15 de agosto

Igreja ortodoxa celebra a “Dormição da Mãe de Deus”

| 14 Ago 2023

Mosaico da Dormição de Maria na Igreja de Chora, em Istambul, Turquia. Foto © José Luiz Bernardes Ribeiro/Wikimedia Commons

Mosaico da Dormição de Maria na Igreja de Chora, em Istambul, Turquia. Foto © José Luiz Bernardes Ribeiro/Wikimedia Commons

 

O mundo católico ocidental festeja no 15 de agosto a festa da Assunção de Maria, uma crença transformada em dogma apenas há 72 anos. No universo ortodoxo, esta é uma das maiores festas cristãs e recebe a designação de Dormição da Mãe de Deus.

“Ao dar à luz conservastes a vossa virgindade, ao adormecer não abandonastes o mundo, ó Mãe de Deus. Passastes à vida, porque sois a Mãe da Vida e com as vossas orações livrais as nossas almas da morte”.

Assim começa a liturgia da festa da Dormição de Maria Mãe de Deus (Theotokos), que os cristãos ortodoxos e várias das igrejas católicas orientais celebram a 15 de agosto.

A Dormição (ou adormecimento) corresponde, nas igrejas ocidentais, à Assunção de Maria. Refere-se à crença, não apoiada na Bíblia, de que a mãe de Jesus morreu sem sofrimento e em paz espiritual. Daí que a liturgia deste dia festivo prossiga deste modo:

“O túmulo e a morte não puderam deter a Mãe de Deus, incessante na sua intercessão e esperança inesgotável de patrocínio, porque, como Mãe da Vida, foi transferida para a vida por Aquele que habitou no seu seio sempre virgem”.

Esta crença foi partilhada pelas comunidades cristãs até ao final da Idade Média. A partir dessa altura, no catolicismo romano, foi-se desenvolvimento a crença de que Maria foi elevada ao céu “em corpo e alma”. Porém, só em 1 de novembro de 1950 o Papa Pio XII declarou essa crença um dogma de Fé (constituição apostólica Deus Munificentíssimo.)

Além de outros elementos histórico-teológicos associados a este processo, o nº 17 dessa constituição refere:

“Nos livros litúrgicos em que aparece a festa da Dormição ou da Assunção de santa Maria, encontram-se expressões que, de uma ou outra maneira, concordam em referir que, quando a virgem Mãe de Deus passou deste exílio para o céu, por uma especial providência divina, sucedeu ao seu corpo algo de consentâneo com a dignidade de Mãe do Verbo encarnado e com os outros privilégios que lhe foram concedidos. É o que se afirma, para apresentarmos um exemplo elucidativo, no Sacramentário enviado pelo nosso predecessor de imortal memória Adriano I, ao imperador Carlos Magno. Nele se diz: “É digna de veneração, Senhor, a festividade deste dia, em que a santa Mãe de Deus sofreu a morte temporal; mas não poderia ficar presa com as algemas da morte aquela que gerou no seu seio o Verbo de Deus encarnado, vosso Filho, nosso Senhor”.

A importância desta festa no mundo da ortodoxia, que alguns consideram a festa mais importante a seguir à da Páscoa, é visível pelo jejum preparatório a ela associado, que é mais rigoroso que o do Natal, estendendo-se, no mínimo, pelas duas semanas anteriores. Carne e peixe, ovos e produtos lácteos, além de azeite e vinho estão incluídos nesse jejum.

Em algumas igrejas ortodoxas é costume a bênção de flores, ervas e sementes, na festa da Dormição da Santa Mãe de Deus. A tradição terá origem na crença de que quando Maria morreu, foi velada por todos os discípulos, com exceção de Tomé, que chegou ao túmulo apenas no terceiro dia.  Porém, não encontrou o corpo de Mãe de Deus, mas apenas flores das quais exalavam perfumes.

 

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Reconhecendo que o contexto da Igreja universal “é caracterizado pela descredibilização do clero provocada por diversas crises, pela redução do número de vocações ao sacerdócio ministerial e pela situação sociológica de individualismo e de crescente indiferença perante a questão vocacional”, os representantes do Clero diocesano de Angra (Açores) defendem o incremento da “pastoral vocacional assente na comunidade, sobretudo na família e no testemunho do padre”.

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Este texto do Padre Joaquim Félix corresponde à homilia do Domingo IV da Páscoa na liturgia católica – último dia da semana de oração pelas vocações – proferida nas celebrações eucarísticas das paróquias de Tabuaças (igreja das Cerdeirinhas), Vilar Chão e Eira Vedra (arciprestado de Vieira do Minho).  

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