A Comissão Justiça e Paz da Conferência Episcopal Espanhola publicou esta quinta-feira uma mensagem dirigida a todos os cristãos, pedindo-lhes que abandonem uma postura de “silêncio cúmplice” perante “tantas guerras em curso” no mundo e “especialmente na amada terra da Palestina”. Porque “permanecer indiferente é uma inconsistência total com o nosso cristianismo”, alerta o organismo da Igreja Católica de Espanha.
“Em Gaza, os idosos, as crianças e as famílias sobreviventes já morrem de fome. Não queremos Átila a vaguear pela Faixa de Gaza, não queremos bombas nem reféns, queremos justiça e paz para aqueles que vivem em Israel e na Palestina, queremos o pleno respeito por todos os direitos humanos em todas as terras por onde andou o nosso Senhor Jesus Cristo e em todo o mundo”, pode ler-se na mensagem.
A comissão insiste depois: “Não podemos esquecer nem ignorar quando os nossos irmãos e irmãs sofrem e morrem por causa das guerras”. Pelo contrário, defende o organismo católico espanhol, “devemos envolver-nos o mais possível neste esforço de reparação e exigir o fim da guerra como condição primordial e inevitável”.
E, unindo-se ao apelo que o Papa Leão XIV fez na passada quarta-feira, a Comissão Justiça e Paz afirma que “é urgente e inadiável pôr fim ao cerco à população, bem como ao ataque aos hospitais, ao bombardeamento da população civil, à destruição sistemática de infraestruturas e bairros e à negação de assistência humanitária, que constituem uma violação dos mais elementares direitos humanos e do direito internacional humanitário”. Tudo isto corresponde, diz a missiva, a “atos de ocupação equivalentes à limpeza étnica”.
E conclui ainda com mais algumas “exigências” concretas, nomeadamente “que a entrada de ajuda humanitária seja permitida sem restrições”, “que os líderes estatais continuem a impor sanções aos acordos com aqueles que não respeitam o direito internacional humanitário e cessem o rearmamento” e “que a guerra em Gaza seja terminada e seja iniciada a reconstrução das infraestruturas para uma vida digna do povo palestiniano no seu território”.
Em Portugal, não houve até ao momento um pronunciamento da parte da conferência episcopal ou da Comissão Nacional Justiça e Paz relativamente à situação na Faixa de Gaza. Segundo apurou o 7MARGENS junto do gabinete de comunicação da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), tal não está previsto para um futuro próximo. O gabinete assinalou, no entanto, que o presidente da CEP, o bispo José Ornelas, condenou, no final da peregrinação de maio ao Santuário de Fátima, a guerra na Faixa de Gaza, tendo pedido “paz para a Ucrânia, aquela cruel guerra que já dura há tanto tempo, paz para a terra de Jesus, a Palestina, onde mais de 35 mil pessoas já perderam a vida, e a maioria, escândalo dos escândalos, crianças e mães que não sabem o que fazer para ajudar e manterem em vida os seus filhos”.
Numa intervenção interrompida por aplausos dos fiéis, José Ornelas sublinhou que, “o pior de tudo” na Faixa de Gaza é, “que não se pode admitir, e proibir que chegue ajuda alimentar necessária para mais de um milhão de pessoas que estão a morrer de fome”. “Daqui da Cova da Iria apelamos à paz. [O conflito] É inconcebível para o coração de Deus, mas é inconcebível para um coração humano que isto esteja a acontecer no nosso mundo”, disse o presidente da CEP.
Quanto à campanha de angariação de fundos em favor das comunidades cristãs da Terra Santa atingidas pela guerra, que a CEP promoveu em todas as dioceses do país durante o tempo do advento e Natal em dezembro do ano passado, “os resultados nacionais serão, à partida, divulgados depois do Conselho Permanente de 17 de junho”, informou o gabinete de comunicação da conferência episcopal.










