A Igreja Católica em Portugal recebeu, até ao dia 31 de agosto, um total de 83 pedidos de compensação financeira devido a alegadas situações de abusos sexuais perpetrados por clérigos ou leigos no seu âmbito. O Grupo Vita concluiu 94% dos pareceres e a Comissão de Fixação de Compensações irá entrar em funcionamento ainda neste mês de setembro. As informações foram adiantadas pela coordenadora do grupo, a psicóloga Rute Agulhas, em comunicado enviado ao 7MARGENS esta segunda-feira, 1 de setembro.
“Tal como previsto no Regulamento para a atribuição das compensações financeiras, o Grupo Vita integrou as Comissões de Instrução que avaliaram, até ao momento, 68 pessoas. Refira-se que, de entre o total de requerentes, dois não compareceram às entrevistas agendadas e dois deixaram de responder aos contactos para agendamento. Em três outras situações, decorreu um arquivamento liminar, atendendo a que a situação apresentada não se enquadrava no âmbito do Regulamento definido (por serem situações em que não ocorreu violência de natureza sexual ou, tendo ocorrido, foi perpetrada por leigo não enquadrado no contexto da Igreja Católica em Portugal)”, esclarece o comunicado.
Por avaliar estão, neste momento, os pedidos de sete denunciantes, que “requereram uma compensação financeira mais recentemente, e que serão agendados durante o mês de setembro”, acrescenta ainda o Grupo Vita.
Sobre as entrevistas realizadas, o comunicado refere que estas “têm decorrido de forma globalmente positiva, sendo que as pessoas denunciantes verbalizam sentir-se escutadas, acolhidas e validadas”, destaca o comunicado, referindo também que “a quase totalidade das pessoas avaliadas manifesta ainda concordar com uma apreciação casuística das situações, e não com um valor igual para todos”.
Já em declarações à agência Lusa, citadas pelo jornal Público desta segunda-feira, Rute Agulhas assinala que a maior parte das vítimas ouvidas “deixou de ter fé na igreja dos homens e continuam a acreditar muitas vezes em Deus e na fé católica, mas de uma forma diferente”. A coordenadora do Grupo Vita elogiou a decisão da Igreja de avançar com estas entrevistas e prever indemnizações.
E revelando que muitas das pessoas que ouviram “não foram abusadas apenas no contexto da Igreja, mas também abusadas no contexto familiar, no contexto da escola, no contexto do desporto”, a psicóloga avança que “muitas vezes a reflexão que estas pessoas fazem é de que foram abusadas em diferentes contextos e é da Igreja apenas que estão a sentir algum acolhimento”.
O Grupo Vita está a organizar um congresso inédito em Portugal, que terá lugar em Fátima no próximo dia 27 de novembro, dedicado ao tema “Da Reflexão à Ação: O Papel da Igreja Católica na Prevenção e Resposta à Violência Sexual”. A iniciativa irá reunir diferentes membros da Igreja, especialistas, investigadores e profissionais de diferentes áreas, nacionais e internacionais, para uma reflexão crítica, diálogo interdisciplinar e compromisso prático em relação a este tema [ver 7MARGENS].
O organismo pode ser contactado através da linha de atendimento telefónico (91 509 0000) ou do formulário para sinalizações, disponível no site www.grupovita.pt.










