
Um dos momentos musicais do XIII Encontro Cristão, que decorreu no Centro Cultural Olga Cadaval, em junho de 2022. Foto © Plataforma Encontro Cristão
Começou por ser um evento quase familiar, no salão da paróquia de Algueirão-Mem Martins, passou para o salão da Igreja de São Miguel em Sintra, onde já cabiam 500 pessoas, e da última vez reuniu cerca de um milhar no Centro Cultural Olga Cadaval: o Encontro Cristão chega este ano à sua 14ª edição e, já no próximo dia 27 de janeiro, pretende repetir a façanha – juntar naquele auditório cerca de mil pessoas das mais variadas Igrejas e comunidades cristãs para celebrarem, rezarem, e darem início a um novo projeto solidário. A inscrição é gratuita e todos estão convidados.
Subordinado ao mote “Decidir Amar” (o qual se inspira, por sua vez, no tema da semana de oração pela Unidade dos Cristãos “Amarás o Senhor teu Deus…e o próximo como a ti mesmo”), o encontro vai começar com uma “concentração de jovens”, às 14 horas, no salão da Igreja de S Miguel em Sintra, os quais farão depois uma caminhada até à vila com o objetivo de “inquietar corações” e desafiá-los a tomar também a decisão de amar.
De regresso à igreja, seguem-se um “welcome drink” destinado às equipas de liderança das comunidades participantes no encontro e suas famílias, pelas 18h45, para “apresentação recíproca e ‘fermento’ do evento”, e um jantar dessas lideranças com os jovens, às 19h30.
A partir das 20h45, todos rumarão ao Centro Cultural Olga Cadaval, para o ponto alto do encontro, onde haverá momentos de música, teatro, testemunhos de vida, oração e louvor, tudo isto “sem os preconceitos nem as barreiras aos quais muitas vezes ainda assistimos nas diferentes igrejas”, assegura ao 7MARGENS Luís Parente Martins, membro do Departamento de relações ecuménicas e inter-religiosas do Patriarcado de Lisboa e um dos mentores da iniciativa.
“A fé do mundo depende da unidade dos cristãos”, afirma com convicção o médico católico de 64 anos. De resto, o Papa Francisco “ainda este mês, no seu vídeo, pediu para encararmos a diversidade nas comunidades cristãs como uma riqueza”, assinala, convidando todos os cristãos a experimentar esta diversidade no encontro de 27 de janeiro, inscrevendo-se no site da iniciativa.
Parente Martins reconhece, no entanto, que “há ainda uma falta de sensibilidade e uma série de medos e resistência da parte da Igreja Católica, e também da parte dos evangélicos, em relação a esta unidade. Há quem diga que só católicos e evangélicos ‘deslavados’ é que se juntam. Alguns acham até que esta relação é quase sacrílega”. Mas “há também o contrário”, sublinha. “E nós, com este encontro – no qual este ano vão participar católicos, greco-católicos, ortodoxos russos e ucranianos, evangélicos e anglicanos de vários pontos do país – percebemos claramente que o Papa tem razão: não há que ter medo, há que desfrutar da alegria desta unidade! Acreditamos muito que, ao criarmos estes laços, estamos não só a dar um testemunho de fé e a viver na coerência da fé, mas também que isto tem um impacto no mundo”.
Da “caridadezinha” à fraternidade cristã
E a prova desse impacto está no “Ponto de Encontro”, o novo projeto de ação social que será lançado, precisamente, a partir desta edição do Encontro Cristão, adianta ao 7MARGENS Luís Parente Martins.
“Na reflexão que fizemos ao longo destes meses de preparação para o encontro, chamou-nos a atenção, tendo em conta o tema e a respetiva leitura bíblica proposta [a parábola do Bom Samaritano], que cada um de nós é convidado a ser melhor Samaritano e a transformar as nossas comunidades em estalagens que acolham”, explica o também co-responsável pelo diálogo ecuménico do Movimento dos Focolares em Portugal.
“Tantas vezes, encontramos pessoas que precisam de ajuda, seja por dificuldades económicas, violência doméstica, toxicodependência, ou outras… E nós nem sempre podemos fazer mais do que dar umas moedas, fazer a chamada ‘caridadezinha’… Com este Ponto de Encontro, que será simultaneamente um site – pontoencontrocristao.pt – e um gabinete físico localizado na Tapada das Mercês, iremos acolher estas pessoas e encaminhá-las para uma associação cristã que possa ser essa estalagem e proporcionar a cura, que no fundo é também uma cura para todos nós”, acrescenta Parente Martins.
Além desta ajuda aos necessitados através do encaminhamento para instituições cristãs, o projeto prevê ainda quatro encontros anuais destinados aos elementos dessas instituições para partilha de experiências, momentos de reflexão, e de oração conjunta. “Sabemos que, atualmente, as solicitações sociais são de tal forma grandes que há um certo burnout dos cuidadores e por vezes acaba por perder-se a referência aos valores cristãos no seu trabalho. Assim, com esta iniciativa, pretendemos ajudá-los a lembrar que não fazem este trabalho por mera solidariedade, mas por fraternidade – conclui -, e que há um motivo mais forte que os une e os leva à missão: o sonho de Jesus.”









