar de as autoridades insistirem na ideia de que “as coisas estão a mudar e que os terroristas representam cada vez uma menor ameaça, a verdade é que os ataques prosseguem”.

 

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