Na Ucrânia

“Há um aumento de casos de depressão e suicídio”

| 26 Fev 2023

O padre Lucas Perozzi, brasileiro, estava em Kiev quando começou a guerra, e por lá ficou até hoje. Foto captura de ecrã

O padre Lucas Perozzi, brasileiro, estava em Kiev quando começou a guerra, e por lá ficou até hoje. Foto captura de ecrã

 

A guerra começou há 12 meses e o Padre Lucas Perozzi, um brasileiro de 37 anos que pertence ao Caminho Neocatecumenal, praticamente nunca abandonou o seu posto. Vigário da Igreja da Dormição da Virgem Maria, em Kiev, sobressaltou-se, como todas as pessoas, quando as sirenes tocaram nas primeiras vezes a anunciar a iminência de ataques aéreos, mas agora, diz, já está acostumado a isso. A tal ponto que já nem liga muito. Nem ele, nem os outros. “As pessoas habituam-se. Acostumam-se a ouvir as sirenes, acostumam-se a essa forma de vida, acostumam-se a tudo…”, refere numa entrevista que concedeu à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

No entanto, isso não significa que não haja um alarme interior, um medo escondido. “Queira-se ou não, isso fica debaixo do subconsciente da pessoa”, explica. Há um ano, tinha a guerra apenas começado, o padre Lucas contava que era difícil viver numa cidade a ser bombardeada. Agora, fala de uma cidade que já se habituou ao ruído das sirenes e que ganhou novas rotinas. Como a de sobreviver sem electricidade às vezes durante muitas horas por dia. “Os bombardeamentos são uma coisa do quotidiano. O problema que nós temos agora é outro. Há muitos cortes de luz, e as pessoas ficam muito tempo sem energia e então vêm aqui à Igreja porque nós conseguimos ter electricidade graças à ajuda de diferentes organizações, como a Fundação AIS, por exemplo…”

Os geradores e as placas solares oferecidos à paróquia fazem toda a diferença. “As pessoas vêm para aqui e trabalham aqui. Temos duas ou três salas que abrimos e elas ligam os computadores, as coisas deles e trabalham aqui na paróquia. Muita gente também vem pedir para fazer um chá…. Temos até uma máquina de café.”

Mas há coisas que não se esquecem. A brutalidade dos combates, as imagens de destruição, as mortes, a violência. Lucas Perozzi conta-nos o que vê. “Muita gente vem aqui também falar dos seus problemas, pelo que estão a passar. As pessoas estão muito nervosas. Nota-se isso simplesmente a conduzir, na cidade. A agressividade das pessoas…. E nota-se também no aumento muito grande de casos de depressão e de suicídios. E tudo isso é por causa da guerra. Tudo isso é por causa do ‘stress’ que as pessoas estão a viver por causa da guerra”, diz o sacerdote.

A guerra está omnipresente mesmo quando não se fala disso, mesmo quando não se quer até saber das notícias. A guerra está presente em todo o lado, mudou a vida de todas as pessoas. É como uma sombra. Novos fiéis, mas a mesma dificuldade. Como falar do amor aos inimigos num país em guerra? “Eu não preciso de explicar, porque eles têm muito claro quem é o inimigo. Nós todos temos muito claro quem é o inimigo…” Mas, mesmo assim, o padre brasileiro nunca deixou de pregar o amor mais radical e foi sempre escutado e todos sempre acolheram as suas palavras “sem revolta”. Isso, diz, “consola-o”.

 

Desfazendo três equívocos sobre Deus

Desfazendo três equívocos sobre Deus novidade

Existem três dificuldades ou equívocos religiosos sobre o carácter de Deus, e que revelam algum desconhecimento sobre Ele. Por isso convém reflectir no assunto. Esses três equívocos sobre os quais nos vamos debruçar de seguida são muito comuns, infelizmente. [Texto de José Brissos-Lino]

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

sobre as águas

sobre as águas novidade

Breve comentário do p. António Pedro Monteiro aos textos bíblicos lidos em comunidade, no Domingo XII do Tempo Comum B. ⁠Hospital de Santa Marta⁠, Lisboa, 22 de Junho de 2024.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This