7MARGENS/Antena 1

Há um passado glorioso ou devemos envergonhar-nos e pedir perdão?

| 5 Mai 2024

 

Foto © António Marujo

Ângela Barreto Xavier e José Tomaz Castello Branco debateram a força da história colonial e o contexto português com António Marujo. Foto © António Marujo

 

Compensações por causa da colonização e da escravatura? O passado foi glorioso ou deve envergonhar-nos? A Igreja Católica pede perdão pelos erros históricos em nome da reconciliação da memória – e isso tem sentido? Desde há mais de cinco décadas que, primeiro com o Concílio Vaticano II e, depois, sobretudo com os papas João Paulo II e Francisco, a Igreja Católica tem enunciado vários pedidos de perdão, procurando reconciliar-se com a memória – seja em questões como a Inquisição e as cruzadas, ou a escravatura e, mais recentemente, os abusos sexuais do clero.

O Presidente da República fez há dias uma afirmação que não foi bem aceite por vários sectores. Portugal foi uma das nações europeias que mais escravos traficou de África para o Brasil e o Caribe, mas ainda olhamos para o passado colonial como glorioso, pacífico e muito menos violento do que outros países. O passado foi mesmo glorioso ou devemos envergonhar-nos dele? Esta uma das questões em debate no programa 7MARGENS, da Antena 1, emitido na madrugada deste sábado e que pode ser ouvido na RTP Play.

No debate, intervém Ângela Barreto Xavier, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, doutorada em História e Civilização pelo Instituto Universitário Europeu, de Florença e que em 2021 foi galardoada com o Prémio Infosys 2021 em Humanidades, “pela sua profunda pesquisa e sofisticada análise da conversão e violência no Império Português na Índia, especialmente em Goa”.

O segundo interveniente é José Tomaz Castello Branco, doutorado em Ciência Política e Relações Internacionais pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa (IEP-UCP) e licenciado em Direito pela Universidade Lusíada, que tem leccionado várias cadeiras no âmbito das suas áreas de especialização, nomeadamente temas de Teoria Política Contemporânea e Pensamento Político Islâmico. Para além da actividade académica, dirige ainda uma empresa agrícola com base no Fundão.

No programa debate-se, além das declarações do Presidente da República, a eventual revisão de conceitos, o perdão da dívida aos países mais pobres como forma de compensação (objecto de uma campanha pelo Papa João Paulo II e Bono Vox) e os pedidos de perdão já protagonizados pela Igreja Católica, que em 2000 publicou o documento “Memória e Reconciliação – a Igreja e os erros do passado”. Com ele se pretendia purificar a memória como eliminação da “consciência pessoal e colectiva de todas as formas de ressentimento e de violência deixadas pela herança do passado, sobre a base de um novo e rigoroso julgamento histórico-teológico, ele mesmo fundamento de um comportamento moral renovado.”

O tema foi recuperado há um ano pelos dicastérios para a Cultura e a Educação e para o Desenvolvimento Humano Integral. Numa declaração conjunta, estes organismos da Santa Sé falavam dos direitos dos povos indígenas das Américas, África e Austrália, repudiando os fundamentos papais do século XV que estiveram na base da posterior “Doutrina do Descobrimento”, formulada para conferir caráter legal à expropriação das terras dos povos indígenas pelos colonos europeus.O documento dizia ainda que a doutrina do Descobrimento “foi manipulada para fins políticos pelas potências coloniais em competição entre si para justificar actos imorais contra as populações indígenas, por vezes realizados sem a oposição das autoridades eclesiásticas”; e por isso, a Igreja afirma agora que “é justo reconhecer esses erros, reconhecer os terríveis efeitos das políticas de assimilação e a dor sentida pelos povos indígenas e pedir perdão”.

E em Portugal? Sabendo que também muitos católicos estiveram empenhados em redes de oposição, resistência e combate à ditadura e à Guerra Colonial, teria sentido a Igreja pedir perdão pelos erros que cometeu durante o Estado Novo?

Nas sugestões finais, José Tomaz sugere a leitura do texto do padre Peter Stilwell no 7MARGENS sobre a entrega dos arquivos pessoais de Jonathan Sacks, grão-rabino das Congregações Hebraicas Unidas da Commonwealth, que morreu em 2020 e é autor do livro A Dignidade da Diferença. E propõe ainda a leitura de Submissão, de Michel Houlebecq, um livro que propõe um debate sobre a relação entre culturas e religiões, entre Ocidente e Oriente, sobre entre cidadãos e instituições.

Ângela Barreto Xavier propõe a leitura do texto “Os católicos que salvaram a Igreja”, no 7MARGENS e a visita à exposição Álbuns de Família. Fotografias da diáspora africana na Grande Lisboa (1975-hoje). Com a curadoria científica de Filipa Lowndes Vicente e Inocência Mata, a mostra reúne retratos da diáspora africana em Portugal após 1975, quando se iniciou o processo de descolonização, retratos esses tirados pelos próprios ou herdados da família. Está patente no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, até Novembro.

O programa pode ser ouvido na íntegra no endereço https://www.rtp.pt/play/p12257/7-margens.

 

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