Terra Santa

Igrejas cristãs de Jerusalém perseguidas por radicais judeus

| 19 Abr 2022

A Abadia da Dormição, na Cidade Velha de Jerusalém. Foto © Eldadc1, CC BY-SA 3.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0>, via Wikimedia Commons.

A Abadia da Dormição, na Cidade Velha de Jerusalém. Foto © Eldadc1, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

 

As comunidades cristãs que ocupam vários edifícios do bairro cristão na Cidade Velha de Jerusalém têm-se queixado junto do Governo e do Presidente de Israel de restrições ao culto e de problemas graves com setores de judeus radicais.

Por altura da Páscoa, milhares de cristãos costumam frequentar as celebrações nesta parte da cidade. Porém, este ano, instruções transmitidas pelas forças de segurança limitaram esse número a 1000, dos quais apenas 500 seriam autorizados a entrar no bairro cristão.

Perante as restrições, que deixaram as igrejas cristãs descontentes, os patriarcas grego e arménio de Jerusalém e o custódio da Terra Santa, católico, decidiram esta segunda-feira, 18, enviar uma carta ao Presidente de Israel, Isaac Herzog, na qual consideram estas medidas “injustas e inexplicáveis, restringindo o direito dos peregrinos cristãos de praticar livremente o culto, num dia crucial do ano”.

“Este serviço sagrado, que tem vindo a ser realizado graças à cooperação entre os patriarcados das igrejas e que dura há séculos, nunca suscitou problemas de segurança”, acrescenta a missiva. Adverte também que, devido às fortes restrições a que a pandemia da covid 19 obrigou, “é vital que todas as comunidades sejam autorizadas a praticar o seu culto livremente e sem restrições, de uma vez por todas”, acedendo ao bairro cristão e ao Santo Sepulcro. Só desse modo se poderá evitar que a comunidade internacional considere estar-se perante uma operação que faz da minoria cristã “um alvo injusto”.

Um problema paralelo a este surgiu nos últimos dias, suscitado pelo Presidente russo junto do Governo israelita. Putin exige ao primeiro-ministro Naftali Benet que a propriedade da catedral da Santíssima Trindade, situada na Cidade Velha de Jerusalém, seja transferida para a Igreja Ortodoxa Russa.

A promessa nesse sentido teria sido feita pelo antecessor Benjamin Netanyahu, em 2020, e refere-se a um edifício que é, desde 1890, o templo principal do Patriarcado de Moscovo, cuja titularidade estava registada em nome do “glorioso reino russo”. Como se tratava de uma denominação extinta, a mudança transitou para o âmbito da justiça e aí encalhou.

Os problemas das Igrejas cristãs em Jerusalém parecem ser mais complexos e condicionados por grupos radicais judeus, nomeadamente colonos, que estão a estabelecer-se no bairro cristão e a “ameaçar um frágil equilíbrio religioso na antiga Cidade Santa”, segundo reportagem da agência France Presse da última semana. Nesse trabalho, a agência cita o patriarca ortodoxo grego Teófilo III que se refere a “um grande problema” que ameaça as comunidades cristãs na Cidade Velha.

O patriarca acusou colonos judeus da linha dura, nomeadamente o grupo nacionalista de colonos Ateret Cohanim, conhecidos pelo empenhamento em tomar o controlo de propriedades de famílias palestinas e de terras de propriedade cristã, invocando o objetivo de “redimir a Terra Santa dos profanos”. O processo seria o de adquirir imóveis por meio de empresas de fachada e depois ir transferindo colonos judeus para lá.

 

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