O realizador designa-o como um “cinéfilo inconformista” e “com causas”: Manuel Vitorino, jornalista (que tem colaborado várias vezes com o 7MARGENS) pegou na vida de Henrique Alves Costa (1910-1988) e fez um documentário que é, ao mesmo tempo, a sua homenagem a “uma personagem inspiradora e que encantou” a sua juventude cinéfila. Henrique Alves Costa, Cinéfilo Inconformista será exibido no Batalha Centro de Cinema, no Porto, no próximo dia 14 de Junho, às 19h15.
Alves Costa foi uma “figura cimeira do cineclubismo em Portugal, indelevelmente ligado” a acontecimentos como “festivais de cinema, encontros de cineclubes ou debates sobre os caminhos do cinema português”. Foi também júri de vários certames internacionais, além de ter escrito em várias publicações nacionais e estrangeiras.
Manuel Vitorino caracteriza-o como um “autodidacta das imagens, apaixonado por tudo quanto dizia respeito ao cinema, mas também ao debate das ideias e à polémica”, num trajecto pessoal que se confunde com a história da sétima arte em Portugal, ao mesmo tempo que o mundo via as primeiras fitas do cinema mudo – Charlie Chaplin, Buster Keaton ou David Griffith – e, depois, o advento do sonoro.
O papel de Alves Costa nos estúdios da Invicta Filme, bem como na dinamização do Cineclube do Porto, antes e após o 25 de Abril de 1974, são outras etapas do percurso do cinélifo tratados no documentário. A par, descreve ainda Manuel Vitorino, da sua “faceta de personagem central da Semana do Novo Cinema Português, realizada em 1967, movimento de ruptura entre o velho e
o Novo Cinema Português, onde além da generalidade dos cineastas portugueses, participaram gente das artes e das letras, como Sophia de Mello Breyner Andresen, José Régio, Eugénio de Andrade, Júlio Resende, Augusto Gomes, Alcino Soutinho”, entre outros.
Uma das actividades em que Alves Costa se empenhou profundamente foi na dinamização da Federação Portuguesa de Cineclubes, aspiração antiga do movimento cineclubista, e do Cinanima – Festival de Cinema de Animação de Espinho, “sem esquecer o seu papel na realização de O Auto de Floripes, documentário de natureza antropológica” filmado numa aldeia de Viana do Castelo.
O documentário pretende ainda reavivar acontecimentos como a instalação da filmoteca no Museu Nacional Soares dos Reis e o projecto da Cinemateca do Porto, bem como outros “episódios menos conhecidos do grande público”, resgatando do esquecimento o nome de Alves Costa e o modo como fez pedagogia e ensinou as pessoas “a amar o cinema”. Manuel Vitorino recorda ainda que Henrique Alves Costa se relacionou com vários grandes nomes do cinema – Oliveira, Rouch, André Bazin Jean-Loup Passek, Henri Langlois – deixando rasto em várias gerações de cinéfilos.










