Iconografia cristã primitiva, nascida no confinamento

| 3 Mai 20

A edição em português de Os Primeiros Cristãos – as histórias, os monumentos, as figuras, da autoria do historiador italiano Fabrizio Bisconti, constitui um acontecimento muito significativo. Magnificamente apetrechada de imagens ilustrativas, a obra conduz o leitor na descoberta da arte cristã primitiva, presente em catacumbas, monumentos e vestígios arqueológicos.

O livro reúne uma numerosa coletânea de breves artigos publicados no L’Osservatore Romano, assegurando assim o seu carácter divulgativo e não excessivamente técnico. Centrado no âmbito italiano, o autor dá a conhecer o trabalho de fundo que é realizado na área da arqueologia do património cristão dos primeiros séculos, interpretando os vestígios e imagens vindas à luz.

O culto dos mártires e dos santos, a vida quotidiana dos cristãos, os monumentos fúnebres e rituais, as práticas batismais e a evocação dos episódios bíblicos constituem a riqueza que alimenta este património. O leitor poderá assim fazer uma bem acompanhada viagem aos primeiros séculos da vida cristã ocidental, descobrindo, nos vestígios deixados pelas primeiras famílias e comunidades eclesiais, as semelhanças e os testemunhos da comum fé, esperança e vocação à caridade.

“O tema largo e envolvente de todo o volume abraça e evoca a vida dos primeiros cristãos, daquele ‘povo’ primeiro invisível, ou melhor, oculto no habitat ‘pagão’ da Antiguidade Tardia e depois bem presente e julgado pela sua história, na sua organização, nas suas atividades profissionais, na conceção da família, da vida, da morte, do culto, dos ritos e da ideia do Além. […] Tudo isto nos mostra uma sociedade de fiéis ‘iguais e diferentes’, no sentido que, vivendo no seu tempo, aspiram a um mundo que não é só o horizonte da vida terrena.”

Em tempo de doença e de confinamento sanitário – exercício de paciência –, não deixa de ser significativo que muita da arte cristã primitiva surge nos pequenos espaços confinados nos quais as comunidades se reuniam, ainda antes das grandes basílicas públicas. Desses espaços destacavam-se as sepulturas dos mártires e dos santos, aos quais se reuniam os túmulos dos cristãos. Em atitude orante, de mãos levantadas, a iconografia cristã primitiva pode, ela também, ensinar-nos algo sobre a esperança.

 

Os primeiros cristãos – as histórias, os monumentos, as figuras, de Fabrizio Bisconti
Edição: Paulus, 400 páginas

[related_posts_by_tax format=”thumbnails” image_size=”medium” posts_per_page=”3″ title=”Artigos relacionados” exclude_terms=”49,193,194″]