Carta lida nas Igrejas de França 80 anos depois

Igreja recorda arcebispo que denunciou atrocidades nazis contra os judeus

| 12 Ago 2022

 

D. Jules-Géraud Saliègen foi Arcebipo de Toulouse na altura da II Guerra Mundial. Foto © Archives Départementales

D. Jules-Géraud Saliègen foi Arcebispo de Toulouse na altura da II Guerra Mundial. Foto © Archives Départementales de la Haute-Garonne

 

Os judeus são homens e mulheres, “são nossos irmãos como tantos outros”, mandava ler a 23 de agosto de 1942 nas igrejas da diocese de Toulouse numa França ocupada pelo exército alemão, o então arcebispo de Toulouse, Jules-Géraud Saliègen. Na sua Carta Pastoral sobre “a pessoa humana”, Saliègen condenava as atrocidades (rusgas, prisões, deportações e assassinatos) cometidas pelos nazis contra os judeus.

“Um cristão não pode negar nem esquecer” que os judeus “fazem parte da raça humana”, reforçava aquele que, depois da guerra, foi feito Cardeal e cuja coragem na defesa do povo vítima do holocausto vai ser recordada nesta segunda-feira da Assunção, 15 de agosto, 80 anos após a sua profética Carta. Carta escrita a 13 de agosto de 1942 e que será lida em todas as igrejas francesas a pedido do presidente da Conferência dos bispos de França (CbF), Éric de Moulins-Beaufort, arcebispo de Reims.

A Carta Pastoral sobre “a pessoa humana” do Arcebispo de Toulouse, Jules Géraud Saliège (1870-1956) que aqui traduzimos, pode ser lida na sua versão francesa no site da CbF:

“Meus muito queridos Irmãos,

Há uma moral cristã, há uma moral humana, que impõe deveres e reconhece direitos. Esses deveres e esses direitos estão ligados à natureza do homem. Eles vêm de Deus. Pode-se violá-los. Mas não está no poder de nenhum mortal suprimi-los.

O nosso tempo reservou para nós sermos testemunhas deste triste espetáculo: crianças, mulheres, homens, pais e mães serem tratados como um vil rebanho; os membros de uma mesma família sejam separados uns dos outros e deportados para um destino desconhecido.

Por que razão o direito de asilo nas nossas igrejas deixou de existir?
Por que estamos vencidos?
Senhor, tem misericórdia de nós.
Nossa Senhora, rogai pela França.

Na nossa diocese, tiveram lugar cenas de horror nos campos de Noé e Récébédou. Os judeus são homens, as judias são mulheres. Não é permitido tudo contra eles, contra estes homens, contra estas mulheres, contra estes pais e mães de família. Eles fazem parte da raça humana. Eles são nossos Irmãos como tantos outros. Um cristão não o pode negar nem esquecer.

França, pátria muita amada, França que transportas na consciência de todos os teus filhos a tradição do respeito pela pessoa humana. França cavalheiresca e generosa, não tenho dúvidas, tu não és responsável por estes horrores.

Recebam, meus queridos Irmãos, a certeza do meu respeitoso afeto.

Jules-Géraud Saliège Arcebispo de Toulouse, 13 de agosto de 1942

Para ler no próximo domingo, sem comentário”

 

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