Igreja Católica retoma celebrações na segunda-feira, dia 15

| 12 Mar 21

Evangélicos também irão reabrir progressivamente as suas celebrações; no Vaticano, o Papa aguarda as decisões que o Governo italiano pode tomar esta sexta-feira, 12.

Missa de Natal, Fátima

As missas com a presença de fiéis voltam a ser possíveis a partir de 15 de Março. Foto © Santuário de Fátima

 

O conselho permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) decidiu que as celebrações da eucaristia poderão ser retomadas a partir da próxima segunda-feira, 15 de Março, a par com o reinício de algumas actividades públicas e económicas hoje deliberado pelo Governo. No entanto, procissões e vários ritos e tradições das celebrações da Semana Santa e da Páscoa devem ser evitados, dizem os bispos.

No comunicado divulgado ao início da noite desta quinta-feira, 11 – pouco antes da comunicação do primeiro-ministro, onde António Costa apresentou o plano de reabertura das actividades no país –, os bispos dizem que reflectiram sobre a actual situação de pandemia. Em consequência, decidiram que as celebrações com presença de assembleia “sejam retomadas a partir do dia 15 de Março, observando as orientações” da própria CEP, de Maio de 2020, “em consonância com as normas das autoridades de saúde”.

Já em Janeiro os bispos anunciaram a decisão de suspender as celebrações praticamente em simultâneo com a decisão do Governo de encerrar as escolas – tem havido contactos entre o Governo e a CEP, e um dos bispos auxiliares de Lisboa tem participado nas reuniões do Governo com os peritos de saúde e os parceiros sociais.

Na celebração de outros sacramentos para além da missa, os bispos recomendam o respeito pelas normas de segurança e de saúde referidas nas mesmas orientações. No plano apresentado pelo primeiro-ministro, há referências à celebração de casamentos e baptizados, mas depreende-se que está em causa apenas a dimensão festiva e não religiosa de tais celebrações: o Governo prevê que, a partir de 19 de Abril, baptismos e casamentos possam ser feitos com 25% da lotação – não está dito, mas retira-se a ideia que se refere aos espaços onde as festas decorram; duas semanas depois, a partir de 3 de Maio, esse limite já pode ser de 50%.

Os bispos dizem ainda que devem ser evitadas procissões e outras expressões da piedade popular como a “visita pascal” ou a “saída simbólica” de cruzes, que se verificou no ano passado em vários locais, “de modo a evitar riscos para a saúde pública”.

Para o mais imediato que significa a celebração da Semana Santa e da Páscoa – que no ano passado também não pôde acontecer, uma vez que o país tinha entrado em estado de emergência dias antes –, os bispos dão ainda diversas indicações, que basicamente seguem as orientações emanadas pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, do Vaticano, há menos de um mês.

No Domingo de Ramos, que recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, e em que normalmente se fazem pequenas procissões com os fiéis a levarem ramos de oliveira, recomenda-se que cada pessoa tenha já o seu ramo e que se evitem os ajuntamentos; na Quinta-feira Santa, sugere-se a omissão do rito do lava-pés. Finalmente, na Sexta-Feira Santa, o gesto da adoração da Cruz fica limitado ao presidente da celebração.

No comunicado, os bispos dizem ainda que avaliarão, na sua assembleia plenária de 12-15 de Abril, as orientações agora definidas, em função da evolução da pandemia. Para já, não se fala nas sessões de catequese infantil, que está praticamente suspensa por todo o lado.

 

Evangélicos reabrem, Papa aguarda

No campo das igrejas e comunidades evangélicas – a segunda confissão mais importante do país –, que se organizam localmente e com autonomia, a situação deverá ser de uma progressiva reabertura e alargamento, diz ao 7MARGENS António Calaim, presidente da Aliança Evangélica Portuguesa (AEP).

Durante estes dois meses de quarentena, um bom grupo de comunidades evangélicas manteve apenas celebrações transmitidas por vídeo; em alguns casos, as comunidades mais pequenas continuaram a fazer celebrações presenciais, com menos gente e também transmitindo em directo por vídeo.

Agora, Calaim prevê que as diferentes comunidades comecem a admitir as celebrações e cultos presenciais, acompanhando a evolução das medidas governamentais para os diferentes sectores de actividade. Mas a escola dominical, o equivalente à catequese na Igreja Católica, seguramente só depois da Páscoa.

No Vaticano, o Papa espera também a possibilidade de retomar as audiências gerais das quartas-feiras com a presença de fiéis. Na segunda-feira, no voo de regresso a Roma depois da sua visita ao Iraque, Francisco confessou ter-se sentido, ao longo deste ano, “um pouco prisioneiro” e que ter estado, como aconteceu no domingo em Qaraqosh (Norte do Iraque), no meio do povo, o fez “reviver”.

“Sinto-me diferente, quando estou longe das pessoas nas audiências. Gostaria de recomeçar as audiências gerais o mais depressa possível”, afirmou aos jornalistas, no avião. No entanto, Francisco foi claro ao afirmar que espera as indicações governamentais e dos responsáveis do sector da saúde: “Esperemos que haja condições; nisto, sigo as normas das autoridades. São elas os responsáveis, e têm a graça de Deus para nos ajudar nisto. Têm a responsabilidade de estabelecer as normas. Gostemos ou não, mas os responsáveis são elas e assim devem proceder.”

O Governo italiano deverá decidir nesta sexta-feira as medidas a tomar para as próximas semanas. Nessa altura se ficará a saber como pode ser a celebração da Páscoa em Roma – logo, também em São Pedro e nas celebrações presididas pelo Papa.

 

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