Hospitalidade a refugiados em Portugal – um sinal de esperança

| 15 Mar 19

Encontro nacional das instituições anfitriãs da Plataforma de Apoio aos Refugiados em Coimbra ajudou a redefinir papel da plataforma no acolhimento e hospitalidade de refugiados em Portugal.

“Estamos ao serviço?” Ou, como reformulou no final do encontro o coordenador geral da PAR, André Costa Jorge: “Somos a sociedade civil, que papel queremos ter no contexto da hospitalidade em Portugal?” Esta pergunta, colocada pelo sucessor de Rui Marques na Plataforma de Apoio aos Refugiados, ajudou a redefinir a missão da PAR, hoje diferente da de 2015, quando a Plataforma nasceu: os meios são outros, o conhecimento adquirido e os processos estabelecidos são distintos, todavia o objetivo da Plataforma é o mesmo: “ser sinal do seu tempo para a sociedade portuguesa”. Sem dúvida, um sinal de esperança concreta.

O encontro da Fundação Bissaya Barreto, terça-feira, 12 de março, juntou instituições anfitriãs (IA) de todo o país e o secretariado técnico da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), num dia de balanço sobre o trabalho levado a cabo até ao momento e de apresentação dos próximos passos no acolhimento de refugiados em Portugal. Foi um dia intensivo de reflexão que revelou as especificidades da integração de pessoas refugiadas em cada região do país, mas sobretudo os pontos de convergência relativamente aos problemas e às soluções neste processo.

A parte da manhã foi dedicada à partilha de boas práticas entre as instituições de acolhimento e a tarde à preparação do futuro imediato, com o enquadramento do papel da PAR na política nacional e europeia de acolhimento – nomeadamente no que se refere ao programa de reinstalação de pessoas atualmente a viver na Turquia e no Egito.

No âmbito deste programa, em articulação com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Portugal comprometeu-se a acolher 1010 pessoas, até ao final de outubro de 2019. Há boas novidades relativamente ao anterior programa de acolhimento (Recolocação), em particular no que se refere ao processo de pedido e concessão de asilo, bem como ao conhecimento mútuo entre quem acolhe e quem é acolhido. Mas, no geral, os desafios são os mesmos no processo de integração das famílias para uma progressiva autonomia.

A PAR foi uma resposta da sociedade civil no momento auge de chegada de refugiados à Europa, em 2015, reunindo 350 organizações nacionais com um objetivo comum: acolher e integrar famílias com crianças em Portugal, a partir de um modelo transversal de proximidade que envolve as instituições e as comunidades locais. Desde 2016, no âmbito do eixo “PAR- famílias”, a PAR foi responsável, sozinha, por 40 por cento do esforço de acolhimento no país.

Mas, como ficou claro na reunião desta semana, tanto pela vontade demonstrada pelas IA como pela intervenção dos membros do seu secretariado técnico, a PAR não é um assunto fechado. Depois dos primeiros anos que implicaram uma ação de emergência, a PAR é agora uma organização mais madura, mais profissionalizada, mais estruturada, com um imenso capital de experiência que permite fazer cada vez melhor.

Lisboa, 13 de março de 2019

Inês Espada Vieira é coordenadora do acolhimento de refugiados na Paróquia de São Tomás de Aquino, Lisboa – PAR

Artigos relacionados

Breves

China

Repressão contra uigures não para

O município de Konasheher, no centro da região uigur chinesa (Xinjiang), detém, segundo um levantamento da Associated Press (AP), a maior taxa de prisão conhecida no mundo: mais de 10.000 uigures (um em cada 25 habitantes) estão presos, acusados pelos tribunais chineses de atos de terrorismo.

Entrada livre

Livro sobre Pemba apresentado em Braga

Fundada em 1957, a diocese moçambicana de Pemba tornou-se amplamente conhecida pela circunstância de, desde há anos, ter sido constantemente vítima do terrorismo. Um livro com a história da evangelização do seu território, intitulado Testemunhas de uma Memória Viva – História da Evangelização da Província de Cabo Delgado, é apresentado em Braga, no Centro Pastoral da Arquidiocese (Rua de São Domingos, 94 B), na próxima segunda-feira, 16 de Maio, às 17h00.

Iniciativa pela paz

“Não à guerra”, dizem as crianças de Braga

Cerca de um milhar de crianças que frequentam o 1.º ciclo de escolaridade em diversos estabelecimentos de ensino bracarenses participaram na tarde desta segunda-feira, dia 9 de Maio, no centro da cidade de Braga. numa acção de solidariedade e de homenagem às crianças ucranianas.

Boas notícias

Guerras, medos, esperas e outras histórias bizarras

Migrantes e refugiados contam vidas em teatro

Guerras, medos, esperas e outras histórias bizarras

E como se arruma a vida numa pequena mala se tivermos apenas uma hora para fugir das bombas? Porque temos de decidir deixar para trás a roupa nova, o colchão de yoga, o livro que se começou a ler? Como se pode trocar um dia de aniversário pelo dia de início de uma guerra que outros nos fazem? Porque não se pode, sequer, encenar o pequeno teatro que era costume fazer para os amigos nesse dia?

É notícia 

Entre margens

Sermos pessoas “Laudato Si’” sem esforço novidade

Há quase dois anos que em nossa casa deixámos de comprar iogurtes e começámos a fazê-los em casa. Um dia fizemos as contas e essa pequena mudança representa cerca de 1000 embalagens de plástico que deixámos de consumir. Se 1000 famílias fizessem como nós, seria 1 tonelada a menos de plástico. As grandes mudanças começam pelas pequenas.

Não quero senão novidade

Se aos olhos de alguém transpareço / noutros sorrisos me encontro / aprendi a voar nos abismos / da alma humana inacabada / entristecida de arrogâncias / falácias perpétuas sem rosto

A hermenêutica de Jesus (3): Jesus e as Parábolas

O ensino das sagradas escrituras na época de Jesus era uma prática comum entre o povo judeu. Desde cedo, os rabinos ensinavam às crianças a leitura e escrita da Torá e a memorizar grandes porções da mesma. Entre as várias técnicas de ensino, estava a utilização de parábolas.

Cultura e artes

Não quero senão novidade

Se aos olhos de alguém transpareço / noutros sorrisos me encontro / aprendi a voar nos abismos / da alma humana inacabada / entristecida de arrogâncias / falácias perpétuas sem rosto

Pré-publicação

Qual é a religião de Deus?

Na próxima quinta-feira, 19 de maio, será apresentado no Porto Todos Nós Somos Sendo (ed. Contraponto), o livro que completa uma trilogia de conversas entre frei Fernando Ventura e Joaquim Franco. O 7MARGENS antecipa um excerto da obra, na qual frei Fernando e Joaquim questionam: “qual é a religião de Deus?” 

[Os Dias da Semana]

“Os pássaros não são reais”

Uma entrevista concedida por um ex-agente da CIA, Eugene Price, tornaria credível uma acusação que, desde 2017, tinha vindo a ser amplamente difundida nos Estados Unidos da América por um movimento intitulado Birds Aren’t Real. Eugene Price corrobora que a CIA dizimou os pássaros do país, substituindo-os por imitações tecnológicas, drones emplumados cumprindo uma função de vigilância.

Filme no Dia Internacional

Aprender a “Viver Juntos em Paz” 

Em sintonia com os objetivos do Dia Internacional de Viver Juntos em Paz, que esta segunda-feira, 16 de maio, se celebrou, a organização Aliança das Civilizações, da ONU, lançou o filme All of Us [Todos nós], do realizador Pierre Pirard, em parceria com outras organizações internacionais.

Sete Partidas

Páscoa na Arménia

Quando andámos a filmar o ARtMENIANS em 2014, pudemos assistir ao #rito da Páscoa da Igreja Arménia: Domingo de Ramos em Etchmiadzin (o “Vaticano” da Igreja Arménia), e Domingo de Páscoa no mosteiro de Gelarde. Recomendo tudo: as celebrações, os cânticos antiquíssimos, a vivência da fé, os cenários. A alegria das crianças no Domingo de Ramos, a festa da ressurreição em Gelarde – e uma solista a cantar numa sala subterrânea, uma das primeiras igrejas cristãs do mundo. 

Visto e Ouvido

Igreja tem política de “tolerância zero” aos abusos sexuais, mas ainda está em “processo de purificação”

D. José Ornelas

Bispo de Setúbal

Agenda

[ai1ec view=”agenda”]

Ver todas as datas

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This