
Centenas de cristãos participam na via-sacra em Jerusalém, em fevereiro de 2024. “É escandaloso que, precisamente nestes tempos delicados, os municípios estejam a abrir processos contra as Igrejas nos tribunais”, dizem os líderes religiosos. Foto © PGPO/CTS
Os patriarcas e líderes das Igrejas Cristãs em Jerusalém escreveram uma carta ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, lamentando o que consideram ser “um ataque coordenado à presença cristã na Terra Santa”, depois de quatro municípios do país terem tentado aplicar impostos municipais às propriedades das igrejas, contradizendo “séculos” de acordos históricos.
“Neste momento em que o mundo inteiro, e em particular o mundo cristão, acompanha constantemente os acontecimentos em Israel, encontramo-nos mais uma vez confrontados com uma tentativa das autoridades de expulsar a presença cristã da Terra Santa”, escreveram os os líderes religiosos, incluindo o cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Católico Latino de Jerusalém, e o padre franciscano Francesco Patton, Custódio da Terra Santa, na missiva citada pela Catholic News Agency.
Na carta, datada de 23 de junho, os responsáveis cristãos expressam preocupação após terem recebido cartas de advertência ou relativas a ações legais em quatro municípios de Israel (Tel Aviv, Ramle, Nazaré e Jerusalém) por alegadas dívidas fiscais.
Lembrando que, “durante séculos”, as propriedades da Igreja tiveram isenções de impostos municipais de acordo com o status quo estabelecido, e que o dinheiro arrecadado foi investido em benefício do Estado como “escolas, hospitais, lares de idosos e instalações para os desfavorecidos”, os líderes consideram as ações municipais “tendenciosas” e contrárias à posição histórica das Igrejas e à sua relação com o governo, “violando os acordos e compromissos internacionais existentes que garantem os direitos” das mesmas.
“É escandaloso que, precisamente nestes tempos delicados e complicados em que a paciência, a compaixão, a unidade na oração e a esperança devem prevalecer, os municípios estejam a abrir processos contra as Igrejas nos tribunais e a emitir ameaças. Isso constitui um desrespeito pelos nossos costumes e pelo que nos é caro, e atropela o respeito mútuo que existia entre nós até esse momento”, acrescentam.
Numa entrevista à Associated Press, o município de Jerusalém afirmou que as autoridades eclesiásticas não apresentaram os pedidos necessários de isenção fiscal nos últimos anos.









