Igreja faz apelo urgente para evitar tragédia na Amazónia

| 19 Mai 20

indigena a usar mascara covid-19, foto Prefeitura de Manaus

Indígena com máscara: a covid, o aumento da violência e a devastação do território são alguns dos graves problemas denunciados pela Repam. Foto © Prefeitura de Manaus

A Rede Eclesial Pan-Amazónica (Repam) apelou esta segunda-feira a uma ação mundial concertada e urgente “a fim de evitar uma grande tragédia humanitária e ambiental” na Amazónia. Num comunicado assinado pelo cardeal brasileiro Cláudio Hummes e divulgado através do site da organização, todos são convocados a unir esforços em defesa daquela região, cada vez mais afetada, não só pela pandemia de covid-19, mas também pelo “aumento descontrolado da violência” e pela “devastação do território”.

O texto dirige-se à sociedade civil, diferentes igrejas, governos, organizações de defesa de direitos humanos, comunidade científica, artistas e a “todas as pessoas de boa vontade” sem exceção, chamando a atenção para um cenário de várias irregularidades vividas na região. Entre outras, insegurança alimentar, falta de coordenação na prevenção e combate à pandemia, ausência de ações de fiscalização, avanço na devastação das florestas, conflitos pela propriedade das terras.

“Uma força enorme de proporções nunca vistas está a devastar a Amazónia, em duas dimensões que se combinam de forma brutal: a pandemia do covid-19, atingindo corpos vulnerabilizados, e o aumento descontrolado da violência sobre os territórios. A dor e o grito dos povos e da terra fundem-se num mesmo clamor”, pode ler-se no comunicado da Repam.

De acordo com os representantes da Igreja Católica na região, este é “um momento decisivo para a Amazónia e para o mundo, tempo de gestação de novas relações inspiradas na ecologia integral, ou de definitivo enterro dos sonhos do Sínodo [da Amazónia]”.

No mesmo dia, a Repam, em coordenação com as Obras Missionárias Pontifícias, lançou uma campanha de solidariedade para “socorrer as necessidades dos povos amazónicos”. Os donativos serão encaminhados para as igrejas locais mediante as solicitações feitas pelas próprias dioceses.

No passado mês de abril, a Repam tinha já criado um mapa com o objetivo de mostar o impacto da pandemia entre os povos indígenas da Amazónia. Este trabalho, desenvolvido em colaboração com a Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazónica e atualizado diariamente, registava, este domingo, a existência de 70.455 casos e 4187 mortes por covid-19 na região, que se estende por nove países, entre os quais o Brasil, a Colômbia, a Venezuela e o Peru.

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