
A segunda sessão do 100.º Sínodo da Igreja Lusitana decorreu na Paróquia do Salvador do Mundo, em Vila Nova de Gaia. Foto © Igreja Lusitana – Comunhão Anglicana
Chegou ao fim o 100º Sínodo Diocesano da Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica, e os cerca de 50 participantes – clérigos e leigos – foram unânimes ao identificar prioridades para o futuro próximo: há que incentivar uma cada vez maior participação das mulheres no ministério ordenado, reforçar a sinodalidade, e ajudar aqueles que, em Portugal e no mundo, mais sofrem.
A votação a favor da ordenação de mulheres havia sido feita já no sínodo de 1991, mas “na altura a ênfase estava no acesso das mulheres ao presbiterado e não tinha ficado explícito nos cânones o acesso às três ordens do ministério ordenado para as mulheres, nomeadamente para o episcopado, portanto o que fizemos agora foi uma clarificação da tomada de posição do sínodo de 1991”, explica ao 7MARGENS o bispo Pina Cabral, responsável desta Igreja (que pertence à Comunhão Anglicana)
Sublinhando que “não há objeções de natureza teológica, bíblica ou eclesiológica a que tal aconteça”, Pina Cabral considera que esta clarificação é também “um modo de poder incentivar o compromisso das mulheres”. “Desde 1991, já tivemos várias ordenações de mulheres ao diaconato e ao presbiterado, e elas têm mostrado que dão um contributo particular em função dos seus dons e carismas próprios, enriquecendo o ministério ordenado fruto desses dons e carismas”, adianta o bispo, assegurando ainda que estas “têm sido muito bem acolhidas” em todas as comunidades.

Desde 1991, já houve várias ordenações de mulheres ao diaconato e ao presbiterado na Igreja Lusitana. Algumas delas marcaram presença neste Sínodo. Foto © Igreja Lusitana – Comunhão Anglicana
“O que diz respeito a todos por todos deve ser tratado”
Depois da sessão inaugural do 100º Sínodo da Igreja Lusitana – que decorreu em Lisboa no passado mês de fevereiro, na presença do arcebispo de Cantuária, Justin Welby, e que o 7MARGENS acompanhou – esta segunda sessão realizou-se de 30 de maio a 1 de junho, na Paróquia do Salvador do Mundo, em Vila Nova de Gaia.
Durante três dias, a cerca de meia centena de delegados foi acompanhada por diversos convidados, de igrejas e instituições nacionais e estrangeiras, nomeadamente o arcebispo anglicano de Dublin e bispo de Glendalough, Michael Johnson, e o bispo diocesano da Igreja Espanhola Reformada Episcopal, Carlos Lopez Lozano, bem como um representante da Conferência das Igrejas Protestantes dos Países Latinos da Europa, pastor Joel Guy, e uma representante da sociedade missionária USPG, Ella Sibley. De Portugal, estiveram presentes o bispo da Igreja Metodista, Sifredo Teixeira, e o bispo católico romano da diocese do Porto, Manuel Linda.
Este último dedicou a sua alocução ao tema da sinodalidade, que tem sido particularmente relevante para Igreja Católica Romana nos últimos anos, e que foi apresentado como “absolutamente central” para a Igreja Lusitana pelo bispo Pina Cabral. “A Igreja Lusitana sempre entendeu que todos os cristãos batizados são ministros da Igreja; uns chamados a exercer o seu ministério como leigos e outros a servir a Deus através do ministério ordenado. Na Igreja Lusitana e na tradição anglicana, todos os crentes são chamados a uma verdadeira partilha nos direitos e responsabilidades na Igreja de Cristo e ninguém deve ser excluído deste exercício (…) Segue-se o princípio de que ‘o que diz respeito a todos por todos deve ser tratado'”, afirmou no discurso com que abriu o Sínodo.
Durante o Sínodo, “a Igreja Lusitana procurou perceber-se enquanto igreja sinodal, o que vai para além da realização da reunião sinodal”, precisou ao 7MARGENS. “Nesse sentido, e também tendo em conta que no contexto ecuménico a Igreja Católica Romana também está com um processo ligado à sinodalidade, procurou-se refletir o que significa ser uma igreja de eclesiologia sinodal… precisamente para reforçar a sinodalidade à luz de novos desenvolvimentos eclesiológicos e ecuménicos”, acrescentou.
E porque “faz parte da tradição sinodal a Igreja não só refletir sobre os seus assuntos internos, mas também ter uma voz para o mundo, sustentada no principio de que é a igreja de Deus para o mundo de Deus”, durante esta assembleia foram ainda aprovadas propostas de apoio e solidariedade para com as vítimas da guerra da Ucrânia, para com a diocese anglicana de Jerusalém, e para com a diocese meridional da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, na sequência das cheias no Rio Grande do Sul. “Entendeu-se, tendo em conta estes problemas sensíveis que se estão a viver no mundo, expressar solidariedade e ao mesmo tempo um compromisso para com essas realidades, que se traduz na oração, na ajuda material, e no apoio económico”, sublinha o bispo Pina Cabral.
Entre os assuntos debatidos no Sínodo, incluíram-se ainda os relacionados com o trabalho de missão, de representação ecuménica nacional e internacional, de desenvolvimento da Rede Lusófona da Comunhão Anglicana (Igrejas anglicanas de língua oficial portuguesa), e de apoio ao trabalho específico da juventude. Foi também lançado um apelo à participação nas eleições europeias deste domingo, 9 de junho.









