As Jornadas Pastorais dos bispos católicos de Portugal, desta vez alargadas a outros responsáveis, que esta quarta-feira terminaram em Fátima, defendem “uma presença mais ativa da Igreja nos debates públicos, com uma linguagem acessível, enraizada no Evangelho e incarnada na vida concreta do povo”.
Sob o título “Uma Igreja que caminha em sinodalidade”, o documento conclusivo dos três dias de trabalhos frisa que essa sinodalidade – um novo modo de ser Igreja – “está viva em Portugal, em processo e em construção” e aponta varias medidas e objetivos a pôr em prática nos próximos tempos, desde logo tendo como objeto o próprio funcionamento da Conferência Episcopal (CEP) que, de acordo com as conclusões, “apontam para uma verdadeira conversão institucional”.
A primeira área de preocupações enunciada é importância crucial da comunicação: pautada pela qualidade, pela clareza e pela proximidade. Outro ponto centra-se na urgência de maior transparência e prestação de contas, nomeadamente através da elaboração de relatórios acessíveis.
Foi ainda proposta a “simplificação das estruturas existentes e a revisão dos estatutos [da CEP], com uma aposta clara na constituição de equipas integradas, que conjuguem diversas vocações, experiências e saberes da vida eclesial, valorizando tanto as competências técnicas como a maturidade espiritual”.
Tudo isto passará pela “necessidade de se delinearem linhas programáticas comuns para a ação pastoral da Igreja em Portugal, após um processo de escuta sinodal das dioceses”, bem como pela prática da cultura da avaliação, tida por “elemento essencial de maturidade institucional: avaliar para crescer, escutar para corrigir, discernir para decidir em comunhão”.
“Estamos a aprender a caminhar juntos, a escutar com mais profundidade, a discernir com o coração e a decidir com humildade”, acrescenta o comunicado final.
As Jornadas tiveram início na segunda-feira, com a participação de bispos, mas também de representantes das equipas sinodais diocesanas, dos órgãos nacionais da CEP, bem como membros dos movimentos e dos institutos religiosos e seculares. Tiveram início com uma conferência de abertura, proferida pelo bispo Alexandre Palma sobre “Teologia e espiritualidade sinodal”.
O conferencista apontou seis dimensões essenciais da sinodaliade: “a dimensão teológica trinitária, que reconhece a Igreja como comunhão a partir da própria comunhão de Deus; a dimensão batismal, que sublinha a dignidade e a corresponsabilidade de todos os fiéis; a dimensão escatológica, que impele a Igreja a uma conversão permanente; a dimensão histórica, que a convida a discernir os sinais dos tempos; a dimensão missionária, que recorda que todos são enviados; e a dimensão ecuménica, que apela à reconciliação e à unidade”.
A partir daí os trabalhos decorreram em grupos que acrescentaram outros aspetos e dimensões, como a dimensão mariana, a dimensão estética e litúrgica, a pastoral, a comunitária, a ministerial, a contemplativa, entre outras.
Os trabalhos das jornadas prosseguiram com uma reflexão em pequenos grupos, sobre a implementação do processo sinodal nas dioceses, no âmbito dos quais foram partilhadas “experiências, avanços e desafios vividos em cada realidade local”.
Dessa reflexão concluiu-se que “todas as dioceses estão envolvidas no caminho sinodal, com ritmos e metodologias próprias”; que é generalizada a prática da “conversação no Espírito”; e que “os conselhos pastorais foram e estão a ser revalorizados como espaços de corresponsabilidade eclesial”.
Contudo, foi assinalada a necessidade de “formar leigos, clero e consagrados para a missão, em jeito sinodal” e sublinhadas “várias dificuldades: resistências culturais, falta de tempo e de meios, dificuldades de comunicação e cansaço institucional”.
Na mesma linha, notou-se “a necessidade de se envolver mais efetivamente os jovens, os mais afastados e aqueles que estão à margem das estruturas eclesiais”, bem como de “reforçar a sinodalidade nos seminários, nos itinerários catequéticos e nas estruturas de governo pastoral”.










