Violência religiosa

Houve 161 crimes contra cristãos na Índia nos primeiros 75 dias do ano

| 1 Abr 2024

Igreja destruída na Índia. Foto © Ismael Martinez Sánchez ACN

Entre os crimes registados contra cristãos na Índia desde o início do ano, inclui-se o incêndio de uma igreja  Foto © Ismael Martinez Sánchez/ACN

 

Nos primeiros 75 dias deste ano, até meados de março, houve 161 crimes cometidos contra cristãos indianos, revela um relatório do Fórum Cristão Unido (UCF, da sigla em inglês), organização que reúne várias igrejas cristãs da Índia. Mas estes dados podem pecar por defeito.

“Estes números baseiam-se apenas nas queixas registadas na nossa linha de apoio gratuita para denunciar incidentes de violência anticristã. Os números reais serão certamente muito mais elevados”, afirmou A.C. Michael, coordenador do UCF, à Catholic News Agency.

Entre os crimes registados, podem enumerar-se 71 casos de detenção/prisão pela polícia, 18 incidentes de ostracização social, 72 episódios de violência física, 15 casos de “reconversão” forçada, um incidente em que uma igreja foi selada e outro que resultou numa igreja incendiada. A violência das multidões faz parte da maioria destes incidentes, referiu aquele responsável.

“Sentimo-nos frustrados pelo facto de, apesar de documentarmos e tornarmos públicos os dados chocantes com regularidade, não ter havido qualquer resposta do Governo nem qualquer esforço para travar o aumento constante do número de incidentes violentos”, acrescentou Michael.

O relatório do UCF sublinha, de igual modo, a vitimização de cristãos no estado de Chhattisgarh, no centro da Índia, governado pelo Partido Bharatiya Janata (BJP), nacionalista hindu. No documento, referem-se “incidentes com a dignidade dos direitos de enterro negados às famílias cristãs”. Estes ataques contra os cristãos, reiterou Michael, têm origem na retórica anticristã dos líderes do BJP, partido chefiado pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

O documento destaca, também, a perseguição dos cristãos no norte do estado indiano de Uttar Pradesh, governado pelo BJP, que tem uma população de 231 milhões de habitantes e “ocupa o segundo lugar entre os estados onde os cidadãos indianos são perseguidos por praticarem o cristianismo”.

“Há provas claras de perseguição dos cristãos patrocinada pelo Estado [em Uttar Pradesh], uma vez que a polícia apresenta falsas alegações de conversão contra os pastores, mesmo por rezarem em festas de aniversário e outras reuniões sociais. A linha de apoio do UCF registou mais de 30 incidentes de prisões e detenções de pastores ao abrigo da Lei da Liberdade Religiosa”, refere o Fórum no relatório.

Entre os 161 crimes contra cristãos que o relatório descreve, 122 deles referem-se a casos de detenção ou prisão por falsas alegações de conversão.

Este relatório foi divulgado na véspera do Dia Nacional de Oração de 22 de março, convocado pela Conferência dos Bispos Católicos da Índia (CBCI) na sequência das crescentes atrocidades contra os cristãos e da polarização religiosa no país. Milhares de igrejas indianas realizaram orações especiais nesse dia, com celebrações, recitação do rosário ou via-sacras, em resposta ao apelo da CBCI à “paz e harmonia”.

A violência e a perseguição contra os cristãos minoritários, que representam apenas 2,3% dos 1,41 mil milhões de habitantes da Índia (quase 80% dos quais são hindus), têm vindo a aumentar constantemente desde que o BJP, nacionalista hindu, subiu ao poder sob a liderança do primeiro-ministro Narendra Modi, depois de vencer as eleições nacionais de 2014. Em maio de 2019, o BJP venceu de novo as eleições com uma maioria reforçada. Haverá novas eleições legislativas este ano, que decorrem em sete fases, entre 19 de abril e 1 de junho, sendo os resultados anunciados dia 4 de junho.

 

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