Hoje não há missa

| 27 Set 19 | Sete Partidas, Últimas

Vista da Cidade Proibida, em Pequim. Foto © Maria Ameida

 

Na celebração dos 70 anos da República Popular da China (RPC), que se assinalam no próximo dia 1 de outubro, são muitas as manifestações militares, políticas, culturais e até religiosas que se têm desenvolvido desde meados de setembro. Uma das mais recentes foi o hastear da bandeira chinesa em igrejas católicas, acompanhado por orações pela pátria.

 

“Hoje não há missa.” O anúncio estava a ser distribuído, dia 22 de setembro, à porta da embaixada do Canadá em Pequim, onde há cerca de nove meses encontrei uma comunidade católica – Our Lady of China Catholic Community – na qual todos os domingos há celebração da eucaristia em inglês e francês, onde um padre italiano, outro filipino e um terceiro malgaxe se revezam. Foi a primeira vez que tal não aconteceu.

À porta da embaixada, tentámos ligar as nossas VPN (Rede Particular Individual, sem a qual não temos acesso ao correio eletrónico e às demais aplicações e motores de busca que nos conectam ao mundo para além da China, para saber se tínhamos recebido alguma mensagem de aviso). Sem surpresa, as nossas VPN não funcionaram e, portanto, permanecemos sem saber o que se teria passado naquela manhã de 22 de setembro. De regresso a casa, conjecturámos sobre várias explicações: algum acontecimento na embaixada que ocupasse a sala de reuniões onde normalmente decorre a missa ou algum imprevisto com o padre designado para a celebração.

Após algumas horas, o assunto foi caindo no esquecimento até que uma possível resposta chegou. E chegou através do jornal chinês Global Times, publicado em língua inglesa, de dia 24 de setembro, sob o título “Religious groups celebrate PRC aniversary” (Grupos religiosos celebram o aniversário da República Popular da China).

No próximo dia 1 de outubro celebram-se os 70 anos da fundação da RPC, efeméride que, de acordo com os meios de comunicação oficiais, irá juntar 100 mil pessoas e 70 veículos das forças de segurança e defesa. A preparação começou em meados de setembro, com ruas cortadas, limitação no acesso à internet, além de que, nas imediações da Praça de Tiananmen, epicentro do poder político na China há 600 anos – e onde estará o Presidente Xi Jinping a assistir às celebrações com inúmeros convidados – os moradores estão sujeitos ao recolher obrigatório (a partir das 17h) e a manterem as cortinas de casa fechadas a partir dessa hora. Tudo devido aos preparativos para aquela que pretende ser a maior parada militar da história da RPC.

Família chinesa numa exposição sobre os 70 anos da República Popular da China. Foto © Maria Almeida

 

Segundo o Global Times, a Igreja também se associou a estas comemorações. O jornal dá conta de que as maiores comunidades religiosas levaram a cabo várias atividades, incluindo seminários, cerimónias de hastear a bandeira e orações pelo país. Já o China Daily, de 25 de setembro, sublinha que o Governo central tem tomado várias medidas para proteger o direito à liberdade religiosa dos seus cidadãos, salvaguardando as suas especificidades culturais – ao mesmo tempo que há uma crise humanitária em Xijiang que afecta a comunidade muçulmana.

De salientar que no domingo, 22 de setembro, se comemorou outra efeméride: um ano sobre o “acordo” entre a RPC e o Estado do Vaticano, que pretende concorrer para a unidade da comunidade católica chinesa. Até então havia a Igreja Católica reconhecida pelo regime, vulgarmente denominada de Patriótica, com 60 bispos, e a Subterrânea, com 30, fiel à Santa Sé e não aceite pelo regime. Segundo as autoridades chinesas, há atualmente cerca de 12 milhões de católicos no país e 40 mil cristãos pertencentes a outras denominações. Neste contexto de “reconciliação eclesial”, o Global Times refere que quase um milhão de católicos no país se juntaram ao içar da bandeira nacional e à oração pelos 70 anos da RPC nas igrejas.

O bispo Ma Yinglin, que preside à Conferência Episcopal da Igreja “Patriótica”, referiu que quatro mil comunidades aderiram à iniciativa. Como excepcionalmente nesse domingo não houve missa na Our Lady of China Catholic Community, também não houve hastear de bandeira nem oração pelo futuro do regime.

 

Maria Almeida reside em Pequim e dedica-se à escrita

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Dez
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Qua
Apresentação do livro “John Henry Newman”, de Paolo Gulisano @ Capela do Rato
Dez 11@21:15_22:15

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Dez
14
Sáb
3º Concerto de Natal da Academia de Música de Santa Cecília @ Basílica do Palácio Nacional de Mafra
Dez 14@21:00_22:30

Entrada gratuita mediante o levantamento de bilhetes nos Postos de Turismo de Mafra e Ericeira

 

A Academia de Música de Santa Cecília, escola de ensino integrado de música, apresenta o seu terceiro concerto de Natal nos dias 14 e 15 de Dezembro, no Palácio Nacional de Mafra, classificado recentemente como Património Cultural Mundial da UNESCO.

Neste concerto participa um coro constituído por 250 crianças e jovens dos 10 aos 17 anos e uma orquestra de cordas de alunos da escola, a soprano Ana Paula Russo e ainda o conjunto, único no mundo, dos seis órgãos da Basílica de Mafra.

No programa estão representados vários compositores nacionais e estrangeiros, destacando-se a obra “Seus braços dão Vida ao mundo”, sobre um poema de José Régio, da autoria da jovem Francisca Pizarro, aluna finalista do Curso Secundário de Composição da Academia de Música de Santa Cecília.

O concerto assume especial importância não apenas pela singularidade do conjunto dos seis órgãos do Palácio Nacional de Mafra mas também pela dimensão do número de jovens músicos envolvidos.

A relevância do concerto manifestou-se em edições anteriores (2016 e 2017), pela sua transmissão integral na RTP2, tendo o concerto de Natal de 2017 sido difundido em directo para a União Europeia de Rádio. O concerto tem o patrocínio da Câmara Municipal de Mafra.

Programa do concerto

Arr. Carlos Garcia (1983)
Ó Pastores, Pastorinhos (tradicional de Alferrarede)

Francisca Pizzaro (2001)
Seus braços dão Vida ao mundo (sobre um poema de José Régio), obra em estreia absoluta, encomendada para a ocasião; Francisca Pizarro é aluna do curso secundário de Composição da AMSC

Arr. Fernando Lopes-Graça (1906-1994)
O Menino nas Palhas (tradicional da Beira Baixa)

Eurico Carrapatoso (1962)
Dece do Ceo (sobre um poema de Luís de Camões)

Arr. Carlos Garcia
Gloria in excelsis Deo (tradicional francesa) *

Franz Xaver Gruber (1787-1863) Arr. Carlos Garcia
Stille Nacht

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Alleluia, do moteto Exsultate, jubilate

Tradicional francesa
Quand Dieu naquit à Noël

Louis-Claude Daquin (1694-1772)
Noël X

Arr. Malcolm Sargent (1895-1967)
Zither Carol (tradicional da República Checa)

Tradicional do País de Gales
Deck the Halls

John Henry Hopkins Jr. (1820-1891); Arr. Martin Neary (1940)
We three Kings

Arr. Mack Wilberg (1955)
Ding! Dong! Merrily on High (tradicional francesa)

Arr. David Willcocks (1919-2015)
Adeste Fideles (tradicional), com a participação do público.

CANTORES E MÚSICOS
Ana Paula Russo, soprano

Ensemble Vocal da AMSC
Coro do 2º Ciclo da AMSC
Coros do 3º Ciclo e Secundário da AMSC

Orquestra de Cordas da AMSC
Pedro Martins, percussão

Rui Paiva, órgão da Epístola
Flávia Almeida Castro, órgão do Evangelho
Carlos Garcia, órgão de S. Pedro d’Alcântara
João Valério (aluno da AMSC), órgão do Sacramento Liliana Silva, órgão da Conceição
Afonso Dias (ex-aluno da AMSC), órgão de Sta. Bárbara

Carlos Silva, direcção da orquestra

António Gonçalves, direcção

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