
A presidente da associação Compassio, Mariana Abranches Pinto (ao centro), ladeada pela assistente social Patrícia Galeão (dta.) e pela psicóloga Gabriela Silva, que integram a equipa do projeto Porto Compassivo. Foto © Compassio
Tornar o Porto uma cidade mais compassiva nas áreas do envelhecimento, da doença, da morte e do luto, do isolamento social e da solidão: era esse o principal objetivo da associação Compassio, quando ali nasceu, em 2019. Quatro anos depois (e com uma pandemia pelo meio), pode dizer-se que o objetivo foi cumprido, mas que, ao mesmo tempo, há ainda muito por fazer. É por isso que, na tarde desta quinta-feira, 23 de novembro, a associação dinamiza um seminário em que irá explicar melhor esta sua missão de colocar a compaixão no centro da comunidade portuense, partilhar os resultados do trabalho já desenvolvido, e refletir sobre a pertinência do mesmo nos dias de hoje. A participação é gratuita e aberta a todos.
Enquanto ultimava os preparativos para o encontro, a presidente e fundadora desta associação sem fins lucrativos, Mariana Abranches Pinto, adiantou ao 7MARGENS que uma das áreas em que a Compassio tem atuado, com o seu projeto “Porto Compassivo”, é a “sensibilização para a naturalidade e normalidade da doença e do luto”. Isto “porque a morte é um tema tabu. Muitas pessoas, quando se fala em morte, o que fazem é bater na madeira e mudar de assunto… Mas a verdade é que todos vamos morrer. E há desafios associados a isso pelos quais nós, ou as pessoas que amamos, vamos ter de passar… Então, que estejamos todos mais capacitados para lidar com eles é o que nós pretendemos”, explicou.
Foi nesse sentido que a Compassio criou, por exemplo, os “Death Cafe”, encontros de reflexão e partilha com um registo muito informal, em que se fala da morte enquanto se faz algo trivial e prazeroso como beber um café e comer um bolo, e que têm sido dinamizados em locais tão diversos como escolas, universidades intergeracionais ou centros sociais, e também online.

Foi para “aproximar as pessoas do tema tabu da morte” que a associação construiu o mural “Antes de morrer, eu quero”, junto ao Mercado da Foz do Douro, desafiando quem ali passasse a completá-lo. Foto © Compassio.
Foi também para “aproximar as pessoas do tema tabu da morte” que a associação construiu o mural “Antes de morrer, eu quero”, junto ao Mercado da Foz do Douro, desafiando quem ali passasse a completá-lo. “Aqui, queríamos sobretudo lembrar a finitude da vida e a importância de a aproveitar bem. E foi muito interessante ver o resultado final…. Participaram muitas crianças e jovens, que escreveram coisas como ‘conhecer o Ronaldo, plantar uma árvore, ou ter um cão’, e também muitos adultos. Houve pessoas a escrever frases mais genéricas como ‘ser feliz’, mas também houve outras que lá colocaram coisas muito concretas, como ‘perdoar a minha mãe’. Percebemos que a ação fez realmente as pessoas pensar”, assinala Mariana Abranches Pinto.
Outra das áreas em que a Compassio tem investido é na “capacitação para um cuidar compassivo”, destacou a responsável, e é aí que entram os inúmeros workshops – presenciais e online – que organiza regularmente. Os títulos destas formações falam por si: “Socorro, a minha prima está doente. O que lhe digo? O que não digo?”, “Oxalá este isolamento te faça entender a minha solidão permanente”, ou “Como te cuidas tu, cuidador?” (porque além da compaixão, é também muito importante a auto-compaixão) são apenas alguns exemplos.
Mas a Compassio não fica pela sensibilização e capacitação. Tem também procurado “ativar e dinamizar redes comunitárias colaborativas de cuidado compassivo”, refere ainda Mariana Abranches Pinto, porque “é preciso trabalhar a comunidade para que realmente se envolva no cuidado dos seus próximos”.
Um trabalho que nem sempre é fácil, porque “caminhar para uma sociedade mais compassiva implica uma transformação cultural”, reconhece a coordenadora do projeto, para concluir: “Isto é uma corrida de fundo!”.
O seminário desta quinta-feira é mais um passo (ou , quem sabe, várias passadas largas) nessa longa corrida. O encontro terá lugar na Escola Superior Paula Frassinetti (Rua Gil Vicente, Porto), das 14h30 às 17h30. Todos os que queiram participar são convidados a inscrever-se através deste formulário. O programa completo pode ser consultado aqui.









