Igreja: não nos serve uma simples administração

| 29 Nov 2023

paroquia de nossa senhra da hora matosinhos sinodo foto dr

Paróquia de Nossa Senhora da Hora, preparação do Sínodo, Matosinhos. Foto DR

 

Falemos claro, sem personalizar ou localizar, mas pelo que acontece, quase sempre e em toda a parte, nos mesmos cargos, e nas mesmas circunstâncias. Intervenhamos numa atitude conventual, numa expressão que hoje praticamente não se usa e nem sei se se pratica, a chamada “correcção fraterna”.

Quero referir-me aos últimos acontecimentos, particularmente, na Igreja; novos Bispos sagrados e novos cardeais purpurados ou investidos e também novas colocações de Párocos.

Quero reflectir sobre o que fizeram, não tanto como pessoas, mas como Pastores de Pessoas para as quais aceitaram ser Pastores, como Primeira Missão, no apelo imperativo de Cristo, “vem e vê”; “vem e farei de ti pescador de homens” e no Seu imperativo directo e concreto: “Ide e ensinai”(Mt …. 28,19,20) e na constatação, reflexão de Pedro e a decisão colegial, Pastoral do Colégio Apostólico perante, na e com a Comunidade, dando origem ao diaconato (Act.6,3)

Em geral, como Pessoas, têm porte – neste caso, uns mais que outros- atitude, para serem Bons Pastores, para cujo serviço aceitaram o “Cajado” e como disse um veterano pastor da Serra da Estrela, “é melhor ser um bom pastor que ter um bom pasto.”

De todos se tecem elogios, e bem, e se salientam aspectos que qualquer leigo poderia e, em meu entender, deveria fazer, e talvez com mais e melhor eficácia, como sejam: assistência social, economatos, secretarias, directorias, eventos… para aqueles se dedicarem à Palavra, com referi atrás (Act.6,3)

Acredito que o tenham feito e, localmente, se saliente, mas eu não ouvi falar e salientar, nem na Comunicação social, o que fizeram, o que se diz, o que ficou do trabalho Pastoral,  e não tanto social, ou do género, em concreto; desde os últimos Papas, inclusive do Papa Francisco, os Bispos e cardeais se lamentam que ainda está por cumprir, o Concílio Vaticano II, o grande sismo da Igreja que abrangeu esta e, particularmente, o mundo inteiro, humana, social, internacionalmente. A Humanidade, a partir do Concílio, e, talvez por este influenciados – os Beatles, a moda, o relacionamento social e político e ecuménico – começou a ser diferente.

Da Exortação Apostólica da Evangelii Gaudium do Papa Francisco, assinada no dia 24 de novembro de 2013? Quem ainda se lembra? Talvez se lembrem das “periferias”, quase diria o exclusivo que dela ficou e que se citava em quase todas as missas, durante alguns meses, mas que nunca ouvi citar e pôr em prática o nº. 25 que diz: “as coisas não podem continuar como estão e, neste momento, não nos serve uma simples administração”. “Espero que todas as comunidades se esforcem por usar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento, não nos serve “uma simples administração”.

Se o Concílio foi o sismo que foi, esta Exortação foi a sua réplica. Que fizeram os Senhores Bispos, Suas Eminências, os Senhores Purpurados? O que consta nas Suas dioceses que deixaram e dos seus Párocos, nas sua Paróquias? Perdeu-se um bom guia, um oportuno programa para a concretização do Concílio e da renovação das Paróquias. Eu esperava que ao deixar os seus cargos para tomar posse de novos, estes aspectos fossem salientados e não as emoções da Imagem peregrina de Nossa Senhora através da diocese.

TODOS. O que fizeram para corresponder ao apelo gritante do Papa Francisco através do Sínodo? O pronome TODOS, além de ser muito repetido nos Evangelhos, a começar pelas palavras da Consagração, teve a sua expressão na convocação do Sínodo. E não devia ter a novidade, mas sim a força na JMJ que o Papa Francisco lhe incutiu…”porque TODOS são chamados a responder à pergunta, que Igreja queremos para o século XXI?”  Quem sabe o que é o Sínodo”? Ouvi as respostas: “que é isso”? “já ouvi falar”. Há muito tempo que o senhor padre falou nisso”. Ó Senhor padre, perguntei eu: tem algum plano pastoral sobre o Sínodo”? “Isso acabou! E sabe porquê? Foi um fiasco”- respondeu. Já, algures, escrevi, que é preciso esclarecer e distinguir este TODOS… do TUDO.

Se o Concilio Vaticano II foi um sismo, a Evangelii Gaudium foi a sua primeira réplica, o Sínodo é a sua segunda réplica ainda mais pronunciada, em Richter mais elevado. Mas o edifício do não te rales, do sempre assim foi – eu não fui habituado assim – o senhor bispo não disse nada, apenas sugeriu, do bem instalado, do placar ao fundo da Igreja, apenas com os horários das Missas, das confissões, de cartório, dos leitores, e das viagens e excursões é de tal modo consistente, que não é sentido.

O que fizeram de concreto, de Pastoral, os senhores Bispos e os purpurados?…O que disseram, após a eleição, a sagração, a tomada de posse? Ouvimos e lemos: “sem programa na manga, mas com sonhos”. Verdadeiramente poético! Mas nós precisamos de mangas arregaçadas e a concretização dos sonhos já sonhados: do Evangelho, do Concílio Vaticano II, da Evangelii Gaudium, do Sínodo, da Jornada Mundial da Juventude.

Também ouvimos e lemos, dias seguidos, e bem, referências às vítimas de abuso sexuais. Mas ao menos umas ideias, um esboço, um programa mínimo… não ouvi, não li. Qual é o Ministro que vai tomar posse nestes moldes?…

E que dizer da JMJ? Como se tomou conhecimento? Localmente, foi a novidade da passagem dos Símbolos, que de passagem foram apenas; sem preparação, sem encontros, sem informação e formação…

Nacional e até universalmente, começou a tomar-se conhecimento, pelo deus Mamona – o preço dos altares… Penso que para esta jornada foi sagrado um Bispo; além da sua presença aqui e além… que trabalho pastoral junto dos outros bispos, destes junto dos seus párocos e destes junto dos jovens, nas suas paróquias? E após a Jornada que há de novo, que planos, para manter o fogo do Papa Francisco? O que surgiu da Conferência Episcopal após aquela?

Embora entenda e perceba o que o Senhor bispo queria dizer, não posso deixar de discordar. É certo que não é a jornada JMJ católica ou religiosa; que a finalidade é juntar os jovens em convivência, que a principal mensagem é universal, humana, cívica, social, ecuménica, mas é dinamizada pela Igreja, sem a finalidade de pesca…

Se não é para aproximar, mais conscientemente, os jovens católicos a Cristo e, por arrastamento, os que se sentirem seguidores, não lhe chamem peregrinos, mas turistas; não lhe chamem peregrinação mas excursão.

Não posso deixar de me referir a Rádio Renascença. É, hoje, diferente? Cumpre o seu papel de Católica? Deu, ao menos, a conhecer e a compreender a Evangelii Gaudium? Que dinamização fez da Juventude? E do Sínodo? Que sinal de renovação os seus directores deixaram? Pelo que me é dado conhecer,  continua a ser o seu slogan: “a par com o mundo, impar na música”, a que acrescento, a melhor no futebol.

Em conclusão, se eu me quisesse oferecer para colaborar com os senhores Bispos e os senhores Cardeais, com os párocos que, por esta altura, tomam posse, perante o plano que apresentaram… eu não sabia onde me enquadrar, nem sei o que de concreto pretendem fazer. Falando numa linha sinodal, não sabia onde, com quem “caminhar junto”..

Senhores Cardeais e Senhores Bispos e Senhores Párocos e Colaboradoras Equipas Pastorais, “…a conversão pastoral e missionária não pode deixar as coisas como estão. Neste momento, não nos serve “uma simples administração”.

 

Serafim Falcão. Contacto: s.mn.falcao@gmail.com

 

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