AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

conferência em que foram apresentados e refletidos alguns resultados do 2º Relatório Europeu sobre o Estado da Equidade em Saúde, em Roma. Foto DR
A iniciativa coube ao Conselho das Conferências Episcopais da Europa e ao departamento europeu da Organização Mundial de Saúde. Foto: Direitos reservados

Conferência com OMS em Roma

Igreja Católica envolve-se no combate às desigualdades nos cuidados de saúde

| 18/03/2026

Foi sob o signo da pergunta “Hoje quem é o meu próximo?” que decorreu esta quarta-feira, em Roma, uma conferência em que foram apresentados e refletidos alguns resultados do 2º Relatório Europeu sobre o Estado da Equidade em Saúde. Num encontro havido com os participantes, o Papa Leão XIV afirmou que “cuidar da humanidade dos outros ajuda-nos a viver a nossa própria humanidade”.

A iniciativa coube ao Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) e ao departamento europeu da Organização Mundial de Saúde (OMS), com a colaboração da Pastoral da Saúde do episcopado italiano e da Pontifícia Universidade Lateranense. O relatório da OMS-Europa, em que participaram 30 países, só em junho próximo será formalmente apresentado, tendo sido avançados, na conferência, em Roma, alguns dados, pela chefe do escritório da OMS-Europa, Christine Brown.

Um dos primeiros quadros por ela apresentados expõe as cinco condições que explicam porque é que muitos europeus não podem ter uma vida saudável e próspera. Além da desigualdade de acesso a cuidados de saúde de qualidade e da pouca qualidade da habitação e das zonas de residência, pesam bastante três fatores: dificuldade de arranjar emprego ou de conseguir condições de trabalho decentes, que se faz sentir sobretudo em grupos etários mais jovens, e insegurança financeira e fracos níveis de educação, confiança e sentimento de pertença, aspetos que se agravam à medida que as pessoas envelhecem.

Sobre as condições de desenvolvimento das crianças até à entrada na escola (até aos cinco anos), os dados indicam que as meninas e meninos que vivem em famílias com dificuldades financeiras apresentam níveis mais elevados de insatisfação com a vida do que as crianças que vivem em famílias com melhores condições económicas, além de terem mais probabilidade de não frequentar educação pré-escolar.

Christine Brown citou o caso da Hungria, em que uma significativa percentagem de crianças de meios pobres vão para a escola “com fome”, ou seja, sem tomar o pequeno almoço. Por outro lado, mostrou gráficos que mostram como transferências sociais e assistência social à família podem contribuir para a redução da pobreza entre as crianças. Indo mais longe, a especialista frisou algo que esteve presente em várias intervenções ao longo da sessão: quando as instituições de saúde e sociais cooperam entre si localmente, envolvendo os pais e as famílias, mas também voluntários e organizações de base comunitária, isso revela-se vital para uma vida mais saudável de crianças e adolescentes.

“O investimento na saúde das gerações mais jovens faz crescer a sua participação no emprego e reduz os riscos de exclusão social”, salientou Brown, enfatizando que se trata de facto de “investimento”, e não de gasto.

Para os grupos etários mais avançados, o problema da solidão e isolamento social parece ser o que mais afeta a faixa dos 65-74 anos, sobretudo os que são mais pobres. No grupo dos acima de 74 anos, pesa bastante a pobreza e incapacidade de fazer frente às necessidades do dia a dia, tendo subido em cerca de 40 por cento dos países europeus.

Uma vida de qualidade entre a população mais idosa “é possível através de boas medidas de saúde pública e de apoio social, recorrendo a novos modelos. Brown referiu que a Itália tem feito caminho interessante neste terreno e fez notar que investimento nesta frente pode significar até 30 por cento de redução no recurso às urgências hospitalares, entre outras vantagens para a qualidade de vida dos seniores.

No encontro que tiveram com o Papa, os participantes ouviram-no referir que em muitas nações “as desigualdades no domínio da saúde estão a aumentar: menos pessoas podem beneficiar dos serviços disponíveis” e que é “urgente dirigir o olhar para a saúde mental das pessoas, em particular dos jovens, porque as feridas invisíveis da psique não são menos graves do que as visíveis”.

No encontro que tiveram com o Papa, os participantes ouviram-no referir que em muitas nações “as desigualdades no domínio da saúde estão a aumentar:

No encontro que tiveram com o Papa, os participantes ouviram-no referir que em muitas nações “as desigualdades no domínio da saúde estão a aumentar. Foto © Vatican Media

“A saúde não pode ser um luxo reservado a poucos, mas é uma condição essencial para a paz social. Uma cobertura de saúde universal não é apenas um objetivo técnico a alcançar; é, antes de mais, um imperativo moral para as sociedades que se querem definir como justas”, alertou Leão XIV.

Pegando na pergunta que foi lema de toda a conferência, o bispo de Roma lembrou que “a distância, a distração, a habituação à visão da violência e do sofrimento alheio empurram-nos para a indiferença”.  Deste modo, “cada homem e mulher, em particular o cristão, é chamado a fixar o olhar naqueles que sofrem, na dor das pessoas sós, naqueles que, por várias razões, são marginalizados e considerados ‘descartáveis’, porque sem eles não poderemos construir sociedades justas, à medida da pessoa”.

Como dizia um dos palestrantes da conferência, o psiquiatra e psicoanalista Alberto Siracusano, importa que nos cuidados se tenha em conta, de forma equilibrada, o que definiu por “pobreza vital”, que integra todas as dimensões da vida humana e social; que se pense nos cuidados aos cuidadores; e que haja sempre a preocupação de não deixar ninguém para trás. Este último aspeto viria o moderador da sessão a considerá-lo uma excelente resposta à pergunta que guiou toda a conferência.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba

Ano jubilar-800 anos da morte (8)

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba novidade

O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This