A Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica decidiu este sábado, conjuntamente com a Igreja Espanhola Reformada Episcopal, a sua congénere no país vizinho, constituir uma Província Anglicana Ibérica, tendo 2030 como horizonte para a sua concretização, quando ambas celebram 150 anos das respectivas fundações e meio século da sua integração na Comunhão Anglicana.
A decisão foi tomada do Sínodo da Igreja Lusitana, que decorreu na catedral da Igreja Lusitana, em Lisboa, entre quarta-feira e sábado, além de surgir de uma vontade em “intensificar o desenvolvimento de novas realidades pastorais e de missão para o anúncio do Evangelho nos dois países ibéricos”, pretende sobretudo criar a condição canónica de plena participação das duas Igrejas na Comunhão Anglicana, como ficou expresso no comunicado final da reunião magna da Igreja Lusitana, na qual participaram três bispos da Igreja Episcopal de Espanha.
Para o bispo da Igreja Lusitana, Jorge Pina Cabral, a decisão agora tomada, além de significar um progresso no sentido de “uma eclesiologia mais fiel à unidade que Cristo desejou para os seus discípulos”, tem o mérito de promover, entre as comunidades ibéricas, “uma maior comunhão fraterna e uma missão mais coerente e eficaz”.
Esta deliberação significa, de facto, uma mais efectiva participação na grande família da Comunhão Anglicana, constituída por mais de 100 milhões de crentes. E conforme o comunicado da reunião sinodal da Igreja Lusitana, o actual estatuto das duas Igrejas (Portugal e Espanha) de “dioceses extra-provinciais”, sob a jurisdição directa do Arcebispado de Cantuária, limita “significativamente a voz e representação destas igrejas no mundo anglicano, impedindo-lhes a participação em estruturas de grande importância como as Reuniões de Primazes ou o Conselho Consultivo Anglicano”, além de significar uma restrição na sua autonomia ao fazer depender de Cantuária “alterações litúrgicas ou canónicas significativas”, como por exemplo a sagração dos respectivos bispos.
O Sínodo da Igreja Lusitana, que integra o clero e leigos delegados pelas comunidades, decidiu ainda “reafirmar o compromisso de trabalho com os migrantes enquanto expressão da Missão da Igreja”. No comunicado final sublinha-se mesmo preocupação pelo “aumento da hostilidade, denunciado os discursos de ódio e anti-imigração, bem como práticas xenófobas”.
O acompanhamento de imigrantes por parte de comunidades da Igreja Lusitana tem particularmente uma acção permanente, quer no acompanhamento na fase de legalização, com apoio de advogados, de ensino de português, ou ainda na procura activa de emprego. Nas paróquias de S. Paulo em Lisboa, de Vila Nova de Gaia e na Missão Magdala, em Praia de Mira, é realizada uma particular atenção a famílias mais vulneráveis no apoio à renda de casa, na distribuição de bazes alimentar e roupa, particularmente para as crianças. Paralelamente, a Missão de Praia de Mira promove em Coimbra, com apoio de uma médica angolana, o apoio a famílias com crianças com síndrome de Asperger (autismo).










