Francisco aos vaticanistas

Igreja “ainda tem um caminho a percorrer para comunicar melhor”

| 22 Jan 2024

Encontro do Papa com os vaticanistas, 22 janeiro 2024. Foto Vatican Media

Francisco agradeceu em especial pela “delicadeza” com que os vaticanistas têm tratado os “escândalos da Igreja”. Foto © Vatican Media

 

O Papa recebeu esta segunda-feira, 22 de janeiro, pela primeira vez, em audiência, os jornalistas com acreditação permanente na Sala de Imprensa da Santa Sé, que integram a Associação Internacional de Vaticanistas e habitualmente o acompanham nas viagens apostólicas. Neste encontro inédito, Francisco fez questão de agradecer-lhes pela paciência, perseverança e delicadeza com que têm desenvolvido o seu trabalho, e reconheceu que a Igreja Católica “ainda tem um caminho a percorrer para comunicar melhor: primeiro com o testemunho e depois com as palavras”.

Logo no início do seu discurso, o Papa dirigiu-se carinhosamente aos cerca de 150 jornalistas, operadores de imagem e produtores de média presentes como “companheiros de viagem” e manifestou a sua gratidão “não apenas pelo que escrevem e transmitem, mas também pela perseverança e paciência em acompanhar todos os dias as notícias que chegam da Santa Sé e da Igreja, relatando uma instituição que transcende o ‘aqui e agora’ e as nossas próprias vidas”.

“Obrigado também pelos vossos sacrifícios em seguir o Papa pelo mundo e por trabalharem com frequência, mesmo aos domingos e feriados. Peço-lhes desculpas pelas vezes em que as notícias que me dizem respeito, de diferentes maneiras, os afastaram das vossas famílias, de brincar com os vossos filhos, e também vos tiraram o tempo de para estarem com os vossos maridos ou esposas”, sublinhou Francisco.

Depois, agradeceu em especial pela “delicadeza” com que os vaticanistas têm tratado os “escândalos da Igreja”: “tantas vezes vi em vós uma enorme delicadeza, um respeito, um silêncio eu diria ‘envergonhado’, obrigado por essa atitude”, afirmou, reconhecendo o esforço que estes profissionais têm feito para manter um olhar “que sabe ver por trás da aparência, que sabe apreender a substância, que não quer ceder à superficialidade dos estereótipos nem às fórmulas pré-fabricadas de informação-espetáculo”.

Para Francisco, o trabalho dos vaticanistas deve assentar “na rocha sólida da responsabilidade na verdade e não nas areias frágeis da tagarelice e das leituras ideológicas; consiste em não esconder a realidade nem mesmo as suas misérias, sem adoçar as tensões, mas ao mesmo tempo sem fazer ruídos desnecessários e sempre tentando captar o essencial, à luz da natureza da Igreja”.

Assim, o Papa encorajou os profissionais presentes a “continuar nesse caminho que sabe unir a informação à reflexão, o falar ao escutar, e o discernimento ao amor”.

Até porque, lembrou, “ser jornalista é uma vocação, um pouco como a de um médico, que escolhe amar a humanidade curando as suas doenças. De certa forma, o mesmo acontece com o jornalista, que escolhe tocar as feridas da sociedade e do mundo”.

E deixou um desafio a todos: “desejo que voltem às raízes dessa vocação, que se lembrem dela, que se lembrem do chamamento que os une numa tarefa tão importante. Quanta necessidade de conhecer e contar, por um lado, e quanta necessidade de cultivar um amor incondicional pela verdade, pelo outro!”.

No final, cada um dos presentes teve oportunidade de saudar pessoalmente o Papa. “Olha a portuguesa!”, disse Francisco, sorridente, quando chegou a vez da jornalista da Renascença, Aura Miguel. Há 35 anos, desde 1989, que aquela rádio mantém acreditação permanente na Sala de Imprensa da Santa Sé.

 

Uma exposição que é “um grito de alerta e de revolta” contra a perseguição religiosa

No Museu Diocesano de Santarém

Uma exposição que é “um grito de alerta e de revolta” contra a perseguição religiosa novidade

Poderá haver quem fique chocado com algumas das peças e instalações que integram a exposição “LIBERDADE GARANTIDA” (escrito assim mesmo, em letras garrafais), que é inaugurada este sábado, 20 de abril, no Museu Diocesano de Santarém. Mas talvez isso até seja positivo, diz o autor, Miguel Cardoso. Porque esta exposição “é uma chamada de atenção, um grito de alerta e de revolta que gostaria que se tornasse num agitar de consciências para a duríssima realidade da perseguição religiosa”, explica. Aqueles que se sentirem preparados, ou simplesmente curiosos, podem visitá-la até ao final do ano.

“Tenho envelhecido de acordo com aquilo que sempre gostaria de ter feito”

“Tenho envelhecido de acordo com aquilo que sempre gostaria de ter feito” novidade

O 7MARGENS irá publicar durante as próximas semanas os depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Este primeiro texto inclui uma pequena introdução de contextualização do autor aos textos que se seguirão, bem como o primeiro de 25 depoimentos. De notar que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Dois meses e meio depois, está na hora de reconstruir

Mosteiro Trapista de Palaçoulo

Dois meses e meio depois, está na hora de reconstruir novidade

As obras de requalificação do Mosteiro Trapista de Palaçoulo já se iniciaram. Numa primeira fase, procedeu-se à retirada de escombros, pela mesma empresa que realizou a construção do mosteiro. Desde o fim do período pascal estão em andamento os processos de reconstrução, tendo estes começado por “destelhar a casa”. Em breve, esperam as irmãs, será possível “voltar a oferecer a hospedaria aos hóspedes”. 

A família nos dias de hoje e não no passado

A família nos dias de hoje e não no passado novidade

Quando dúvidas e confusões surgem no horizonte, importa deixar claro que a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, aprovada pelo Concílio Vaticano II nos apresenta uma noção de família, que recusa uma ideia passadista e fechada, rígida e uniforme. Eis por que razão devemos reler os ensinamentos conciliares, de acordo com a atual perspetiva sinodal proposta pelo Papa Francisco, baseada na liberdade e na responsabilidade.

Convento das Capuchas: “Cem anos depois, aqui estamos… a ver as maravilhas multiplicar-se”

Comprado pela Madre Luiza Andaluz, em 1924

Convento das Capuchas: “Cem anos depois, aqui estamos… a ver as maravilhas multiplicar-se” novidade

Um século volvido sobre a compra do edifício do Convento das Capuchas, em Santarém, por Luiza Andaluz (fundadora da congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima) para ali acolher cerca de cem raparigas que haviam sofrido a pneumónica de 1918 ou que por causa dela tinham ficado órfãs… o que mudou? O 7MARGENS foi descobrir.

A Poesia na Rua

A Poesia na Rua novidade

“É preciso ajudar. Ajudar quem gostaria que a poesia estivesse na rua, que a alegria fosse um privilégio de todos. Ajudá-los contra os que lubrificam a máquina do cinismo e do ódio.” – A reflexão de Eduardo Jorge Madureira, na rubrica À Margem desta semana.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This