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manifestacoes George Floyd, Foto ONU _ Daniel Dickinson

George Floyd morto há um ano

Igreja tem de dizer e fazer mais contra o racismo, dizem bispos dos EUA

| 25/05/2021

manifestacoes George Floyd, Foto ONU _ Daniel Dickinson

Manifestações por George Floyd: Igreja americana admite que precisa de fazer mais pelo racismo, um ano depois da morte de Floyd.  Foto ONU _ Daniel Dickinson.

“Uma vez nascidos, se não somos tratados com a mesma dignidade que queremos para aqueles que não nasceram, não estamos a fazer o que precisamos de fazer e a Igreja tem de ser líder nisso”, diz o bispo Roy Campbell Jr., que preside à Conferência Nacional Negra Católica, um ano depois da morte de George Floyd. “É a nossa responsabilidade moral. A vida humana tem valor ilimitado aos olhos de Deus, da concepção à morte natural”, acrescenta.

No Crux, o bispo, um dos auxiliares da diocese de Washington, diz que o que se passa agora deve fazer recordar o que se passou na década de 1960, quando muitos católicos marcharam com Martin Luther King nas manifestações pelos direitos civis.

“Dizer que algo é um incidente isolado, não tenho nada a ver com isso, sou uma boa pessoa, é muito diferente de haver racismo sistémico. E se eu não me tornar uma pessoa antirracista para trabalhar contra esse racismo sistémico, estou a perpetuar o sistema”, diz o bispo, citado também na página do secretariado católico da Pastoral da Cultura.

Por isso, Campbell defende a importância da liderança dos bispos e da Igreja Católica neste processo, e da necessidade de todas as pessoas avançarem com processos de diálogo e de fazer coisas tão simples como “tratar os outros com a dignidade com que queremos ser tratados”.

Frank Dewane, bispo de Venice, membro da comissão ad hoc contra o racismo da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB, na sigla inglesa), defende que a mudança duradoura na mentalidade de segregação tem de começar no interior de cada pessoa.

Mel Tardy, diácono de uma paróquia de Chicago que organizou uma vigília ecuménica em em memória de Floyd, diz esperar que a Igreja saia da “tendência para ficar em silêncio: somos a religião mais diversa que existe, mas ainda assim tendemos a ser aqueles que constroem paredes em vez de tentar usar os dons do Espírito Santo para nos unirmos a todos”.

O desempenho das forças de segurança, o seu financiamento e a necessidade de avaliar até que ponto o racismo é estruturante na sociedade são outras questões que este diácono considera pertinentes para os cristãos aprofundarem.

Gloria Purvis, activista católica e comunicadora, acrescenta que a Igreja “precisa de trabalhar” a questão do racismo, por causa da retórica “chocante” de alguns leigos e do silêncio de alguns líderes católicos: “Precisamos do mesmo tipo de pronunciamentos ásperos que o nosso clero profere em relação ao direito de defender a vida no útero.”

 

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