Tiananmen: Familiares continuam a pedir justiça, Macau e Hong Kong proibidas de assinalar data

| 4 Jun 20

Massacre Tianamen. China Um homem sozinho contra os tanques, a imagem icónica do massacre de Tiananmen, a 4 de Junho de 1989. Foto: Direitos reservados

 

Já passaram 31 anos sobre o massacre da praça Tiananmen, em Pequim, em que milhares de estudantes e cidadãos chineses foram mortos durante uma manifestação pacífica pela liberdade e democracia no país. Mas os familiares das vítimas continuam a pedir ao governo que por fim torne pública a informação sobre o que aconteceu e responsabilize os culpados pelos crimes cometidos. Esta quarta-feira, 3 de junho, alguns deles visitaram o cemitério de Pequim, para honrar a memória dos falecidos, mas as vigílias e outras iniciativas que habitualmente assinalavam o aniversário do massacre em Macau e Hong Kong foram proibidas pelo Governo, invocando razões de saúde pública.

O número exato de pessoas mortas no massacre continua a ser segredo de Estado, mas as Mães de Tiananmen, associação não-governamental constituída por mulheres que perderam os filhos naquela altura, já identificaram mais de 200. “No 31º aniversário do massacre de 4 de junho (…), não vamos esquecer a tragédia”, asseguram num comunicado divulgado segunda-feira, dia 1. “Com o passar do tempo, 60 pessoas entre as famílias do nosso grupo de vítimas morreram. O tempo pode apagar as nossas vidas, mas a determinação do nosso grupo na busca pela justiça não irá mudar. Continuamos fiéis às nossas três exigências: verdade, compensação e responsabilidade.”

Manifestação pró-democracia. Tianamen. China. 1989

Calcula-se que as manifestações de Abril e Maio de 1989 terão reunido pelo menos um milhão de pessoas, nos dias mais concorridos. A 4 de Junho, os tanques puseram ponto final na ilusão. Foto Wikipedia

Calcula-se que as manifestações de Abril e Maio de 1989 terão reunido pelo menos um milhão de pessoas, nos dias mais concorridos. A 4 de Junho, os tanques puseram ponto final na ilusão. Foto Wikipedia

Pela primeira vez em 30 anos, as autoridades de Hong Kong e Macau não permitiram a realização da vigília e das habituais manifestações em memória das vítimas do massacre, justificando a decisão com os riscos de contágio da covid-19. Em Macau, muitos contestaram a decisão, considerando-a um ataque à liberdade de expressão e de manifestação, até porque a cidade do sul da China registou apenas 45 casos de covid-19, numa população de quase 700 mil habitantes, e neste momento não existem casos ativos.

Algumas organizações tentaram contornar a decisão. A Associação Novo Macau propôs a realização de mini-vigílias em grupos de cinco pessoas, mas mesmo assim o Corpo da Polícia de Segurança Pública não autorizou. Restaram as alternativas virtuais: a União de Macau para o Desenvolvimento, por exemplo, criou um grupo na rede social Telegram para o efeito.

Em Hong Kong, apesar das proibições, milhares de cidadãos reuniram-se em Victoria Park, onde tradicionalmente se realizam as manifestações. Os manifestantes retiraram as barreiras instaladas pela polícia, que tentou dispersá-los e efetuou diversas detenções. Um quadro que, nas últimas semanas, tem sido comum, com a sucessão de manifestações contra a lei de segurança que o Governo de Pequim aprovou para o território, como o 7MARGENS noticiou há dias

 

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