Sínodo na Costa do Marfim

Igreja precisa de discutir “racismo, questões de género e clericalismo”

| 31 Jul 2022

Os bispos da Costa do Marfim apresentaram a sua síntese nacional para o Sínodo sobre a sinodalidade. Foto © Eva Blue | Unsplash

Mercado de rua na Costa do Marfim: Os bispos da Costa do Marfim apresentaram a sua síntese nacional para o Sínodo sobre a sinodalidade e apelaram a que o racismo seja discutido dentro da Igreja. Foto © Eva Blue | Unsplash

 

Os católicos da Costa do Marfim pedem à Igreja em geral que se empenhe em mais “discernimento” em várias questões dolorosas – como racismo, questões de género e clericalismo – na próxima etapa do processo sinodal. Os líderes da Igreja na nação da África Ocidental fazem o apelo na síntese nacional recentemente publicada sobre as consultas sinodais que foram realizadas nas suas 15 dioceses católicas, noticia o La Croix (notícia apenas disponível para assinantes).

Eles dizem que é necessário questionar o significado da sinodalidade numa Igreja afligida pelo etnocentrismo, tribalismo, racismo, questões de género e casamento e clericalismo. “Como é que a Igreja reage concretamente diante de tais flagelos que correm o risco de fazer da sinodalidade uma utopia ou uma ilusão?”, questionam os participantes nos momentos de escuta sinodal conduzidos no país, ou “como podemos lançar um processo sinodal se ‘a questão do género’, que preocupa o mundo, não é resolvida pela Igreja e uma mulher seja ouvida por todos?” foram outras das questões levantadas nas sínteses.

O resumo das consultas foi apresentado nos dias 21 e 22 de julho, mas não fornece dados estatísticos sobre quantos ou qual percentagem dos católicos do país realmente participaram do processo sinodal, embora a equipa nacional para o sínodo sobre sinodalidade tenha afirmado que a participação foi significativa. “A nível das dioceses e no âmbito das consultas de base, movimentos, congregações religiosas, instituições e paróquias foram mobilizados para responder ao questionário contextualizado”, disse.

D. Bruno Essoh Yedoh de Bondoukou , bispo da diocese de Bondoukou, leu a síntese de 20 páginas da consulta durante a Missa de ação de graças concelebrada no dia 21 de julho com todos os membros da Conferência Episcopal da Costa do Marfim (CECCI), e voltou a fazê-lo no dia seguinte, em conferência de imprensa onde, falando em nome da equipa nacional de contactos, disse que o resumo “pretendia captar o mais possível os pontos de vista críticos e apreciativos de todas as respostas”.

Bruno Yedoh disse que, em todas as dioceses, “a corresponsabilidade pastoral, que implica uma participação indispensável dos leigos na missão da Igreja, foi um dos pontos fortemente debatido” durante as consultas.

A colaboração entre sacerdotes e leigos na vida da Igreja na Costa do Marfim é promovida principalmente por meio de estruturas de governo ao nível paroquial, como os conselhos pastorais e os conselhos financeiros. Estes são co-presididos pelo pároco e por um leigo, geralmente eleito pelos responsáveis ​​dos movimentos e associações da paróquia.

Mas o relatório apresentado observa que, na prática real, é o sacerdote que detém a autoridade máxima. “Alguns exercem o serviço na escuta de todos, com disponibilidade e humildade”, diz o texto, mas “por outro lado, outros não levam em conta esses quadros de colaboração com os leigos, agindo sozinhos e impondo suas decisões, a ponto de confinar os seus parceiros leigos aos papéis de figurantes ou executores”, aponta.

 

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