Idosos descartáveis

| 5 Jul 2022

Segundo a OMS, um em cada seis idosos é vítima de algum tipo de violência. Foto © Miguel Veiga.

 

Este ano, o Dia Mundial de Consciencialização da Violência Contra a Pessoa Idosa (15 de Junho) teve como lema “calar é ser cúmplice”. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um em cada seis idosos é vítima de algum tipo de violência. Diante desta brutal realidade, todos nos devemos interrogar a respeito deste fenómeno, muito conhecido no nosso país. Muitas vezes, ficarmos calados é consentir e fechar os olhos às vítimas de agressões. Quantas vezes estas ocorrem ao nosso lado sem darmos por isso, muitas vezes por familiares dos mesmos idosos. É altura de nos interrogarmos sobre a questão premente de Como envelhecem os portugueses (2020), título do livro da docente Maria João Guardado Moreira, professora do Politécnico de Castelo Branco que escreveu esta obra para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que nos ajuda a tratar este vasto tema, de tão grande importância. Segundo a ONU, é um assunto a não olvidar, mas deve-se encarar de frente, com medidas atempadas e eficazes que podem ajudar a evitar comportamentos desviantes, face ao cuidar dos idosos.

Segundo a autora, a probabilidade de podermos sofrer algum tipo de discriminação, por causa da idade, é uma realidade. Porque, de um modo geral, felizmente, todos vamos envelhecendo e podemos, em qualquer altura da nossa vida, virmos a sofrer alguma discriminação ou mesmo qualquer tipo de violência, física ou moral. As estatísticas são bem elucidativas: revelam-nos que 1,2 milhões de pessoas em 2025 vão ter mais de 60 anos. E, em Portugal, segundo as mesmas, mais de 80% dos crimes contra idosos são referentes a violência doméstica. E dizem-nos ainda que a maioria é cometida pelos filhos das próprias vítimas. Podem ser abusos de vários tipos ou simplesmente fruto de negligência. Esta realidade não é uma atitude muito longínqua, mas pode bem encontrar-se à nossa porta sem que dela tenhamos conhecimento. Por vezes, somos cidadãos distraídos com o que se passa à nossa volta. Não é raro lermos nos jornais e ouvirmos nas televisões que nos hospitais acontecem casos em que há pessoas idosas que não podem ou não querem de lá sair, porque lhes falta o conforto de uma família que os receba.

Nos últimos anos, a violência contra os idosos em Portugal, revelam as estatísticas, mais do que duplicou. Estes números podem não nos mostrar toda a realidade, mas são já um sintoma de que algo está mal. Mitos dos crimes ficam no segredo dos deuses.

E como percepciona a sociedade portuguesa este problema? Em 2008, 61% da população portuguesa, inquirida num inquérito europeu, referiu que a discriminação pela idade era um problema muito ou bastante sério e só cerca de 5% disseram ser um problema que não existe no nosso país. Portugal era aliás o quarto país onde a percepção da gravidade da discriminação era maior – depois da França, Inglaterra e Roménia. Por outro lado, 17% dos portugueses indicavam que já tinham sentido alguma forma de discriminação por causa da idade, maltratados, insultados, vítimas de vários abusos. Mas era entre os mais velhos que mais se fazia sentir a discriminação: quase 21% das pessoas, entre os 65 e 70 anos e perto de 32% dos que tinham mais de 80 anos, já sentiram que tinham sido discriminados por causa da idade. Esta discriminação passava pelos maus-tratos, insultos, abuso ou recusa de serem atendidos em determinados serviços. Uma das formas extremas de discriminação é o abuso que pode assumir contornos de violência física, psicológica/emocional, abuso sexual, violência económica, negligência e abandono.

Segundo um recente relatório da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), cerca de 28% das pessoas idosas vítimas de crime e de violência, sinalizadas por esta associação, tinham entre 65 e 69 anos, sendo maioritariamente mulheres. Os agressores foram, predominantemente, do sexo masculino.

Segundo o último senso, por cada cem jovens, existem 182 idosos que representam mais de um quarto da população residente no nosso país. Não devemos deixar de ter em conta esta realidade se quisermos implementar medidas urgentes e eficazes para fazer frente a esta realidade que nos deve interrogar. Ignorar os problemas que daqui decorrem nunca poderá ser uma maneira razoável de enfrentarmos esta cruel realidade. Se a violência é sempre inaceitável, em qualquer idade que for praticada, nos idosos torna-se mais chocante e injusta para tantos que deram ao país uma vida inteira de trabalho. Não os devemos descartar, mas tratá-los como pessoas.

Florentino Beirão é professor do ensino secundário. Contacto: florentinobeirao@hotmail.com

 

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