Halík avisa contra nacionalistas: “Confundem Deus e nação, fé e xenofobia”

| 21 Mai 19 | Estado, Política e Religiões, Igreja Católica, Sociedade - homepage, Últimas

O padre e teólogo católico checo Tomáš Halík afirmou, numa conferência na Áustria, que os cristãos devem ser cautelosos com os políticos populistas que usam o cristianismo para impulsionar as suas agendas nacionalistas.“Testemunhamos mais uma vez o modo como Deus está a ser confundido com a nação e a fé cristã com a perigosa idolatria da xenofobia e do populismo”, afirma o vencedor do Prémio Templeton pelos seus contributos para a religião e a espiritualidade.

Citado pelo La Croix InternationalTomáš Halík acrescentou, numa conferência no santuário de Mariazell, que muitos desses “discursos apaixonados sobre a necessidade de proteger os valores cristãos da Europa, sobretudo em relação ao medo dos imigrantes e dos muçulmanos, são apenas palavras vazias, bolhas de discurso que pretendem ocultar a reivindicação populista de poder, ao tentar substituir a democracia parlamentar por sistemas autocráticos”.

A intervenção do autor de Paciência Com Deus  e vários outros títulos, que concedeu em Novembro uma entrevista ao 7MARGENS, ocorreu durante durante uma peregrinação europeia da Comunidade Ackermann, numa conferência sobre os desafios que o cristianismo enfrenta na Europa.

Vários desses políticos que falam do regresso à “Europa cristã” e a “valores cristãos” nunca leram o Novo testamento, diz, referindo os casos de países como a Polónia e a Hungria. “Quando eu vi as hordas de partidários do Partido Lei e Justiçaem Varsóviamarchando pelas ruas desfraldando bandeiras inscritas com as palavras ‘Nós queremos Deus’ e, ao mesmo tempo, gritando slogans antissemitas, perguntei-me inevitavelmente que tipo de Deus essas pessoas querem. Certamente não é o Deus que Jesus de Nazaré chama de Pai”.

Na intervenção, Halík falou também da crise na Igreja Católica, referindo a questão dos abusos sexuais sobre menores e freiras, bem como dos filhos de membros do clero. E sublinhou que o diagnóstico do Papa, que remete para o abuso de poder, autoridade e confiança, é semelhante ao que Jesus fazia aos fariseus, por imporem fardos da lei e proibições às outras pessoas, que eles próprios não observavam.

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