
O bispo Matthew Hassa Kukah, 71 anos, lamentou a falta de apoio para lidar com a situação na região em apuros. Foto © Foursquare Gospel Church/@Bola Oguntade.
O aumento da violência na Nigéria, com cada vez mais gangues a realizar sequestros, muitas vezes visando padres, seminaristas e leigos com funções pastorais, está a “empobrecer” ainda mais a Igreja no país, que só na zona norte gastou recentemente mais de 30 milhões de nairas (cerca de 35 mil euros) em resgates.
A revelação foi feita pelo bispo Matthew Hassan Kukah, numa entrevista dada na semana passada à ACI África. “Muitas coisas aconteceram conosco em Sokoto [estado do noroeste do país]. Tivemos as nossas igrejas incendiadas, o assassinato de Deborah Emmanuel [uma estudante cristã nigeriana que foi assassinada por “blasfémia” por uma multidão muçulmana ], a nossa catedral quase foi incendiada e os meus padres [sequestrados] quase foram mortos”, disse o bispo Kukah. “Perdi um seminarista, perdi um padre; gastámos mais de 30 milhões de nairas, que não temos, para resgatar os nossos agentes pastorais dos sequestradores.”
Matthew Hassa Kukah, 71 anos, lamentou a falta de apoio para lidar com a situação na região em apuros, dizendo: “Não me lembro de ninguém de alguma parte da Nigéria me ter telefonado para dizer ‘Bispo, soubemos do que aconteceu. O que podemos fazer, há alguma maneira de ajudarmos, você está seguro?'”. E acrescentou: “Somos todos parte de um corpo, quando uma parte dói, o resto do corpo dói, mas nós, no norte da Nigéria, temos a sensação de que estamos a sofrer sozinhos”.
A nação da África Ocidental tem vivido, desde 2009, uma insurgência de ataques do Boko Haram, um grupo que alegadamente pretende transformá-la num país islâmico. Um relatório do observatório nigeriano Intersociety, divulgado em abril deste ano, dava conta de que mais de cinco mil cidadãos foram mortos em 2022 na Nigéria por serem cristãos e estes massacres prosseguiam este ano, tendo provocado 1.041 vítimas só nos 100 primeiros dias de 2023. [ver 7MARGENS]









