
‘ “De repente, fala-se de política nos corredores da escola, coisa que não acontecia antes…”,comenta um professor.’ Foto: Projeto “Votar Claro”, Escola Secundário de Rio Tinto.
“De repente, fala-se de política nos corredores da escola, coisa que não acontecia antes…”, comenta um professor.
A escola é a Secundária de Rio Tinto (Gondomar) e a política é a que nos rodeia a todos por estes dias: partidos, escolhas, eleições, votar.
Isso mesmo: votar. E votar sabendo bem o quê, de preferência. Ora aqui está um bom programa de ação para uma escola secundária, ainda bem que alguém se lembrou disso.
Se bem o pensaram, melhor o fizeram: professoras e alunos daquela escola decidiram organizar umas eleições semelhantes àquelas que temos no país aqui à porta. Como nestas, também ouviram representantes dos partidos e analisaram os programas. Como nestas, também ali prepararam uma série de debates. Como nestas, trataram de arranjar boletins de voto exatamente com os mesmos partidos. Como nestas, organizaram mesa de voto, com delegados e com urnas. Como nestas, convidaram todos os alunos a votar, tentando contrariar a abstenção. O universo de potenciais eleitores era de 800 (entre os 16 e os 17 anos), a identificação fazia-se com o cartão de aluno. No fim se veria o resultado. E pronto, que grande aula na escola da escola… e da vida.
A iniciativa chama-se “Votar claro”, belo nome, cheio de interpretações possíveis (“Votar? Claro!, “Votar claro…”, “Votar, claro.”). Já nasceu há dois anos mas, tanto quanto sei, só se concretizou plenamente por estes dias, com o beneplácito do Ministério da Educação. Vale a pena ouvir a reportagem que sobre o tema fez há dias a Antena Um e que tão bem ilustra os méritos da (e a satisfação generalizada com a) iniciativa. Até pais se dispuseram a ajudar e a participar, no que traz mais uma boa lição de envolvimento de toda a gente no processo educativo.
Quando esta crónica for lida, já as urnas fecharam, os votos foram contados e as eleições na Escola Secundária de Rio Tinto concluíram o processo. Não sei os resultados, quem ganhou e quem perdeu, quantos para cada partido, etc., não parece que isso seja o mais importante – o importante, neste domínio, é o que se passa a 10 de março no país. O que verdadeiramente aqui merece elogio é o esforço conjugado de uma comunidade escolar para não se fechar dentro dos muros da escola nem dentro dos livros de cada disciplina e, olhando para a vida, ensinar também outras coisas relevantes. Centenas de jovens ainda sem idade de votar (mas à beirinha de lá chegar…) envolveram-se na experiência “como se fosse a sério” e conheceram programas, assistiram a debates, discutiram política, pesaram prós e contras, tomaram decisões informadas, escolheram um voto. Palmas!
Giro era que mais escolas por aí fora fizessem coisa parecida. Mais escolas, não: todas!









