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Estudo da Caritas Itália

Há 70 milhões de vítimas de conflitos no mundo para as quais não há ajuda oficial

| 13/12/2021

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Ainda há muita gente no mundo que consegue receber a ajuda que precisa. Foto © Ajuda à greja que Sofre

 

Que guerras existem no mundo presentemente e que fatores estão associados a elas? Um relatório que acaba de ser publicado pela Caritas italiana, focado na relação entre os conflitos e as desigualdades sugere que as “guerras de alta intensidade estão a aumentar”.

O relatório, intitulado “Falsos equilíbrios”, é o sétimo de uma série e encontra-se editado em italiano, tendo o site Vatican News feito uma recensão este domingo, da qual publicamos os dados mais significativos. Segundo ele, em 2020 houve 21 guerras de alta intensidade no mundo, seis a mais que no ano anterior. Entre as mais graves estavam as do Iémen, Síria e Sudão do Sul. Esse número subiu para 22 no corrente ano de 2021, com o surgimento, ainda no final do ano passado, do conflito na região etíope de Tigray.

Contudo, se se considerar todas as crises e escaladas violentas no planeta, o número de conflitos sobe para 359 em 2020. Mais do que os números, cresceu de forma alarmante – 40 por cento – o número de pessoas que precisam de ajuda humanitária, atingindo a cifra de 235 milhões de pessoas afetadas.

Além disso, os refugiados e pessoas deslocadas mais do que duplicaram em 10 anos, atingindo um valor recorde de 82,4 milhões.

“É preocupante que as Nações Unidas, a comunidade internacional e a União Europeia tenham declarado que não podem chegar a mais de 165 milhões com necessidade de ajuda humanitária”, afirmou Paolo Beccegato, vice-diretor e chefe da área internacional da Caritas italiana, em comentário àqueles dados.

De acordo com o relatório citado pelo Vatican News, a violência política à escala global registou menos eventos violentos. Porém, se se levar em consideração os países individualmente, pode-se observar um aumento nos níveis de violência em metade dos estados analisados.

Apesar do envolvimento crescente de atores não estatais (milícias, paramilitares, gangues armados, empresas militares privadas, etc.), a maior parte da violência global (52 por cento) continua a ser atribuída às forças dos Estados, segundo o estudo feito pela Caritas Itália.

As desigualdades económico-sociais constituem um “um aspeto transversal” aos vários conflitos, segundo a edição de 2021 do relatório. Por um lado produzem-nos e por outro são por eles produzidas. “Na verdade – pode ler-se no estudo – são precisamente os desequilíbrios e assimetrias sociais, económicas, de status, de acesso a recursos, de exigibilidade de direitos, que explicam a génese de muitas formas de conflito. Ao mesmo tempo, a guerra também produz consequências desiguais, contribuindo para agravar as condições de quem já se encontrava em situação de vulnerabilidade antes do conflito”.

O estudo da Caritas inclui dados de um estudo de opinião feito em Itália que mostra que 60% da população do país (e um em cada dois jovens) ignoram as guerras em curso ou indicam como tais situações que estudaram nos livros de história. Paolo Beccegato atribui responsabilidades desta ignorância aos media: “Na Itália há uma comunicação pobre e de baixa qualidade no que diz respeito às guerras e em geral aos acontecimentos que ocorrem no mundo, e isso gera um desconhecimento profundo”.

 

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