
Os bispos portugueses no encontro com a secretaria geral do Sínodo, esta segunda-feira. Foto © Ecclesia/PR
O vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, Virgílio Antunes, reconheceu que a Igreja Católica em Portugal tem necessidade de uma “abertura de horizontes” no âmbito da evangelização, nomeadamente no “acolhimento das pessoas”. Para o bispo de Coimbra, – que falou aos jornalistas após o encontro com a Secretaria Geral do Sínodo, que decorreu esta segunda-feira, 20 de maio, em Roma – é preciso fomentar “uma relação mais eficaz e mais eclesial entre os membros da hierarquia, a generalidade dos cristãos leigos, dos consagrados do povo de Deus”.
O encontro aconteceu naquele que foi o primeiro dia da visita ad limina apostolorum dos bispos portugueses ao Vaticano. “Foi muito bom este diálogo com a Secretaria Geral do Sínodo, porque nos veio confirmar naquilo que estamos a fazer e também fizemos eco daquilo que tem estado a ser a realidade em Portugal”, afirmou o vice-presidente da CEP.
Virgílio Antunes destacou a participação das comunidades em Portugal na preparação das assembleias sinodais, lembrando que “nenhum sínodo” teve este processo a anteceder a reunião dos bispo, e valorizou a possibilidade dos relatórios diocesanos ou da Conferência Episcopal não serem “um juízo crítico nem um juízo teológico ou doutrinal sobre aquilo que se reportava, mas fazer eco daquilo que era o sentir e o pensar das pessoas”. “É uma novidade absoluta para a maior parte das pessoas que participaram nestes diferentes momentos do processo sinodal. E isso é muito bom e muito belo”, afirmou.
Em declarações à agência Ecclesia e à Renascença após a reunião desta manhã, o bispo de Coimbra destacou que “há uma forma de estarmos como Igreja nas nossas comunidades que já está a sentir os efeitos de uma nova mentalidade, de uma nova forma de ser e de uma nova forma de estar, mesmo sem irmos para aquelas questões que precisam de uma decisão a partir da Igreja Universal”.
E reiterou: no que diz respeito ao Sínodo dos Bispos, “a Igreja em Portugal está envolvida, está de coração aberto, está disponível para fazer caminho com o Santo Padre, o Papa Francisco, para fazer caminho com todos os que são participantes ativos na própria Assembleia Sinodal, e nós temos o nosso contributo, talvez humilde e simples, a dar, sobretudo a disponibilidade para a renovação”. Um caminho que tem de ser feito “a partir da centralidade da comunhão, da participação, da missão”, concluiu.
“Estão a surgir novas configurações ao nível das comunidades”
O início da visita ad limina ficou ainda marcado pelo encontro com o Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades Apostólicas.
Questionado pela Renascença sobre o envelhecimento e diminuição das comunidades religiosas em Portugal, o patriarca de Lisboa, Rui Valério, delegado da Conferência Episcopal para a Vida Consagrada, admitiu que a Igreja está “num processo de amadurecimento” desta realidade “com o fim de alcançar uma configuração consagrada, seja ao nível carismático, seja ao nível estrutural”.
“Estão a surgir novas configurações ao nível das comunidades, no seu concreto, mas também ao nível da efetivação da missão. Estamos a contemplar o surgimento de novas realidades que existem paredes-meias com a realidade laical – pais de família, mães de família, trabalhadores. Tudo isto esta a ser abraçado por processos ou formas novas que o Espírito Santo está a suscitar na Igreja”, acrescentou o patriarca de Lisboa.
A visita ad limina dos bispos de Portugal decorre no Vaticano até sexta-feira, 24 de maio, dia em que serão recebidos pelo Papa Francisco.

A foto de grupo, no final do encontro com a secretaria geral do Sínodo. Foto © ECCLESIA/PR









