Igreja Evangélica Alemã fretará navio para resgatar refugiados no Mediterrâneo

Nabil Minas, um sírio cristão, beija terra grega e chora de alegria, a 30 de Outubro de 2015. Minas atravessou o Mediterrâneo com o filho, vindos da Turquia, com um grupo de vários outros refugiados. Foto © Paul Jeffrey/WCC-CMI
A Igreja Evangélica Alemã irá enviar um navio suplementar para salvar pessoas no Mediterrâneo, no quadro de um vasto projecto social e considerando o “terrível balanço” do salvamento no mar. Com vários grupos de inspiração religiosa e organizações da sociedade civil, a EKD (a sigla da Igreja Evangélica em alemão) irá fundar uma associação para enviar o mais rápido possível o navio para as águas do Mediterrâneo.
O bispo Heinrich Bedford-Strohm, presidente do conselho da EKD, acrescenta que enquanto houver pessoas que procuram protecção a afogar-se no Mediterrâneo e a acção dos governos falhar, a Igreja Evangélica (luterana) fará os possíveis “para apoiar no mar o salvamento de civis”, disse, citado na página de notícias do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).
“Continua sem haver uma solução à vista e continua o fracasso da política”, disse ainda Heinrich Bedford-Strohm, ao anunciar a iniciativa tomada na reunião do conselho da EKD do passado dia 6. Além das várias organizações que aderiram à iniciativa, o bispo evangélico disse ainda esperar que também a Igreja Católica apoie a ideia.
Desde o início do ano, morreram já pelo menos 642 pessoas afogadas no Mediterrâneo, como recorda o ReligionDigital citando a Organização Internacional das Migrações.
Barbara Held, directora de operações da organização Sea-Eye, exemplifica: “As libanesas e os libaneses não têm alternativa senão procurar refúgio na outra costa do Mediterrâneo. Estas pessoas encontram-se numa situação extremamente perigosa em barcos sobrecarregados, mas a esperança de sobreviver a esse perigo é maior do que a perspectiva de nunca mais escapar à armadilha dos campos de detenção libaneses.”
Por isso, acrescenta, citada ainda na página noticiosa do CMI, salvar vidas é um dever e isso significa, de acordo com “o direito marítimo em vigor, que as pessoas em necessidade devem ser socorridas”. E essa responsabilidade não incumbe apenas à Itália e a Malta, os dois países mais próximos da Líbia, mas a toda a Europa.
Muitas ONG têm insistido com os governos e a União Europeia no sentido de apoiar a criação de vias legais de acesso a quem procura fugir da guerra e da pobreza, até agora sem sucesso. Pelo contrário: a política europeia continua a criar obstáculos a essas pessoas e nem sequer a recente saída do ministro Matteo Salvini do Governo italiano levou ainda a qualquer mudança de política.
A situação nos campos de detenção, denuncia Christoph Hey, é “medonha”; não há comida, as condições de higiene são deploráveis, as pessoas estão amontoadas num espaço exíguo e por vezes não podem sair durante dias seguintes, diz este antigo responsável de projecto dos Médicos Sem Fronteiras, citado pelo CMI.
As organizações que trabalham neste âmbito querem corredores humanitários seguros, um plano de urgência para os socorridos no mar e a criação de espaços de segurança, bem como a exclusão de qualquer repatriamento para a Líbia.
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