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Depois do apelo de Francisco e Macron

Guerra na Ucrânia: Sinais incipientes de interesse em dialogar

| 27/10/2022

Patriarca Cirilo nas Vésperas da Páscoa na Catedral de Cristo Salvador

O Patriarca Cirilo descreveu recentemente a Rússia como “um estado moderno com ciência, tecnologia e educação avançadas, liderado por um presidente que testemunha abertamente a sua fé”. Foto © Oleg Varov | O Serviço de Imprensa do Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia

 

A “diplomacia da paz” relativamente à guerra na Ucrânia dá (ainda débeis) sinais de vida. O Papa lançou o apelo aos líderes dos dois países, em 2 de outubro. Na plataforma de encontros que foi a assembleia internacional e inter-religiosa da Comunidade de Santo Egídio, sob o lema “O grito da paz”, no início desta semana, multiplicaram-se os encontros bilaterais. O presidente Macron pediu a Francisco que tomasse a iniciativa de contactos com Biden, Putin e o patriarca Cirilo. Este parece pouco preocupado com a paz. A Rússia diz que sim. A Ucrânia ainda não se pronunciou. Nada de consistente. Mas “o caminho faz-se caminhando”.

Do pedido do presidente francês, na segunda-feira, 25, ecoou, no mesmo dia, uma reação do lado russo: segundo o porta-voz governamental, Dmitry Peskov, a Rússia não teria objeções a conversar com o Papa Francisco, os Estados Unidos e a França, para encontrar uma solução para a guerra na Ucrânia.

“Estamos dispostos a discutir tudo isso [a situação na Ucrânia] com os americanos, com os franceses e com o pontífice”, disse Peskov durante uma entrevista coletiva.

Mas, ao mesmo tempo, os russos anotam que ninguém sugeriu contactar Zelenski, a fim de que ele esclareça “a base legal que impede negociações com a parte russa”. Enquanto isso não acontecer, o Kremlin diz que “parte da base de que a Ucrânia proibiu a continuação de negociações”.

O Vaticano, através do seu secretário de Estado, vê positivamente estes sinais: “É bom que haja uma abertura genérica deste tipo (…). Isso significa que há uma vontade de falar. Parece-me um passo em frente em relação a há alguns dias”, comentou o cardeal Pietro Parolin, citado pela revista italiana Il Messagero.

Sobre uma abordagem do presidente Biden, o número dois do Vaticano disse que não se tinha conseguido falar com ele. “No entanto, acrescentou, enviamos-lhe a mensagem de paz do Papa, o apelo que ele fez quando pediu aos russos que parassem a guerra, e a Zelenski que aceitasse as propostas de paz e a comunidade internacional para facilitar o processo, mas não recebemos nenhuma resposta”.

 

Cirilo: Rússia é “uma ilha de liberdade”

Enquanto esta troca de mensagens vai decorrendo através da comunicação social, o Patriarca de Moscovo continua a sua cruzada contra a globalização e o secularismo do ocidente, apresentando a Rússia como “uma ilha de liberdade” diante da Europa.

Discursando no Conselho Mundial dos Povos Russos, na última terça-feira, 25, Cirilo disse que a globalização “destrói os valores tradicionais” e que cabe à Rússia “mudar o curso da história e evitar o fim apocalítico global”, já que ela oferece “um estado moderno com ciência, tecnologia e educação avançadas, liderado por um presidente que testemunha abertamente a sua fé”.

O momento e o conteúdo destas palavras foram lidos por alguns como significando recusa do diálogo para a paz, ainda que não pareça haver relação entre este tema e a causa mais vasta de Cirilo.

 

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